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Discursos emocionados marcam despedidas de três parlamentares

Publicado em: 30/12/2014 00:00
Editoria: Diário Oficial

O comunista Álvaro Gomes recebeu troféus e reafirmou suas convicções e "princípios de luta"
Foto: Paulo Mocofaya /Agência-Alba
Os parlamentares presentes no plenário vivenciaram momentos de emoção, com a despedida formal dos deputados Álvaro Gomes (PC do B), Cacá Leão (PP) e Elmar Nascimento (DEM). Os dois últimos eleitos para a Câmara dos Deputados, enquanto Álvaro Gomes não logrou a reeleição. Por liberalidade dos integrantes da mesa, que dirigiu os trabalhos, cada um falou por quase três horas, o que retardou o momento da ordem do dia (quando são realizadas as votações) para as 21h30.

Originalmente, eles disporiam de pouco menos de uma hora na tribuna. Mas, além de seus pronunciamentos, foram aparteados por todos os outros 51 presentes, sem exceção. O primeiro a se pronunciar foi Álvaro Gomes que integrará o secretariado do governador eleito Rui Costa na pasta do Trabalho, Emprego e Renda. Concluindo o terceiro mandato consecutivo, ele traçou um detalhado panorama de suas ações, registrando os 2.300 discurso que pronunciou nos últimos 12 anos, além de 400 projetos de lei e inúmeras moções e indicações.

Em seu comovente discurso, durante o qual se emocionou por mais de uma vez, Álvaro Gomes reafirmou que não se considera um derrotado. As contrário, se professa vitorioso por não ter aberto mão “de princípios de luta”, nem ter cedido ao capital. Em uma retrospectiva pessoal, lembrou as perdas e ganhos ao falar das mortes da esposa, do filho Pedro recém-nascido e dos pais, recentemente. Chorou. Os ganhos e felicidades creditou às filhas, presentes nas galerias, e afirmou que sai da Assembleia baiana como entrou: “de cabeça erguida” e o mesmo de sempre: “radical, mas não sectário; socialista e defensor dos oprimidos”.

Foi aparteado e elogiado por todos os deputados presentes e recebeu das mãos do presidente Marcelo Nilo três troféus: o de Destaque, concedido pelo Comitê de Imprensa da Casa, e deputado mais assíduo e com maior número de discursos durante a legislatura que se encerra, concedidos pela Mesa Diretora.

Todo o gabinete de Álvaro Gomes assistiu, das galerias, a sua fala, bem como dirigentes de seu partido e suas duas filhas, Lara e Juli. Da tribuna, o comunista leu também dois poemas de sua autoria, dedicado a sua mãe e seu pai, Diva Fonseca Gomes e João Colombo Gomes (ambos falecidos). Ao final de sua longa fala, o deputado presenteou os colegas e funcionários com flores e um livro que escreveu (com parcerias) sobre trabalhos que apresentou em fóruns internacionais. Homenagem que fez à mãe, as rosas, e ao pai, os livros.

O deputado Cacá Leão (PP) também discursou, despedindo-se da Casa. Assume, na próxima legislatura, mandato de deputado federal, “missão dada pelo povo da Bahia”. Filho do vice-governador eleito, o deputado elogiou o pai João Leão de quem tem “ o maior orgulho” e a quem substitui na Câmara Federal. Cacá Leão agradeceu aos pares e revelou a vontade de “permanecer por mais quatro anos” na Assembleia, “ mas recebeu a missão do partido” e elegeu-se deputado federal. Aparteado e elogiado pelos colegas em plenário, Cacá prometeu “ajudar e ajudar muito mesmo a Bahia” de Brasília, onde, acredita, terá muito mais “oportunidade de trabalho”.

Finalmente, Elmar Nascimento, que já havia discursado na semana passada, fez um relato sucinto de sua experiência de 12 anos na Assembleia Legislativa. Relatou o seu relacionamento com o presidente Marcelo Nilo, nem sempre pacífico, mas destacando o apreço mútuo que os une. Ele foi saudado também por todos os presentes, sendo expressivas as palavras que recebeu do seu adversário maior nos últimos quatro anos, Zé Neto, bem como de seu aliado no DEM e igualmente do deputado federal eleito, Paulo Azi.





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