Em seu primeiro discurso como governador constitucionalmente empossado, Rui Costa disse que dará continuidade aos programas e projetos geridos pelo ex-governador Jaques Wagner, anunciou a inclusão social e o desenvolvimento econômico como os dois eixos centrais da sua gestão. Propôs pactos e diálogo com os servidores públicos, com os policiais, com as áreas de educação e saúde; e com as famílias. Reafirmou que não permitirá o estabelecimento de “ilhas” em seu governo, que será marcado pela transversalidade e compartilhamento entre todas as secretarias.
Garantiu que levará a Bahia a ter voz no plano nacional. Para isso, convocou líderes políticos de todos os matizes a participarem de um “pacto federativo” em defesa de maior participação dos estados e municípios em definições de políticas públicas. E criticou a burocracia do Estado, que “custa caro” e atrasa o desenvolvimento. Não considera factível, diante das necessidades de povo, que uma obra ou serviço só inicie de fato nos municípios e estados cerca de dois anos após a tomada de decisão pela presidente Dilma Rousseff.
PACTO FEDERATIVO
Defendeu de forma enfática a necessidade de uma reforma tributária. E cobrou mudanças para a ampliação do financiamento para a saúde pública, prometendo trabalhar para “fazer a diferença na vida dos baianos, que precisam da mão amiga do Estado”. O chefe do Executivo postulou o maior repasse de verbas federais para os municípios e estados: “É urgente a revisão do nosso pacto federativo. Não é aceitável o nível de concentração dos recursos no plano federal. Brasília se agiganta a cada dia e a burocracia custa caro ao país”, afirmou.
Diálogo foi a palavra-chave no discurso do governador Rui Costa, que anunciou já para este mês o primeiro encontro para analisar a situação no colégio estadual Luiz Tarquínio (onde estudou) e sugeriu que este expediente se dissemine por todas as demais unidades escolares do Estado, onde “jovens, famílias e professores” devem estar em constante diálogo.
Convocou os prefeitos também para um pacto, desta vez o da Educação, que deve ser consolidado na sua administração. Garantiu ênfase ao ensino de 2º grau e parceria com as prefeituras e anunciou que vai botar dinheiro para a capacitação da rede pública. Rui Costa acha que, juntos, Estado, professores e famílias construirão uma “educação transformadora, inclusiva e de qualidade”.
“Quero lançar um convite, um verdadeiro desafio, aos professores e servidores da educação para que possamos juntos afirmar: 'Ajudei a construir uma educação transformadora, ajudei a dar o maior salto nos indicadores educacionais da história da Bahia'. Este é meu compromisso”, frisou.
Em tom crítico, o governador Rui reclamou: “Não é possível que o ICMS pago no comércio eletrônico pelos baianos e nordestinos seja apropriado apenas pelo estado de São Paulo”, afirmou. Lembrou em seguida que apesar de todos os pesares, “a Bahia e o Nordeste cresceram porque superamos aquela velha lógica de esperar o bolo crescer para só depois dividir. Comprovamos, desde o primeiro governo do presidente Lula, que a receita do verdadeiro desenvolvimento é crescer repartindo. Ou seja, é preciso dividir as riquezas para multiplicar as oportunidades”.
Outro segmento chamado ao diálogo e a um pacto com o governo foi o policial. Com eles – policiais civis e militares – Costa quer estabelecer o “ pacto pela vida” e criar policiais cidadãos que, em futuro próximo, sejam o orgulho da população. Aos profissionais de Saúde, o governador falou sobre a construção de uma “saúde cada vez mais humanizada e resolutiva”, que tenha seus serviços ampliados e agilizados, sobretudo para os mais pobres.
Os servidores públicos, de um modo geral, também foram convidados a diálogos que resultem em “novos avanços” e mantenham “tudo o que foi feito e conquistado”.
EMOÇÃO
O governador começou o discurso manifestando gratidão a Deus, aos partidos aliados, aos amigos. Falou de sonhos e agradeceu ao seu “amor” - a mulher Aline –, aos três filhos, aos três irmãos e aos pais Clóvis Santos e Maria Luzia Costa dos Santos, falecida há 20 anos. Relembrou a infância vivida no bairro da Liberdade, onde aprendeu “o significado da palavra comunidade” e conheceu a solidariedade, cumprimentou o amigo João e D. Marilene, vizinha antiga que ajudava sua mãe a “cuidar das crianças da rua”. Emocionado com o choro da vizinha, Rui chorou.
Pouco mais adiante, uma nova referência pessoal, ao incorporar ao discurso mensagem recebida na noite de ano novo de Dinha, sua empregada doméstica, mais uma vez reafirmando que “os sonhos realizados são para os que têm atitude e humildade” para enfrentar tudo. O governador desfez a máxima de que “pobre não tem vez” lembrando que ontem tomava posse como governador da Bahia porque nunca deixou “de sonhar e lutar”.
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