A situação das mulheres com transtorno mental na Bahia foi discutida na audiência pública realizada pela Comissão de Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa, ontem pela manhã. Proposta pela deputada Maria del Carmem (PT), o evento contou com a presença de mulheres usuárias dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) do município de Salvador, militantes e representantes de movimentos em prol da mulher, parlamentares e gestores públicos.
À Mesa, além da presidente do colegiado deputada Neusa Cadore (PT) e da proponente do debate, deputada Maria del Carmem (PT), estavam Alice Bitencourt, da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM); Liana Figueiredo, da área técnica de saúde mental da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab); Tereza Costa, da coordenação municipal de Saúde Mental de Salvador; Tânia Nogueira, das Voluntárias Sociais; Girlene Almeida, do Grupo Papo de Mulher e Tânia Lima, liderança comunitária do Uruguai.
De acordo com dados estatísticos aferidos pela Sesab, a maioria das pessoas que apresentam algum transtorno mental, na Bahia, estão na faixa etária dos 30 aos 60 anos e, em sua grande maioria, são mulheres. Esta evidência do gênero feminino nos casos de transtornos mentais, aliada a um comum depoimento de abusos sexuais sofridos e demais tipos de violência, faz com que as usuárias dos serviços de saúde mental solicitem o desenvolvimento de ações conjuntas entre as secretarias. “A Saúde sozinha não dá conta. Tem que existir ações intersetoriais e com a participação da sociedade”, frisou Liana Figueiredo. E esta vontade de participar e fomentar o processo de construção de políticas afirmativas para a mulher em sofrimento mental foi ressaltado por Ana Auridina: “Não queremos mais estar à parte da sociedade que legitima os crimes contra nós mulheres”, disse.
Na visão de Girlene Almeida, é necessário uma parceria entre a Sesab e a SPM para a criação de projetos que viabilizem a autonomia financeira dessas mulheres. “Tenho capacitação, mas como sou maluca não consigo emprego”, depôs ela, ressaltando que esta é a realidade da maioria. Além de ocupar Grupos de Trabalho já existentes que tratam da questão da violência e situação dos usuários dos serviços de saúde mental, outro encaminhamento sugerido, voltado especificamente à questão do empoderamento e independência financeira destas mulheres, foi a criação de um projeto pelas associações para participar do Edital aberto pelo Ministério da Saúde que disponibiliza recurso para economia solidária. Para a deputada Neusa Cadore, é importante ir em busca dos programas já disponibilizados pelo governo e consolidá-los. Também Maria del Carmem incentiva a inserção nestes programas e uma rediscussão da política estadual de transtorno mental, na qual a participação dessas mulheres seja melhor efetivada. “Hoje, é o início de um debate para podermos mudar essa realidade”, disse Maria.
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