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Jorge Amado é homenageado com a mais importante honraria da AL

Publicado em: 05/12/2014 00:00
Editoria: Diário Oficial

O título post mortem foi entregue ao filho e ao neto, João Jorge e Jorge Amado Neto, respectivamente
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A Assembleia Legislativa concedeu ontem, em sessão especial, o título post mortem de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira ao escritor Jorge Amado. A honraria, entregue ao filho do homenageado, João Jorge, e a Jorge Amado Neto, foi proposta pelo deputado Álvaro Gomes (PC do B).
 Álvaro Gomes disse que homenagear o escritor “significa sonhar e acreditar nos sonhos, significa manter vivos os seus ideais, sua convicção de que nós podemos construir um mundo onde todos possam viver com dignidade”. Ele acrescentou que o autor, morto há 13 anos, representa o mundo da solidariedade “em contraposição à sociedade capitalista que busca transformar as pessoas em objetos descartáveis”.


INFLUÊNCIA


 O parlamentar lembrou da influência da literatura de Jorge Amado, que foi membro do Partido Comunista do Brasil e viveu no exílio entre 1941 e 44. “Utilizei sua obra como instrumento de luta e formação política para a construção da democracia e de uma sociedade com paz e justiça social”, contou, informando que a leitura e os debates em torno da trilogia Os Subterrâneos da Liberdade, eram recursos adotados ao longo de meses, junto a possíveis companheiros, para detectar aqueles que poderiam engrossar as fileiras do Partido Comunista.
 A feição mais humorada e sensual, quando ganhou relevo a população miscigenada e o sincretismo religioso, também foi ressaltada por Álvaro em seu discurso, que deu uma visão panorâmica sobre a vida do escritor nascido em 1912, na cidade de Itabuna. “Na minha opinião, a essência de Jorge Amado nunca se modificou”, disse, referindo-se à literatura e à militância política, mesmo após ter deixado o partido em 1955.


JUBIABÁ


 Presente à mesa dos trabalhos, o cantor Gerônimo cantou Jubiabá, música de sua autoria feita com base em livro homônimo. “Tive o prazer de conhecer Jorge Amado”, contou, lembrando que o escritor pegou em sua mão e disse: “A gente é irmão, a gente só tem uma flecha, você sabe disso”, referindo-se ao orixá Oxotocanxoxô. Em seguida, Gerônimo cantou É d'Oxum.


 João Jorge ocupou a tribuna para fazer o discurso de agradecimento. “Meu pai ensinou sempre que nunca peça homenagem, mas receba e aceite”. Para ele, a iniciativa da Assembleia Legislativa se reveste de importância porque “representa uma vida inteira de luta pela liberdade e contra opressão, pelo socialismo, contra o capitalismo”. Ele avaliou que quando jovem se dedicou ao discurso político, mas com o amadurecimento passou para o discurso do humor, “que é uma arma política muito mais poderosa do que o discurso”.


SOFRIMENTO


 João Jorge classificou o período em que o pai foi deputado como de muito sofrimento. “Era uma luta política, uma tarefa do partido que ele deveria cumprir, mas que o manteve afastado da literatura”. Por isso, Os Subterrâneos da Liberdade só começou a ser escrito no exílio, na França.
 O Partido Comunista do Brasil, segundo o orador, era muito puritano - “talvez refletindo a posição de Prestes, que era muito puritano” - e, por isso, um grupo de dirigentes do partido considerou o livro excessivamente licencioso e propôs uma série de cortes. “Meu pai resistiu aos cortes, levou o caso a Prestes, que deu a palavra final” contra a censura. Jorge Amado Neto considerou que a sessão de ontem coroou a comenda oferecida, que representa muito o pensamento do avô.





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