Assembleia Legislativa comemorou ontem o Dia Mundial da Saúde com a realização de palestras sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis e Atenção Básica à Saúde. Gestão do Sus, Planejamento Familiar e Miocardiopatia Dilatada foram os temas abordados na audiência pública promovida pela Comissão de Saúde e Saneamento, que contou com a presença do secretário estadual Washington Luiz Couto. Segundo o médico Flávio Costa, “ falta educação” e há muita confusão quando o assunto é planejamento familiar, que, explica, nada mais é do que o direito de cada um em estabelecer quantos, como, quando, onde e com quem vai ter filho.
O que é completamente diferente de controle da natalidade, esta, sim, uma imposição do Estado, que fixa o número de filhos por família. Já o planejamento familiar, como o nome sugere, permite que os cidadãos planejem antecipadamente sua família, é um direito reprodutivo” franqueado a todos os brasileiros, lembra o especialista. Segundo explica, hoje existem ao alcance da população diferentes métodos contraceptivos, mas falta educação, faltam campanhas de esclarecimento para que cada família possa decidir a quantidade de descendentes que quer para si. Planejamento familiar é “atitude sobre quando e quantos filhos se quer ter, é a representatividade da cidadania”, diz Costa.
IMPACTOS
E esta falta de informação tem como principal consequência “os impactos sociais”, adianta Flávio Costa, que analisa assim o motivo de nas classes economicamente mais favorecidas o número de filhos ser menor do que em famílias mais pobres: “ Porque há um entendimento do que seja o direito reprodutivo”. Estes esclarecimentos e informações são fornecidos pelo médico no 16º Centro de Saúde, localizado no Pau Miúdo, onde atende e coordena o ambulatório. “Somos um posto de saúde modelo”, garante Flávio Costa, que atende semanalmente cerca de 100 mulheres gratuitamente. O posto presta atendimento pelo SUS.
Um outro assunto abordado ontem na audiência pública da Comissão de Saúde foi o da miocardiopatia dilatada. De acordo com o cardiologista Luiz Pinho, esta é uma doença “grave, potencialmente fatal e progressiva”, que, resumidamente, se constitui em inchaço do miocárdio e consequente impossibilidade de o coração bombear sangue para o corpo. O assunto tem despertado interesse público a partir da novela Em Família, da Rede Globo, que aborda o problema.
Há várias causas para o mal. Ele pode ser causado por infecção, gripe, herpes, álcool e por drogas utilizadas para tratamento do câncer, por exemplo. Mas, no Brasil, a principal causa de incidência da dilatação do miocárdio é a Doença de Chagas, adianta Pinho. E quando a doença já se encontra em estado avançado, a única solução é mesmo o transplante de coração. Em casos mais simples há medicamentos que podem minimizar as consequências, mas não oferecem a cura.
No país registra-se média de oito casos por 100 mil habitantes, “índice relativamente baixo” de um mal que tem como principais sintomas cansaço, sudorese fria (suor), palpitação, inchaço das pernas ou do corpo e falta de ar. Para o presidente da comissão, deputado José de Arimateia, proponente da audiência pública de ontem, estes são assuntos “importantes” a serem levados a conhecimento público, que, de forma geral, desconhece o programa de atenção básica à saúde, lançado e gerido pelo Ministério da Saúde. Ainda segundo o parlamentar, ações como as de ontem, que visam a informação da população, vem sendo implementadas sistematicamente pela Comissão de Saúde, que tem voltado seu trabalho, prioritariamente, para assuntos de saúde pública.
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