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Importância do povo Bantu é tema de audiência pública na AL

Publicado em: 11/06/2014 00:00
Editoria: Diário Oficial

O evento, que faz parte das comemorações do Dia da África, foi proposto por Bira Corôa
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A influência e a importância do povo Bantu na formação social, econômica e cultural da população brasileira, especialmente a baiana, foi o tema debatido na audiência pública ocorrida na manhã de ontem, no auditório do Edifício Jutahy Magalhães, proposta pelo deputado Bira Corôa (PT). O evento fez parte das comemorações do Dia da África e foi prestigiado por muitos representantes de entidades ligadas ao movimento negro, adeptos de religiões de matriz africana e autoridades.
Para saudar os presentes na abertura da sessão, o grupo Escola de Capoeira Angola, sob a regência do Mestre de Capoeira e Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do México, Curió, apresentou cânticos ao som de berimbaus. “Quando se falar em matriz africana, tem que se falar de capoeira de angola. Porque estas nasceram juntas”, afirmou Mestre Curió, que defendeu a necessidade de resgatar a origem da luta como expressão cultural de um povo e não exaltá-la apenas pela ótica comercial como tem ocorrido. Também o deputado Bira Corôa entende que é necessário trabalhar a originalidade de toda a herança trazida pela cultura africana para a atual sociedade brasileira e baiana. “A nossa identidade tem sido preservada a partir de dois pilares: o candomblé e a capoeira”, sintetizou o parlamentar. Ele ratifica que é fundamental manter viva a tradição do exercício dessas expressões, bem como, resgatar a sua história, conferindo à civilização Bantu, primeiro povo que chegou às terras brasileiras, as deferências que lhes são devidas.
Na visão da professora Yeda Pessoa, do Núcleo de Estudos da Uneb, a afirmação e exaltação positiva da cultura brasileira como oriunda e profundamente formada a partir da cultura africana, ainda que sofra influência de outras culturas, só será efetivada a partir do momento em que o preconceito for desmistificado desde a linguagem. “Não foram trazidos escravos para o Brasil. Foram negros que foram trazidos para o Brasil e, aqui, escravizados. Porque se falamos o inverso, parece que os africanos eram escravos”, alertou ela, ressaltando que todos tem a responsabilidade de corrigir esse erro.  
O líder do governo, deputado Zé Neto (PT), destacou que muito tem sido feito na tentativa de corrigir erros seculares cometidos contra o povo negro. “A aprovação nesta Casa do Estatuto da Igualdade e do Combate à Intolerância Religiosa foi um passo importante. Sabemos que tem muito ainda a ser feito e somos parceiros na busca de mais conquistas”, disse.

MESA

Ao lado do proponente da audiência e presidente da Comissão da Igualdade Racial da Casa, deputado Bira Corôa (PT), também estiveram presentes à mesa as seguintes personalidades: o secretário estadual de Promoção da Igualdade Racial, Ataíde Lima; a professora Yeda Pessoa, do Núcleo de Estudos da Uneb; professor Camilo Afonso, diretor da Casa de Angola na Bahia; Tata Lubitu Konmannajy, da Acbantu; Tata Eurico Alcântara, presidente do Conselho Municipal das Comunidades Negras; Tata Muxiki Rôxi Alê Marcelo Santos, da Federação Nacional do Culto Brasileiro. E, também, o mestre de capoeira de Angola, Curió; Ailton Ferreira, da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos; o professor Muleka Ditoka Kalenga e a professora Mwewa Lumbwe, da República Democrática do Congo.   



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