O ministro Marco Aurélio de Mello disse que é uma grande honra passar a integrar, como cidadão, o estado berço de brasileiros notáveis, tanto pelo elevado talento artístico ou intelectual quanto pela notória atuação política e singular desempenho na luta pela causa pública. “Imaginem a minha alegria ao ombrear, por naturalidade, homens e mulheres da estirpe de Antônio Velasco, Castro Alves, Rui Barbosa, Jorge Amado, Dorival Caymmi, Zélia Gattai e Ubaldo Ribeiro, imortais na obra, na dignidade e na forma pela qual levaram a Bahia aos demais continentes, refazendo, em sentido contrário, a travessia inaugural”, contou.
O mais novo baiano lembrou que a Bahia foi o primeiro pedaço do Brasil que o mundo conheceu. “Desde o nome do país – escolhido através do pau-brasil, matéria-prima cuja descoberta deu início à cobiça internacional por essas terras – até as demonstrações de eficiência na condução de políticas públicas, passando pela explosão de talentos na área da música, pintura, dança e literatura, é infinita a contribuição da Bahia à formação da nacionalidade brasileira”, disse.
O homenageado salientou que o fio condutor da dignidade que aflora no povo local é a crença no respeito às diferenças e que essa convivência harmoniosa entre cores e credos decorre de amadurecimento espiritual. “Ser baiano é muito mais do que o nascer dentro de determinado território é um estado de espírito manifestado na capacidade de amar, tolerar e conviver, de encontrar a medida entre lutar e ceder, trabalhar e divertir-se, crescer sem sair da infância, caminhar rumo ao futuro sem esquecer as origens”, afirmou.
Marco Aurélio ressaltou que tal tranquilidade não decorre do comodismo, sendo adquirida pelo trabalho árduo, forjada na determinação dos que de fato acreditam no próprio sonho e que não se furtariam a derramar a última gota de sangue para obter a realização dos seus ideais. “Encanta-me esse olhar calmo, sereno e sorridente que aflora dos afortunados pela paz interior, mas ao firmar os olhos percebo em cada qual um grande desejo de prosseguir, de ir mais longe, de construir uma coletividade diferente, melhor, mais inclusiva e próspera.
O magistrado se incluiu entre os que se embalam pelo idealismo e dele retiram a força para construir uma realidade transformadora. “Indignado com os acontecimentos que assolam a nação brasileira, mantenho o desejo de testemunhar o dia em que o país terá abolido obtusas mentalidades e viciadas práticas. Continuo a almejar um Brasil livre da corrupção, dos desmandos, do uso desregrado da máquina pública”, disse Marco Aurélio, completando o seu discurso afirmando que nordestino pelo sangue do pais alagoano deixa consignado o mais profundo agradecimento pela distinção ofertada pelo parlamento baiano. “Reafirma-se agora o elo pelas amarras do coração”, disse.
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