Dirigentes e operadores da Associação dos Trabalhadores em Call Center do Estado da Bahia (Atracall) fizeram uma série de denúncias sobre o tratamento desumano que recebem das entidades para as quais trabalham, durante a sessão ordinária da Comissão de Defesa do Consumidor e Relações de Trabalho, realizada ontem pela manhã, presidida pelo deputado João Carlos Bacelar (PTN).
Além das diversas denúncias relatadas num documento elaborado pela Atracall, os operadores apresentaram também diversas reivindicações que sensibilizaram os componentes do colegiado, obtendo, ao final da reunião, a decisão de que a a comissão vai realizar uma audiência pública para discutir e tomar as devidas providências com os órgãos competentes.
Esta audiência deverá ser realizada antes do dia 15 de dezembro, com data a ser definida pela assessoria do deputado João Carlos Bacelar, em comum acordo com os dirigentes da entidade. Existem em todo Estado cerca de 40 mil trabalhadores em call center, que, segundo os dirigentes, passam humilhações no campo profissional e têm suas atividades ameaçadas num flagrante desrespeito profissional das empresas.
ASSÉDIO
Segundo o documento, os operadores de telemarketing são a maior e a mais precarizada categoria de terceirizados do país. “Convivem permanentemente com o assédio moral, vivem de salários irrisórios e submetidos a todo tipo de maracutaias patronais”. A categoria é majoritariamente constituída de jovens de 18 a 25 anos, não tem profissão regulamentada e sofre com as demissões em massa que chegam até ao desaparecimento de empresas sem honrar o passivo trabalhista.
É cada vez maior o número dos que estão afastados por enfermidades, transtornos mentais, perda auditiva e de voz, danos ortopédicos e cistite hemorrágica, além de sofrerem com o assédio moral e violência psicológica.
REIVINDICAÇÕES
A reunião contou, além do presidente João Carlos Bacelar e dos deputados Álvaro Gomes (PC do B), Deraldo Damasceno (PSL), Paulo Câmara (PDT) e Pedro Tavares (PMDB), com os representantes da Atracall. Eles apresentaram com muito otimismo algumas das principais reivindicações da categoria, como: visita da comissão a locais de trabalho para verificar o que está sendo denunciado, inspeção nas CIPAs dessas empresas, o exame de sua legalidade e funcionamento, que se criem cadastro de empresas do setor inabilitadas a participar de licitações, concorrências e empréstimos públicos; que os órgãos de vigilância sanitária visitem as empresas para verificar a existência de vencimento de prazo de mercadorias oferecidas a título de alimentação, entre outras solicitações com urgência da categoria de operadores de Call Center.
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