A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa, em sua forma itinerante, visitou ontem o município de Barreiras, no Oeste da Bahia, maior região agrícola do Nordeste, nacionalmente reconhecida pela força de seu agronegócio, onde realizou uma audiência pública, na Câmara de Vereadores. O resultado encontrado foi parecido com o das outras seis cidades já visitadas pela caravana: ligações que caem o tempo todo, quando conseguem ser completadas, créditos descontados indevidamente e total falta de cobertura na zona rural. A internet, oferecida pela OI, por diversas vezes passa semanas sem sinal.
A caravana da CPI em Barreiras foi capitaneada pelo presidente do colegiado, deputado Paulo Azi (DEM), o membro titular, Cacá Leão (PP) e a deputada estadual representante da região no parlamento baiano Kelly Magalhães (PC do B), além do assessor do Procon José Carlos Sacramento. A audiência pública foi aberta pelo presidente da Câmara Municipal do município, Carlos Tito, e contou com a presença da maioria dos vereadores e lideranças comunitárias.
Paulo Azi explicou que a CPI resolveu visitar as diversas regiões da Bahia para ouvir das lideranças comunitárias e população os reais problemas enfrentados em relação à telefonia e ressaltou que a Região Oeste, como um dos principais pólos econômicos do estado, não poderia deixar de fazer parte da investigação parlamentar. “Estamos realizando um trabalho sério, não estamos interessados em perseguir ninguém, mas essa CPI não acabará em pizza. No fim dos trabalhos iremos dar respostas efetivas a população, que fica a beira de um ataque de nervos com essa situação”.
O deputado Cacá Leão reiterou a seriedade dos trabalhos da CPI, dizendo que o colegiado trabalha diuturnamente na busca de respostas que apontem soluções para o grave problema da telefonia em todo o estado, principalmente na zona rural. “Estava no último fim de semana no município de Barra e durante todo o período não houve sinal, de nenhuma operadora”, contou o deputado, salientando que os municípios do Oeste têm grandes dimensões com zonas rurais sem nenhuma cobertura.
Já a deputada Kelly Magalhães agradeceu a comissão pela visita a Barreiras e lembrou que a falta de qualidade dos serviços de telefonia está sendo debatida nas assembleias legislativas de todo Brasil e que a CPI na Bahia é suprapartidária, contou com o apoio de todos os deputados da Casa, e que está recolhendo informações que serão preciosas na confecção do relatório final. “O serviço é uma concessão pública e as operadoras precisam, com urgência, melhorar os seus serviços. Estamos trabalhando com afinco para que a população tenha respostas para esse problema”, disse
O diretor de Relações Institucionais da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia, que congrega boa parte dos produtores do Oeste, Ivanir Maia, afirmou que é difícil dimensionar as perdas de produtividade do setor pela defasagem tecnológica que enfrentam, tanto na telefonia celular quanto no tráfego de dados. “Um serviço de internet que em Salvador custa cerca de R$ 50, na fazenda, com equipamentos que funcionam via satélite não custa menos que R$ 2 mil. E mesmo assim funcionam de forma precária”, contou.
Ele disse que a situação é crítica, já que o negócio necessita de comunicação em tempo real, tanto entre as fazendas, quanto entre as fazendas e escritórios, que nem sempre estão na Bahia. “Hoje o agronegócio é formado por grandes grupos. Mesmo o Oeste da Bahia tendo as melhores condições climáticas e de solo para produção em grande escala a falta de tecnologia inibe investimentos que podem ir para regiões do país melhor preparadas”, disse.
Participaram da audiência pública os representantes da OI, José Aílton de Lira, Tim, Luiz Cláudio Fortes, Claro, Maurício Ramalho e Vivo, Sirlene Duarte e o vice-prefeito Paé.
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