MÍDIA CENTER

Assembleia concede Título de de Cidadão a Fernando Caprini

Publicado em: 06/08/2014 00:00
Editoria: Diário Oficial

Homenageado recebeu a comenda das mãos de Maria del Carmen, proponente da sessão especial
Foto:

 O padre Fernando Caprini recebeu ontem o Titulo de Cidadão Baiano, a partir de uma iniciativa da deputada Marial del Carmem (PT), que, depois de “conhecer a qualidade do trabalho e a dedicação” de Caprini à luta pelos direitos, em especial da população negra e pobre, decidiu torná-lo oficialmente baiano. Fernando Caprini é italiano e ativista há 35 anos, quando, ainda em Nápoles e  recém-ordenado sacerdote, reorganizou o GIM (Jovens Empenho Missionário), para que a Igreja assumisse os grandes desafios em favor da Justiça e da Vida. Em 1982 organizou a primeira grande marcha contra a Máfia na Itália.
A preocupação do religioso “em auxiliar na transformação da sociedade” foi outro aspecto que levou a petista a propor a concessão do título, lembrando que há três décadas Caprini atua em defesa “dos mais agredidos, dos menos assistidos” do Nordeste brasileiro. Atualmente o padre está engajado na alteração do Código Nacional do Trânsito, para que tipifique como crime as mortes provocadas por motoristas sob efeito de qualquer substância entorpecente.
EDUCAÇÃO
Caprini obteve vitória junto a Câmara Municipal que tem projeto de lei neste sentido. Na Assembleia Legislativa ele conta com apoio da deputada Maria del Carmem, ela própria vitima recente de acidente em estrada, provocado por motorista que trafegava às escuras e na contramão. A parlamentar apresentará projeto de lei ao Legislativo Estadual criminalizando acidentes provocados por motoristas em situação alterada de consciência.
Receber o Título de Cidadão Baiano deixou Caprini “satisfeito”, por ser um reconhecimento à luta pelos direitos humanos dos menos favorecidos. “Mais do que merecido”, opinou a presidente do Capdever, Roberjane Nascimento. Em seu discurso, ele lembrou que ser baiano é desejo de muitos, como Carybé, Zélia Gattai, Pierre Verger e diversos outros religiosos que citou como  desejosos de obter o que ele recebeu ontem da Assembleia Legislativa : a oficialização de que, agora, é baiano mesmo.
Ele não se arrepende de nada, a não ser de ter chegado aqui “com 34 anos. Se pudesse teria chegado aos 29” disse, garantindo que todas as dificuldades que enfrentou valeram à pena e que começaria tudo outra vez. Depois de tantos anos trabalhando em favor da mesma causa, Caprini aponta o caminho da solução: educação. Ele defende com convicção a educação em tempo integral para crianças e jovens, o que seria capaz de reduzir sensivelmente as causas mortis de muitos deles: o tráfico de drogas, a violência, o trânsito.
Fernando Caprini está em Salvador há 14 anos e aqui fundou o Centro de Pastoral Afro Pe. Heitor, que busca o diálogo entre a Igreja e o Candomblé, como também o resgate da cultura afro dentro da igreja. Participou da Coordenação do CAAPA (Centro Arquidiocesano de Pastoral Afro) e é tesoureiro do Capdever Mutumbá Motumbaxé, Centro Afro de Promoção e Defesa da Vida, que cuida de 391 mil crianças e adolescentes oferecendo atividades como complementação escolar, aulas de capoeira, percussão e dança afro e, ainda, formação humana, com palestras sobre assuntos contemporâneos que afetam a juventude. Amanhã o Capdever realiza seu 1º CDL – Curso Dinâmico para Líderes Jovens. O Centro  é financiado pelo Ágata Esmeralda, entidade não governamental italiana,  pelo Conexão Vida e, a partir deste ano, também pela Petrobras.
AGRADECIMENTOS
Nascido no porão da casa onde sua mãe era empregada doméstica, em baixo do quarto onde Napoleão dirigiu a batalha que o fez conquistar o norte de Itália, em Rivoli Veronese, pequeno município da província de Verona em 2 de maio de 1950, aos 15 anos Fernando Caprini entrou para o Seminário dos Frades Menores Conventuais. Sete anos mais tarde entrou  para a Congregação Missionária dos Combonianos, a mais aberta e comprometida na Igreja Católica com os problemas dos mais pobres.
Em 1984 vem para o Brasil. No Piauí e Maranhão atuou em várias pastorais como Catequese e Juventude, Pastoral da Criança, Pastoral da Terra. Entre 1993-98 fez uma experiência pastoral em uma favela de Fortaleza e participou ativamente da luta em favor da vida e contra o extermínio da juventude nas favelas. Colabora ativamente com o Centro de Saúde Mental Martin Baró. Em Salvador tem por missão “evangelizar promovendo e defendendo a vida desde a concepção até a morte natural, especialmente dos afro-descendentes”. 
Padre, psicólogo e mestre em desenvolvimento humano e responsabilidade social, ele relatou, na web, a experiência que vive no Brasil desde sua  chegada  “inesquecível”. “Sai de Roma no frio do inverno e cheguei ao Rio de Janeiro no calor do verão e do carnaval tropical (dia 4 de março de 1984, domingo de carnaval)”. Ele agradece a Deus “pelas testemunhas, incontáveis, que me mostraram muitos traços de Você, Senhor e Testemunha da Vida abundante, eterna, essencial, generosa e alegre....Obrigado pelas crianças, que apesar de traumas inimagináveis e inomináveis, frutos de violências sociais, domesticas, culturais, renascem também graças a nossa ajuda e sorriem à vida e nos fazem sorrir até de nossos problemas”.
O padre pede ao “Senhor que nossas mãos cansadas e o nosso corpo cansado não deixem que também o nosso coração se canse e que nos faça esquecer nossas crianças, pois somos eternamente responsáveis delas” E termina clamando a Deus que renove e alegre “cada dia a nossa juventude, o nosso amor, a nossa vontade e a nossa alegria de viver, de fazer o bem, pois no paraíso com certeza nos espera uma eterna festa, um eterno carnaval”.



Compartilhar: