Conhecido nacionalmente por ter sido um dos maiores defensores do planejamento como ferramenta do Estado para a promoção do desenvolvimento econômico e social, o economista baiano Rômulo Almeida faria 100 anos hoje. A data foi celebrada na Assembleia Legislativa, através de uma sessão especial promovida pelo deputado estadual Álvaro Gomes (PCdoB). “Rômulo Almeida foi um intelectual fundamental para o desenvolvimento da Bahia e do Brasil, que precisa sempre ser lembrado e homenageado”, afirmou o deputado comunista.
Considerado visionário, seu trabalho foi fundamental para a construção do Polo Petroquímico de Camaçari, importantes agências e empresas estratégicas para o país, como Petrobras, Eletrobrás, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Nordeste (BNB). “Estamos aqui para homenagear Rômulo Almeida, e também dar continuidade ao seu trabalho de construir o desenvolvimento econômico do país casado com a melhoria das condições de vida da população”, afirmou Álvaro Gomes, ressaltando que está tramitando na AL um projeto de lei, de sua autoria, que renomeia o complexo de Camaçari como “Polo Industrial Rômulo Almeida”.
O presidente do Instituto Rômulo Almeida de Altos Estudos (Irae), Aristeu Almeida, irmão do homenageado, relatou fatos da vida do intelectual, a manifestação precoce da sua inteligência, o começo da sua vida intelectual e política e seus desdobramentos para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. “Dar o nome de Rômulo Almeida ao Polo Industrial de Camaçari é uma homenagem mais do que justa já que ele foi um dos seus principais idealizadores”, disse Aristeu Almeida.
HISTÓRIA
Rômulo Barreto de Almeida nasceu em Salvador no dia 18 de agosto de 1914. Em 1933, bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Bahia. Dedicou-se à economia, em 1941, e tornou-se diretor do Departamento de Geografia e Estatística do Território do Acre. Entre 1942 e 1943, foi professor substituto da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas do Rio de Janeiro. Em 1946, prestou assessoria à Comissão de Investigação Econômica e Social da Assembleia Nacional Constituinte. No período de 1948 a 1949, participou de diversas subcomissões da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos de Estudos Econômicos, também conhecida como Missão Abbink.
Por volta de 1950, atuando como economista da Confederação Nacional da Indústria, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Iniciado o segundo governo Vargas, em janeiro de 1951, no mês seguinte foi designado oficial de gabinete do Gabinete Civil da Presidência da República. Ao mesmo tempo foi incumbido por Vargas de organizar a Assessoria Econômica da Presidência da República.
Ainda em 1951, tornou-se membro do conselho consultivo da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), posto que manteria até 1966. A partir de 1953, Rômulo Almeida tornou-se consultor econômico da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc). Ainda no segundo semestre desse ano assumiu a presidência do Banco do Nordeste do Brasil. Com o suicídio de Vargas, em 1954, demitiu-se de seu cargo, já com a intenção de concorrer a uma cadeira na Câmara Federal.
DEPUTADO
No pleito de outubro de 1954 elegeu-se deputado federal pela Bahia na legenda do PTB. Iniciou o mandato em fevereiro do ano seguinte, tornando-se vice-líder do PTB em março. Em abril, porém, deixou a Câmara para assumir a Secretaria da Fazenda baiana. Ainda em 1955, criou e presidiu na Bahia a primeira Comissão de Planejamento Econômico do estado. Em 1957, criou e presidiu o Fundo de Desenvolvimento Agroindustrial da Bahia e foi nomeado vice-presidente da Rede Ferroviária Federal. Reassumiu seu mandato na Câmara em julho desse mesmo ano, exercendo-o até dezembro.
No período de 1957 a 1959 reorganizou o Instituto de Economia e Finanças da Bahia e nesse último ano, já durante o governo de Juraci Magalhães, foi secretário para Assuntos do Nordeste em seu estado. Representou também a Bahia na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e nomeado posteriormente secretário de Economia, elaborou o projeto da Companhia de Energia Elétrica da Bahia (Coelba).
Rômulo Almeida foi professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade da Bahia, da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica, do Curso de Planejamento do Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp) e da Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas (Ebap-FGV). Foi diretor da Fundação Casa Popular, da Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, da Empreendimentos Bahia S.A. e da Elétrico-Siderúrgica Bahia S.A., além de presidir a Consultoria de Planejamento Clan S.A.. Também foi membro do conselho diretor do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam).
BNDES
Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, vinculou-se à corrente trabalhista liderada por Leonel Brizola. Quando este perdeu a sigla do PTB para Ivete Vargas filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Presidente de honra do PMDB baiano, em 1985, após ser cogitado para a presidência da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi nomeado, no início do governo Sarney, diretor de planejamento da área industrial do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Permaneceu nesse cargo até a sua morte, ocorrida em Belo Horizonte em novembro de 1988. Participaram da homenagem o ex-governador Waldir Pires, o ex-prefeito de Salvador Manoel Castro, representantes do governo estadual e intelectuais.
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