MÍDIA CENTER

Colegiado de Saúde debate os benefícios da equoterapia

Publicado em: 11/06/2014 00:00
Editoria: Diário Oficial

Arimatéia disse que evento foi oportunidade de levar aos baianos conhecimento sobre prática terapêutica
Foto:

A equoterapia - método terapêutico que utiliza o cavalo em ações integradas nas áreas de saúde, educação e equitação  - foi tema de audiência pública realizada ontem pela Comissão de Saúde e Saneamento, presidida pelo deputado José de Arimatéia. O método é voltado a pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais e vem alcançando grande sucesso em quase todas as deficiências, como, por exemplo, com portadores da Síndrome de Down, paralisia cerebral, autismo. Ao utilizar o cavalo, a equoterapia “exige a participação do corpo inteiro, contribuindo, assim, para o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio”, o que resulta em ganhos significativos para a saúde física e mental dos praticantes, informa a vice-presidente da Associação Nacional de Equoterapia – Ande Brasil, Vera Horne.
Atualmente, há uma população estimada em 30 mil praticantes desta terapia, distribuídos nos 280 centros existentes em todo o país. Os benefícios, continua Horne, são para a saúde global do praticante, notadamente nas áreas cognitiva, psicológica e social. “A interação com o cavalo, incluindo os primeiros contatos, os cuidados preliminares, o ato de montar e o manuseio final desenvolvem novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima”, explica a Ande. Vera Horne chama a atenção, também, para o alto custo de um tratamento desta natureza, que envolve a escolha e manutenção dos animais e existência de uma equipe multidisciplinar permanente. Ainda assim, a grande maioria dos praticantes tem, hoje, gratuidade no tratamento. Mas para isso a Ande Brasil precisa de mantenedores.

APOIO

Em Salvador a Associação conta com o apoio da Petrobras. “O alcance do nosso projeto só foi possível graças ao patrocínio” da empresa, informa Cristina Guimarães, psicomotrocista e presidente da Ande Bahia. Segundo ela, são atendidas hoje 300 pessoas e há uma lista de espera de outras 680. A terapia tem duração média de 2,5 anos. Para se inscrever, basta o pretendente procurar a Associação de Equoterapia e realizar o cadastro. Ele será encaminhado à avaliação de uma equipe multidisciplinar que a Ande mantém e caso haja indicação para o tratamento ele passa a compor a lista de espera.
Aqui a Associação conta também, além da Petrobras, com a parceria da Polícia Militar  - as sessões da terapia são realizadas na cavalaria da PM, responsável pela manutenção, escolha e treinamentos dos animais. Cristina Guimarães faz coro com Vera Horne sobre os benefícios que a equoterapia vem produzindo, lembrando que a assistência não se resume ao praticante, mas se estende à família dos beneficiários. “ Há ganhos em diversas áreas, como em relação à autoestima, equilíbrio, concentração e aprendizagem”, informa Guimarães.
Segundo o presidente da Comissão de Saúde, deputado José de Arimateia (PR), a audiência de ontem foi mais uma oportunidade promovida pelo colegiado para levar ao “conhecimento dos baianos” esta prática terapêutica que “já é uma realidade em países como Alemanha, França, México”. No Brasil a equoterapia já foi reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina desde 1997 e pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, mas ainda não é regulamentada.
Há, entretanto, projeto de lei tramitando na Câmara Federal que regulamenta e reconhece a equoterapia como prática terapêutica. Além disso a Ande Brasil criou um grupo de trabalho em parceria com universidades brasileiras para a realização de pesquisas que comprovem cientificamente os benefícios desta técnica. O trabalho será encaminhado ao Ministério da Saúde como embasamento para a regulamentação da atividade. Quando isso acontecer, acredita Horne, a equoterapia dará um salto quantitativo grande, ficando disponível para maior número de brasileiros ao poder ser inserida no rol de terapias de saúde atendidas pelo SUS. 



Compartilhar: