A Assembleia Legislativa sediou, na manhã da última sexta-feira, dia 25, uma sessão especial em alusão aos 42 anos da Guerrilha do Araguaia e 50 anos do Golpe Militar de 1964. A iniciativa, proposta pelo deputado Álvaro Gomes (PC do B), celebrou a luta dos guerrilheiros que pretendiam derrubar o regime militar e instalar um governo igualitário. "A Assembleia Legislativa não poderia deixar de celebrar os 42 anos da Guerrilha do Araguaia e protestar para que não mais aconteça as atrocidades praticadas pela Ditadura Militar implantada em 64 no nosso pais, buscando a verdade omitida durante décadas para manter a opressão do nosso povo", destacou Álvaro.
Em seu discurso, o parlamentar lembrou que a Guerrilha do Araguaia foi um dos principais acontecimentos da história do Brasil, censurada pelos militares da época que tinha como objetivo esconder a realidade, impedindo que a população soubesse do que estava acontecendo. "Não adiantou, hoje a Guerrilha do Araguaia faz parte da história de nosso país e várias publicações se espalham no Brasil e mundo afora", observou Álvaro Gomes.
O deputado comunista ainda resgatou o início dos combates, em abril de 1972, e o aparato militar utilizado pela ditadura com mais de 12 mil homens do exército, marinha, aeronáutica e agregados, equivalente ao número de soldados brasileiros que combateram na 2ª Guerra Mundial. "Todo esse aparato para enfrentar um grupo de 68 guerrilheiros e alguns camponeses que se juntaram as forças revolucionárias. O resultado disso foram guerrilheiros executados, com corpos mutilados e jogados em locais desconhecidos. A selvageria atingiu também a população local, que sofreu diariamente a violência dos ditadores", lembrou Álvaro.
A construção do processo democrático no Brasil foi destacada pelo ex-governador da Bahia e vereador de Salvador, Waldir Pires. “A luta para construirmos a democracia é um desafio permanente, é a luta da convivência do ser humano e da sua inclusão com dignidade. O nosso país precisa ser fonte e vanguarda nesse processo”, afirmou.
O evento contou com a presença de Micheas Gomes de Almeida, conhecido como Zezinho do Araguaia. Na oportunidade, o ex-guerrilheiro relatou os momentos vividos na região amazônica brasileira, ao longo do rio Araguaia, e foi homenageado com uma placa em reconhecimento à sua luta em defesa da justiça. "Fui apenas um contribuidor para a abertura democrática que vivemos hoje. O meu cotidiano na guerrilha era levar remédios, suprimentos e munições para os companheiros. Atualmente, o meu dever não é só de resgatar essa história, mas continuar a luta por liberdade e respeito", ressaltou.
Nascido em Belém, no Pará, em 1934, Zezinho do Araguaia é filho de camponeses e filiou-se ao Partido Comunista do Brasil nos anos 60. Foi enviado ao Araguaia para ajudar a preparação de guerrilha rural, idealizada pelo partido como forma de combater a ditadura militar. Zezinho foi o guerrilheiro que mais se adaptou à selva, servindo constantemente de guia e principal mensageiro da guerrilha. Por ter o porte físico dos caboclos da região, não levantava suspeita e assim era sempre escalado para entrar e sair da mata, transportando integrantes para fora e para dentro da área ocupada pelo PC do B.
MESA
Compuseram a mesa da solenidade o presidente da Comissão da Verdade da AL, deputado Marcelino Galo (PT); o deputado federal Daniel Almeida (PC do B/BA); o presidente estadual da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Aurino Pedreira; o diretor do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz, Antônio Barreto; o presidente estadual da União da Juventude Socialista (UJV), Vladimir Meira; além de Diva Santana, representante do Grupo Tortura Nunca Mais; Carlos Valadares, representante do Comitê estadual do PC do B; Osvaldo Bertolino, membro da Fundação Maurício Grabois; e Joviniano Neto, do Comitê Baiano pela Verdade.
A GUERRILHA
A Guerrilha do Araguaia foi um agrupamento de militantes contrários à ditadura militar, que acreditavam que a revolução socialista só teria sucesso se acontecesse primeiro no interior rural do Brasil. Os militantes, na maioria membros do PC do B, escolheram a região no sul do Pará, nas divisas entre o Maranhão e Tocantins. A área, de aproximadamente 7.000 km², foi palco de treinamentos e ações dos militantes.
A partir de 1967, os primeiros combatentes começaram a chegar à área, vindos do Sul, Sudeste e do Maranhão, onde já haviam se instalado. Entre 1972 e 1975, a Guerrilha do Araguaia foi alvo de uma grande ação do exército, que queriam reprimir e acabar com o movimento. Durante as ações militares, os agentes de repressão da ditadura teriam cometido graves violações aos direitos humanos, como prisões ilegais e execuções de guerrilheiros e moradores locais, condenados como “colaboradores”. Os militares são acusados de sessões de tortura, como estupros e mutilações, além desaparecimento forçado de diversos militantes.
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