A programação do 1º Seminário Estadual sobre Redes Sociais promovido pela Assembleia Legislativa da Bahia contou com quatro palestras sobre o tema, que mantiveram o auditório lotado até o fim das atividades. A primeira palestrante foi Fabíola Farage, Gerente de Comunicação em Mídias Digitais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
O título da sua apresentação foi “Planejamento Estratégico, Portal e Redes Sociais: A experiência da Assembleia Legislativa de MG”. Fabíola contou como foi a construção do novo portal do Legislativo mineiro que entrou no ar em 2010. “Ele reúne todas as informações referentes aos trabalhos da AL, as comissões, o plenário, o calendário de eventos e os contatos com os deputados”, afirmou.
Fabíola explicou que a principal diretriz para o planejamento do Portal foi procurar traduzir para o cidadão o que faz a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. “Estamos trabalhando com convergências de mídias, notícias com áudio, vídeo, fotos, no mesmo formato dos grandes portais do país”, disse Fabíola.
Além do portal, a AL(MG) também mantém facebook, twitter, outras plataformas além de um boletim de notícias, com dois mil assinantes. Para isso existe um comitê gestor que administra as ações. “Não repetimos o conteúdo do portal nas redes sociais. O que funciona no portal, não funciona no facebook. Quem trabalha no setor público tem um vocabulário próprio. As redes usam uma linguagem diferente e temos o desafio de conquistar esse público”, completou Fabíola.
ORALIDADE
O segundo palestrante da tarde foi o analista de redes sociais, Fábio Teles, que falou sobre o tema “Gestão e Monitoramento de Redes Sociais. Ele contou que as organizações e instituições políticas ainda estão começando a entender o alcance das redes sociais na sociedade contemporânea. “Estamos sendo levados para um ambiente de comunicação digital sem compreender onde estamos inseridos”, afirmou Teles.
O analista reiterou que a comunicação institucional nas redes sociais exige das organizações um planejamento do trabalho que use a oralidade como fator de aproximação com o público. “Temos que perceber até onde a perna alcança. Em uma grande estrutura como a de uma Assembleia Legislativa é necessário ter cuidado na implantação dos projetos”, afirmou Teles.
Ele disse que eventos como o seminário promovido pelo Legislativo baiano são fundamentais para a implantação do projeto. “É uma iniciativa excelente que incentiva mesmo quem não vai trabalhar diretamente com a comunicação aprende a importância dela, criando uma cultura digital”, afirmou.
RELACIONAMENTO
A terceira palestrante foi a diretora de Coordenação de Participação Popular da Câmara Federal, Simone Ravazolli. Ela disse que o novo portal do parlamento foi inaugurado em 2011 após quase um ano de discussões. “Chegamos à conclusão de que as pessoas não estavam se sentindo realmente participantes e procuramos buscar mecanismos para melhorar esse relacionamento”, afirmou.
Simone salientou que o objetivo maior é estimular o interesse da sociedade em relação aos temas dos projetos de lei em tramitação na Câmara. Uma das formas encontradas pelos gestores para atrair a atenção dessas pessoas a promoção de enquetes sobre temas que são passíveis de debate. “Quase um terço das nossas visitas são na área de enquetes. Observamos que boa parte desse público migra desse link para o de matérias informativas e de transparência. A enquete também é uma espécie de chamariz para as pessoas”, receitou.
PARTICIPAÇÃO
Já o coordenador de multimeios do STJ, Murilo Pinto, falou sobre a comunicação institucional e o discurso ideal. Murilo afirmou que a decisão de entrar ou não nas redes sociais já está tomada. “O que resta às instituições é decidir como fazer ou deixar que outros falem por elas”, afirmou, ressaltando que a comunicação pública não se confunde com a política. “A instituição tem que se colocar no nível das pessoas, tratando as pessoas como iguais sem tentar convencê-las por outros meios senão o argumento”. Murilo disse que hoje em dia a informação tem que ir até as pessoas, é necessário que ela seja produzida já prevendo seu destino. “Antes a informação era buscada, agora ela tem que chegar onde as pessoas estão”, afirmou.
Murilo explicou que a estimativa é de que 81 milhões de pessoas acessam a internet no Brasil e apenas 6% desse montante usa algum serviço público principalmente a receita federal, emissão de documentos e acompanhamento de processos judiciários. “São 94% de internautas esperando que as instituições abram suas portas para participação popular. Existe muita desinformação sobre as funções do Estado, e a população não quer assistir a um “Jornal Nacional”, porque isso ela já faz”, completou.
REDES SOCIAIS