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Falecimento de Ivan de Carvalho consterna deputado Reinaldo Braga

Publicado em: 12/05/2014 00:00
Editoria: Diário Oficial

Parlamentar do Partido da República fez um relato minucioso da trajetória do jornalista
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Consternou ao deputado Reinaldo Braga (PR), decano da Assembleia Legislativa, o falecimento do jornalista Ivan Lemos de Carvalho, aos 69 anos. O parlamentar manifestou o seu pesar através de moção protocolada na Secretaria Geral da Mesa. Para o deputado,  trata-se de uma perda que extrapola o núcleo familiar, dona Célia, os filhos Taís e João Daniel, netos, irmãos, amigos e colegas, atingindo a todos os baianos interessados no progresso com justiça social da nossa terra e da nossa gente.
Solidário com a dor dos familiares e de todos que tiveram o privilégio de conviver com Ivan de Carvalho, observou que está rezando por sua alma imortal, pois era ele um crente, mas também rogando para Deus confortar a todos, preservando na memória de seus entes queridos as boas lembranças deixadas pelo marido atencioso, pai amoroso e avô dedicado que ele foi. “Profissional de escol, bom irmão, homem fraterno, amigo dos amigos, foi um dos notáveis de sua geração”, acrescentou.


O INÍCIO


O deputado Reinaldo Braga conheceu o jornalista Ivan de Carvalho nos idos de 1983, quando exerceu o primeiro dos seus oito mandatos consecutivos como deputado estadual e logo foi conquistado por sua aguda inteligência, texto elegante e claro, fidelidade absoluta às suas fontes e à opinião alheia – ainda que não coincidente todo o tempo com a dele próprio. A convivência quase diária só aprofundou essas impressões iniciais e ampliou a admiração, pois juntou-se a isso a certeza da correção pessoal, da modéstia, da postura quase monástica de um jornalista que foi cortejado por governadores e poderosos, nunca se rendendo a sinecuras ou a qualquer sugestão que deslustrasse sua moral.
O deputado do PR lembra que escutou falar de Ivan de Carvalho antes mesmo de ingressar na Assembleia, pois fora vereador e prefeito (por seis anos) de Xique-Xique como integrante do grupo político liderado pelo saudoso senador Luís Viana Filho, que conversava amiúde com ele, como faziam todas os políticos de projeção na Bahia nos últimos 40 anos, entre outros: os senadores Lomanto Júnior, Josaphat Marinho, Waldeck Ornellas, os governadores Antônio Carlos Magalhães, João Durval, Waldir Pires, Paulo Souto, César Borges e Jaques Wagner – no bojo da trajetória política de cada um, como também aconteceu com prefeitos da capital e das principais cidades da Bahia, além de ministros, deputados federais, secretários de Estado e, especialmente, os deputados estaduais, pois frequentou a Assembleia nos últimos 40 anos.
Ivan de Carvalho adorava a política, continuou Reinaldo Braga na sua moção pesar, “paixão que nos unia, pois é também a que me move”, o que o colocava além do texto elegante, da postura de homem educado, do observador sagaz e plural, que era suas marcas registradas, pois ele também entendia a política como um instrumento transformador da sociedade – uma das mais nobres atividades humanas. “Divergíamos, algumas vezes e era difícil vencê-lo nessas ocasiões, porque ele não era um diletante”. Era lido, culto e embasava sempre com solidez suas opiniões que nunca emitia por impulso, no calor de uma discussão, mesmo porque era impossível a alguém discutir com Ivan de Carvalho por sua forma lhana  no trato, acrescentou. Ele sempre refletia bastante antes de opinar e escrever, outra marca registrada, e às vezes em conversas, aconselhava, completou.
Para Reinaldo Braga, a capacidade do colunista de analisar as conjunturas nacional e baiana beirava a clarividência, aliás, sortilégio em que acreditava com fervor, como também na existência dos OVNIs (e em suas visitas frequentes à terra). Também acreditava com fervor no que está escrito na Bíblia (da qual era estudioso), em Jesus Cristo e no fim do mundo, no apocalipse bíblico – a esse respeito flertava com bom humor na necessidade “urgente” de comprar uma casa num ponto alto da Chapada Diamantina, onde as chances de sobrevivências a grandes terremotos e enchentes seriam melhores que no litoral. “Esta vertente de personalidade multifacetada de Ivan de Carvalho, insistiu o deputado em sua moção, não era por diletantismo. Era uma questão de fé, alicerçado sobre enciclopédico conhecimento esotérico e meditações profundas”, prosseguiu.
Na moção de pesar que apresentou ao parlamento estadual, o deputado do Partido da República também traçou um breve perfil biográfico do amigo agora desaparecido, que ingressou na Faculdade de Direito da Ufba em plena agitação política de 1964, colando grau às vésperas da edição do AI-5, em 1968, época em que os estudantes brasileiros eram a vanguarda na defesa das liberdades democráticas. Desde jovem Ivan de Carvalho nunca se deixou seduzir por totalitarismos, até daqueles com roupagem esquerdista, pois estudara os bastidores e os males do stalinismo – sendo um liberal por toda a vida.
PERFIL
Jovem, ingressou como estagiário na Tribuna da Bahia, em sua fundação em 1969, trabalhando como repórter, editor da coluna Raio Laser, editor de Política e colunista durante mais de 40 anos. Nunca foi buscar o diploma de advogado e só tirou carteira de motorista nesse terceiro milênio com a intensificação das blitz em Salvador, embora dirigisse desde os anos 60 sem qualquer incômodo. Por curto período foi secretário de Comunicação Social da prefeitura de Salvador na gestão de seu amigo, o também saudoso Fernando Wilson de Magalhães, e recusou convite para presidir o Instituto de Radiodifusão da Bahia, Irdeb, quando da implantação da TVE em 1985, para prosseguir analisando a política de sua trincheira na página 2 da Tribuna.
Em sua trajetória chegou a se afastar por cerca de três anos desse jornal para dirigir a sucursal baiana do Jornal do Brasil, mas sequer chegou a dar baixa na carteira profissional, só se dando conta desse fato ao pedir demissão do JB para retornar à Tribuna da Bahia. Na opinião do deputado Reinaldo Braga, Ivan de Carvalho integrou uma plêiade de profissionais de imprensa em tempo integral, loucos por informação – com presença, maior ou menor no cotidiano da Assembleia – que tinha, entre outros, Samuel Celestino, Levi Vasconcelos, Paixão Barbosa, Newton Sobral, Demóstenes Teixeira, Raimundo Machado, José Carlos Prata, Armando Lobracci, Fernando Escariz, Edson Alves e Orlando Garcia. Brilhou nessa constelação e ainda orientou gerações de jovens repórteres de política.
O parlamentar solicitou que o conteúdo da sua moção de pesar fosse levado ao conhecimento da esposa do falecido, Célia, seus filhos, Tais e João Daniel, seus irmãos César e Taciano, a seus netos e demais familiares, além da Associação Bahiana de Imprensa, através de seu presidente Walter Pinheiro, e ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia, igualmente através da sua presidente, jornalista Marjorie Moura. E também ao jornal Tribuna da Bahia, a todo o seu corpo funcional, nas pessoas de seus dirigentes Walter Pinheiro e Paulo Roberto Sampaio.



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