O Samba Junino foi homenageado, na Assembleia Legislativa, em uma sessão especial que ocorreu na manhã de ontem, no plenário da Casa. Proposta pela deputada Luiza Maia (PT), a solenidade reuniu diversas associações e grupos organizados de samba, compositores, artistas e autoridades que, além de brindar a existência do Samba Junino como manifestação popular legítima, enalteceram a necessidade de resgatar, manter e preservar a cultura do samba de roda.
O presidente do Grupo Recreativo Só Samba de Roda, Lobo Mau, aproveitou a oportunidade para, em seu discurso, solicitar o reconhecimento dos governos estadual e municipal da importância da manifestação do Samba Junino na comunidade, a sua função como gerador de entretenimento, lazer e renda, e até mesmo no combate à violência. “Num país onde a violência cresce, existe a necessidade de mudar a metodologia da segurança pública e uma das formas é estimular a cultura”, declarou o vereador da cidade de Salvador, Moisés Rocha. O vereador que se define como um “apreciador e participador do samba junino”, destaca que na Bahia, especialmente em Salvador, o samba sofreu experimentações que acabaram por reinventar o próprio samba. E, assim, surgiu o Samba Junino, uma manifestação popular itinerante ocorrida nas comunidades da periferia soteropolitana que alguns afirmam ser anterior à apreciação do ritmo forró nas comemorações das festas juninas.
Para o coordenador de cultura do DCE da Ufba, Kaike Oliveira, é fundamental dar notoriedade a este patrimônio imaterial tipicamente da cidade de Salvador. Ele afirma que existe o interesse da universidade em adentrar nestes bairros para externar a toda sociedade a importância dessas manifestações que não fazem parte do circuito comercial. Afinal, é preciso também enaltecer a origem de muitos músicos que hoje se destacam no cenário comercial, mas suas raízes são oriundas do samba de rua.
A necessidade de união entre os diversos grupos de samba e associações para o fortalecimento do movimento foi reforçada por quase todos que fizeram uso da palavra. “Já me coloco como uma militante dessa causa”, declarou Luiza Maia, que rememorou a aprovação da Lei Anti-Baixaria como um avanço no combate ao consumo e propagação de músicas e danças estritamente comerciais e contrárias aos valores defendidos pelo Estado, ao passo que abre espaço para manifestações populares e difusoras da genuína cultura baiana.
HOMENAGEADOS
Foram homenageados com o recebimento de uma placa condecorativa pela contribuição dada ao samba junino, os grupos: Gera Samba; Arte Negro; Samba Elite; Boqueirão e Grupo Recreativo Só Samba de Roda; além do vereador Moisés Rocha; do cineasta, Pola Ribeiro; e dos sambistas Jorjão Bafafé; Jorje Junino e Reinaldo, cantor do Terra Samba.
Ao lado da deputada Luiza Maia (PT), estiveram presentes à mesa o presidente do Grupo Recreativo Só Samba de Roda, Lobo Mau; a diretora da Associação Cultural Calhandra, Livia Ferreira; o coordenador de cultura do DCE da Ufba, Kaike Oliveira; o compositor e cantor, Jorginho Comancheiro; o cantor Reinaldo do Terra Samba e o cineasta, Pola Ribeiro. Também prestigiaram o evento a secretária da Mulher, Vera Lúcia Barbosa; e os deputados Rosemberg Pinto (PT); Bira Corôa (PT); Alan Sanches (PSD); Adolfo Viana (PSDB) e Maria Luiza (PSC).
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