Em sessão especial emocionante, José de Andrade Almeida Castro, jornalista e pioneiro da televisão no Brasil, recebeu a Comenda 2 de Julho que lhe foi conferida a partir de proposição do líder da maioria, deputado Zé Neto, aprovado por unanimidade. Aos 92 anos, o homenageado fez um discurso repleto de reminiscências, lembrando de sua infância e juventude em Salvador, onde a origem humilde o obrigou a trabalhar desde cedo para custear os estudos e ajudar a família.
Conhecido como Almeida Castro, o homenageado foi saudado por seu patrono que traçou um breve currículo de sua profícua vida de jornalista e homem de imprensa. O deputado Zé Neto lembrou que o homenageado nasceu na Baixa dos Sapateiros em 30 de junho de 1922 e, aos nove anos, diante de crise financeira familiar para poder comprar a farda do colégio Estadual da Bahia, foi ser ajudante de mecânico no linotipo do jornal A Tarde. Foi a partida para uma longa vida em que ele jamais deixou de trabalhar em veículos de comunicação, chegando a presidir a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, Abert.
Foi colega na imprensa baiana de políticos como Carlos Marighela e Antônio Carlos Magalhães, formando-se em Direito ainda jovem, para depois seguir para o Rio de Janeiro, onde fez doutorado, grau acadêmico também conquistado em universidades americanas. Nos Estados Unidos, fez estágio na KomuTV, em Los Angeles, e também nas universidades de Chicago e Denver, cursando também a Universidade Mundial de Turismo – além de cursos na BBC (Londres), na TV Espanhola, na TAI Italiana e ainda um curso pioneiro sobre cobertura de televisão via satélite, ainda na época do Intelsat.
Esse cabedal de conhecimento, frisou o deputado do Partido dos Trabalhadores, o credenciou a inaugurar 14 canais de televisão, bem como jornais, emissoras de rádios e revistas no âmbito da cadeia comandada por Assis Chateubriand Bandeira de Mello, os Diários Associados. No rádio e televisão fez de tudo, além de produzir programas, foi locutor e apresentador, sem nunca deixar de lado a condição de homem de jornal – sendo um dos diretores dos Diários Associados em seu período de expansão, cobrindo todo o território nacional e ainda com publicações destinadas à América Latina, inclusive a revista O Cruzeiro que chegou a tirar 600 mil exemplares semanais numa época em que a nossa população era da ordem de 50 milhões.
Zé Neto lembrou a sua ação direta na criação e implantação da rádio Sociedade da Bahia e da TV Itapoan, veículos pioneiros aqui nas mídias radiofônicas e televisivas, bem como o trabalho que executou nos Diários Associados na época dirigido por outro baiano ilustre, João Calmon, inclusive participando do processo de criação e implantação de emissoras importantes como as TVs Difusora de São Paulo, Itacolomy de Belo Horizonte e da Tupi do Rio de Janeiro. Minucioso, citou programas campeões de audiência que ele criou, como O Céu é o Limite e a sua participação no Cassino do Chacrinha, bem como em suas atuações no teatro Trol junto a grandes atores brasileiros.
Para Zé Neto a longeva e produtiva carreira profissional desse baiano ilustre o credenciou a receber a Comenda 2 de Julho, a maior condecoração concedida pelo parlamento baiano, aprovada, registrou, com o voto unânime dos representantes de seus conterrâneos baianos. Almeida Castro estava acompanhado de familiares e dirigentes da Abert que vieram do Rio de Janeiro apenas para participar dessa homenagem.
No emocionado agradecimento que fez, José Andrade de Almeida Castro falou da generosidade do povo baiano e dos integrantes da Assembleia Legislativa, e salientou o valor para a democracia da liberdade de imprensa – bem essencial para o regime democrático, que precisa ser exercida com rigor e responsabilidade para bem servir à comunidade e as instituições.
Compuseram a Mesa de Honra, além do proponente e do homenageado, a secretária de Comunicação, Marlupe Caldas, que representou o governador Jaques Wagner; o diretor de relações internacionais, Genaldo Lemos Couto; o representante da Federação Nacional dos Advogados, Walter Vetores, bem como o presidente regional da Abert, Fernando Henrique.
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