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Lançado livro de mestre da literatura

Publicado em: 17/12/2014 00:00
Editoria: Diário Oficial

O professor Délio Pinheiro, assessor para Assuntos Culturais da AL, destacou importância da obra
Foto: Paulo Mocofaya/Agência-Alba
Foi lançado ontem, na Academia de Letras da Bahia, o livro de contos “O Telefone dos Mortos”, do combativo jornalista e brilhante intelectual baiano João Carlos Teixeira Gomes, o Joca. A publicação é o nono volume da coleção Mestres da Literatura Baiana, editada em parceria pela Assembleia Legislativa da Bahia e a Academia de Letras da Bahia (ALB), que tem como objetivo recuperar obras de grande valor literário e importância para a cultura baiana e brasileira, que tiveram tiragem limitada e hoje se encontram esgotadas.
Intelectuais, acadêmicos e amigos do escritor lotaram a Casa das Letras da Bahia. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT), foi representado na solenidade pelo assessor para Assuntos Culturais do Legislativo, professor Délio Pinheiro. Ele informou que somente na gestão Marcelo Nilo já foram editados 152 livros. “Parece pouco, mas nós não temos uma estrutura de editora. Somos uma pequena equipe de quatro pessoas, e o resultado desse trabalho dignifica a todos nós”, afirmou Pinheiro, ressaltando que o trabalho sempre contou com total apoio da presidência da Casa. “Mesmo em momentos de contingenciamento nunca faltaram recursos para a edição de livros”, disse. 
O presidente da ALB, Aramis Ribeiro Costa, que prefaciou o livro, conta que o nome de Joca, como é conhecido pelos amigos, encontra-se relacionado com a militância desassombrada de longos anos na imprensa baiana sempre em defesa das liberdades, dos direitos humanos e das causas de interesse púbico. “O talento de Joca se alarga no professor de literatura, no ensaísta, no biógrafo definitivo de Glauber Rocha, no memorialista, contista, romancista e orador fascinante. Ele tem o imperdoável defeito de ser versátil e, pior, brilhante em tudo que faz”, afirmou Costa.

O acadêmico ressalta que os contos reunidos em “O Telefone dos Mortos”, editado pela Editora Nova Fronteira em 1977,  são de altíssimo nível e estavam como que “perdidos” no mar inesgotável que é a produção do irrequieto intelectual. “Era uma circunstância inaceitável pois se trata de um livro de contos que faria, sozinho, a nomeada de um contista, colocando-o em meio ao que de mais interessante se fez na literatura nacional”, afirmou.

João Carlos Teixeira Gomes, apesar de estar passando por problemas de saúde fez questão de comparecer ao lançamento do seu livro e agradeceu a presença calorosa dos amigos. Joca afirmou que a sensação vivida é de euforia. “A academia não pode ser só um lugar para reuniões. Embora na minha trajetória não tenha o hábito de elogiar políticos brasileiros é necessário destacar o trabalho do presidente da AL, deputado Marcelo Nilo, voltado para a cultura baiana”, afirmou o escritor.

Ele disse que a Bahia, apesar de contar com grandes nomes das artes na literatura, teatro, cinema, dança e pintura vem perdendo sistematicamente espaço de projeção na cultura nacional. “Hoje só somos reconhecidos pelo lado pitoresco do Carnaval”, afirmou Joca, salientando que a coleção Mestres da Literatura Baiana é a oportunidade para que as pessoas possam ter acesso a esses autores subestimados. “Devo confessar que gosto muito dos meus contos. Na minha idade, não existe mais motivo para ser modesto”, completou o acadêmico.

BIOGRAFIA

João Carlos Teixeira Gomes nasceu em Salvador, Bahia, em 9 de março de 1936. Diplomado pela Faculdade de Direito da Bahia em 1961, tornou-se um dos mais admirados jornalistas da Bahia em sua atuação no extinto Jornal da Bahia. Faz parte da famosa geração Mapa, que marcou a vida cultural de Salvador a partir dos anos 50 do século XX. Professor de literatura, poeta e ensaísta, ocupa a cadeira número 15 da Academia de Letras da Bahia.

Participaram do lançamento do livro “O Telefone dos Mortos”, intelectuais dos mais diversos segmentos como o ex-governador Roberto Santos, Walter Lima, Antonio Guerra Lima, Joacy Goés, Fernando Rocha Perez, Jorge Medauar, Sebastião Nery, Ordep Serpa, Florisvaldo Mattos, Urânia Perez. 



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