No Brasil, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), já existem cerca de 210 milhões de celulares ativos, mais de um por habitante. A Organização Mundial de Saúde (OMS), por meio da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, colocou a radiação dos telefones móveis no mesmo nível de perigo que a emissão de gases por automóveis, o chumbo e o clorofórmio, o “grupo 2-B”, “possivelmente carcinogênico para humanos”.
Preocupada com o que pode se tornar um dos maiores problemas ambientais do século XXI, a CPI da Telefonia da Assembleia Legislativa se reuniu ontem, sob o comando do presidente do colegiado, deputado estadual Paulo Azi (DEM), para ouvir especialistas sobre o tema.
A audiência, que começou às 10h, contou também com representações das empresas e dos trabalhadores do setor. Paulo Azi disse que o tema é muito controverso e que é intenção do colegiado, ao fim das investigações, apresentar um modelo de legislação que unifique os procedimentos de instalações de antena na Bahia. “Precisamos criar um consenso que proteja a vida humana sem inibir a expansão dos serviços”, afirmou.
O engenheiro eletricista e conselheiro federal do Confea, Roberto da Costa e Silva foi o destaque da reunião. Com mais de 20 anos de experiência no assunto, ele explicou que como o crescimento exponencial do uso da telefonia celular é recente, ainda não foi possível comprovar cientificamente os efeitos da radiação proveniente de telefones móveis.
O engenheiro explica que existem normas definindo quais são os valores seguros de exposição do corpo humano a radiação. Mas Costa e Silva teme que exposições prolongadas possam causar um colapso nos mecanismos auto-reguladores do corpo humano como temperatura, pressão respiração e batimento cardíaco.
Se ainda não está comprovado cientificamente os efeitos deletérios do uso do celular para a saúde, o professor indica que medidas preventivas podem ser tomadas pelos usuários. “Não se deve fazer ligações de mais de seis minutos de duração e, de preferência, falar o menor tempo possível, pois isto não afetará sua saúde. Além disto, não afetará seu bolso, já que temos um dos serviços mais caros do mundo”, conta o engenheiro, completando que também seria importante utilizar fones de ouvido, não usar celular dentro de ambientes fechados, como automóveis, além de desestimular o uso do aparelho pelas crianças.
Além disso, Costa e Silva defende um maior controle das emissões no entorno das antenas e a instalação de retransmissoras, principalmente para a propagação dos sinais de TV. “Em ambientes fechados como os shopping centers, a melhor alternativa é o uso de cabos irradiantes”, completou.
Participaram também da reunião o professor e pesquisador da Universidade de Feira de Santana (Uefs), Edgar Silva Júnior, representantes das operadoras, do Procon, Ministério Público Federal, o relator da CPI, Joseildo Ramos (PT) e os deputados estaduais Leur Lomanto Júnior (PMDB), Paulo Câmera (PDT), Sidelvan Nóbrega (PRB).
REDES SOCIAIS