O Hospital Geral João Batista Caribé, no Subúrbio de Salvador, vive um momento dramático. Esta revelação foi feita pela diretora do hospital, Maria Letícia, em audiência pública na Assembleia Legislativa, convocada pelo deputado Alan Sanches (PSD) para debater a situação da unidade, que deve ser transformada em uma grande maternidade, uma espécie de hospital da mulher, já no próximo ano, segundo planos anunciados pelo governo do Estado. Atualmente, apenas a maternidade funciona - ainda assim não de forma plena - e o pronto-atendimento, informou Letícia. “Com a inauguração do Hospital do Subúrbio, se percebeu a necessidade de transformar o Caribé em uma unidade exclusiva para a mulher, uma maternidade de referência. Porém, isso não acontece, não sai do papel e o nosso João Batista Caribé, que tem potencial para dar uma excelente assistência à população, está sendo sucateado. A situação precisa ser resolvida com urgência. Já passou da hora”, desabafou.
O apelo da diretora do hospital encontra coro no corpo funcional do Caribé e em lideranças de moradores do subúrbio. Para tentar solucionar o problema, o deputado Alan Sanches se comprometeu, tão logo seja empossado em mais um mandato, no início de janeiro, a procurar o novo secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas Boas. Sanches pretende obter do governo garantias quanto à celeridade na execução do projeto de transformação do Caribé, de forma a minimizar os problemas que a população diz estar sofrendo nos últimos anos.
O Hospital João Batista Caribé, localizado em Coutos, funciona atualmente com apenas 30% da sua capacidade. O subúrbio Ferroviário tem população estimada em mais de 600 mil moradores. “O centro cirúrgico”, informou o parlamentar, “está há cerca de oito meses sem funcionar. Quem procura o hospital recebe somente o primeiro atendimento e é encaminhado para outro. Nem mesmo uma cesariana está sendo realizada. Como pode isso ocorrer em um hospital-maternidade: funcionar apenas com parto expulsivo, normal?”, questiona. Para o deputado pessedista, “parece que a construção do Hospital do Subúrbio colabora para que ele fique em segundo plano. Por isso, a minha promessa de procurar o colega Fábio Vilas Boas, certo de que ele terá um olhar mais atento para o problema e dará mais celeridade ao processo de definição”. A esperança de Sanches é que o novo governo da Bahia coloque o hospital funcionando “a pleno vapor” em curto prazo.
NOVO DEBATE
Alan Sanches, que é médico, integra a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, colegiado que já esteve em visita de observação à unidade e encaminhou parecer à Secretaria de Saúde. A ausência de representantes da Sesab à audiência pública, que contou com representantes de moradores e servidores da unidade de saúde, foi justificada por Alan Sanches. Para ele, o não comparecimento deve ter se dado por conta do período de transição de governo, o que “ é compreensível”. Mas alertou: “A nova gestão precisa dar uma resposta às muitas pessoas que dependem do João Batista Caribé, um hospital que já foi referência em todo estado, tem um grande potencial e está sendo subutilizado”. Um novo debate sobre este mesmo problema já está agendado para acontecer em fevereiro.
Ainda de acordo com Alan Sanches, a sua ideia é “ sensibilizar o executivo estadual para que haja, de fato, uma definição de forma mais célere” do processo de transformar o João Batista Caribé em Hospital da Mulher, uma vez que o Caribé “sempre foi referência”. Ele espera que o Hospital volte a “ofertar o atendimento em sua totalidade” e o governo o devolva “ à população da área, que tanto necessita”. O João Batista Caribé, disse, “não pode continuar sendo sucateado”.
Há dois anos o Governo anunciou a transformação do João Batista Caribé, que antes funcionava como pronto-socorro em várias especialidades, em uma grande maternidade. À época a Sesab informou que “o hospital está sendo requalificado de forma progressiva. A unidade não precisará ser fechada para a requalificação”, e adiantou que “existe o novo Hospital do Subúrbio, que foi construído com o intuito de atender a grande população que mora no Subúrbio Ferroviário”.
Este assunto vem sendo acompanhado de perto pelo Legislativo estadual e já foi amplamente debatido na Comissão de Saúde e Saneamento. No ano passado o colegiado recebeu uma comissão da Frente de Lideranças para debater a questão da saúde pública no subúrbio de Salvador, quando lideranças locais cobraram do então secretário Jorge Solla a promessa de que não fecharia o hospital João Batista Caribé, sem que alguma unidade de atendimento fosse instalada antes.
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