Acadêmicos, escritores, professores, familiares e amigos de Vasconcelos Maia, falecido em julho de 1988, prestigiaram o lançamento de nova edição do livro “História da Gente Baiana”, integrante da coleção Mestres da Literatura Baiana, coeditada pela Assembleia Legislativa e Academia de Letras da Bahia. É o oitavo volume dessa coleção, um trabalho “primoroso do maior contista da Bahia”, como observou o presidente da Academia, Aramis Ribeiro Costa, prefaciador dessa nova edição. O lançamento ocorreu às 18h de ontem, no palacete Góis Calmon.
Na abertura da cerimônia Aramis Ribeiro Costa explicou o seu encantamento com o texto de Vasconcelos Maia, que remonta à sua juventude quando pretendeu se aventurar a escrever sobre a Salvador antiga, de meados do século passado, projeto que abandonou tão logo adquiriu um volume desse “História da Gente Baiana”, com capa de Carybé, lembrou, identificando ali tudo que pretendia: “Os personagens, a linguagem, a maneira de ser e a descrição daquela cidade antiga”.
ELOGIO
Abordou ainda a amizade que o uniu depois ao autor e seus familiares e a importância desse livro que reúne 15 contos, extraído de outras publicações que contém “a forma mais amorosa e terna, pois compreende essa gente, esta cidade, tornando-a linda aos olhos do leitor”. O presidente da Academia de Letras da Bahia agradeceu “o empenho e o discernimento do presidente Marcelo Nilo, mentor do programa editorial exitoso que o Legislativo realiza”.
O professor Délio Pinheiro, assessor para Assuntos de Cultura da Assembleia Legislativa, representou o deputado Marcelo Nilo neste lançamento, pois ele estava em plenário presidindo sessão de votação da Casa que entrou pela noite. De pronto, foi à gênese da coleção Mestres da Literatura Baiana, que se tornou realidade graças ao empenho do presidente da Academia: “Foi o doutor Aramis Ribeiro Costa que teve a ideia de dar personalidade ao convênio que liga as duas instituições, através de uma coleção com personalidade própria, identidade gráfica e alta qualidade dos livros selecionados – que obteve ainda periodicidade”.
Ele anunciou ainda para a primeira quinzena de dezembro o lançamento do nono volume, “O Telefone dos Mortos”, do acadêmico, professor e jornalista João Carlos Teixeira Gomes, o Joca, que está em processo de impressão. Délio Pinheiro lembrou que na gestão do presidente Clóvis Ferraz a Assembleia publicou, também de Vasconcelos Maia, “O Leque de Oxum”, enriquecido de outras narrativas de candomblé, com tratamento gráfico de primeira linha que contou com apoio de familiares de Carybé, que graciosamente emprestaram imagens para capa e interior da obra – em homenagem à amizade que uniu as duas famílias. Leitor e admirador de Vasconcelos Maia, ele “confessou” que foi inspirado pelo conto “Cação na Praia”, escreveu também um conto para o livro que lançou nos anos 90.
Coube a Claúdio Maia, filho do autor, falar em nome dos irmãos, Carlos e Paulo, da esposa Tércia, da tia, Celeste e demais familiares. Ele optou por não tratar da obra, falando do pai, amigo, companheiro, sempre presente, que apresentou aos irmãos à vida da Bahia que ele tão bem descreveu: Do folclore, das lendas de negros, das estórias de pescador, da capoeira e também integrá-los à cidade, ao Recôncavo, à gente de Salvador e a seus amigos intelectuais, artistas plásticos, feirantes, músicos, capoeiristas, cineastas, jornalistas e ao povo em geral.
Falou ainda da casa “rodeada de livros” que impediam qualquer tentativa materna de arrumar o local, e das muitas histórias que ele lia para os filhos, dos russos aos livros de aventuras – e mais ainda, das estórias que ele contava, imergindo naquelas aventuras, tornando-se o rei das selvas, o homem mais forte do mundo... Emocionado, disse que foi um privilégio ser filho de Vasconcelos Maia.
DETALHES
Esta coleção, que terá 20 , é a mais ambiciosa produção do programa editorial do Legislativo, que trouxe a lume na gestão do presidente Marcelo Nilo 149 livros. Obras fora de catálogo das editoras comerciais, como todos da coleção Mestres da Literatura Baiana, ou ainda perfis biográficos de baianos icônicos de nossa terra, da coleção “Gente da Bahia”, com 39 livros lançados. Foram publicados também coleções conjuntas com a Associação Comercial da Bahia, a “História do Comércio Baiano”, em seis volumes, e junto com o Museu Eugênio Teixeira Leal, em cinco volumes, a coleção “Histórias da Bahia”.
O livro “Histórias da Gente da Bahia” teve o projeto gráfico e edição executados pela P55 Edições, possui 255 páginas, prefácio de Aramis Ribeiro Costa e mantém o prefácio original de Jorge Amado, coligindo contos publicados nos livros “Fora da Vida”, “Contos da Bahia”, “O Cavalo e a Rosa” e “O Leque de Oxum” – bem como lista toda a obra do autor.
Carlos Vasconcelos Maia nasceu em Santa Inês, em 20 de março de 1923, e escreveu seu primeiro livro, “Fora da Vida”, em 1946. Intelectual, ocupou a cadeira 14 da Academia de Letras da Bahia, foi um dos fundadores da revista Cadernos da Bahia em 1948 e dirigiu o Departamento de turismo da prefeitura de Salvador. Faleceu em 14 de julho de 1988.
Entre outras personalidades tiveram livros autografados por Cláudio Maia os escritores e acadêmicos, Ordep Serra, Florisvaldo Matos, Eveline Hoisel, Luís Antonio Calazans, Carlos Ribeiro, João Eurico da Mata e ainda o professor Paulo Rebouças Brandão, a professora Maria Azevedo Brandão, o ex-deputado Ewerton Almeida, a professora Margarida de Souza, da Academia de Letras de Alagoinhas e o historiador e escritor, representante do comandante da PM, capitão Marins.
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