O governador Jaques Wagner disse ontem que seus sete anos à frente do Estado "deixaram marcas importantes na melhoria do desenvolvimento social e na consolidação da democracia baiana". Falando de improviso e com um tom de despedida em seu oitavo e último discurso de abertura dos trabalhos legislativos, apontou os embates na Assembleia até semana passada para aprovar o Orçamento, como marca de um novo tempo.
"Sei que estou fazendo a abertura desta sessão legislativa sem que os senhores deputados e deputadas tenham tido sequer um dia de recesso merecido em função do embate legítimo que tem que ocorrer na Casa do Povo, quando governo e oposição trabalham sob o guarda-chuva do fazer melhor para o povo da nossa terra", disse, afirmando que o "contraditório é a alma da democracia".
EQUILÍBRIO
O governador mostrou uma expectativa positiva ao dizer que espera "concluir este ano com mais conforto da área das finanças e do orçamento do Estado". Wagner acrescentou que, mesmo nas dificuldades do ano passado "não abandonamos nossos objetivos", tendo eventualmente apenas reduzido a velocidade de projetos, sem perder o rumo, nem as convicções.
"Espero poder licitar
no último trimestre
deste ano a duplicação
de várias estradas"
Ainda voltado para o futuro, o chefe do Poder Executivo falou sobre a ampliação da infraestrutura baiana que o próximo governante encontrará, citando as obras "da Ferrovia Oeste/Leste, que hoje já emprega mais de oito mil funcionários, a ponte Salvador/Itaparica, que espero poder licitar no último trimestre deste ano, a duplicação de várias estradas e a conclusão de nove mil quilômetros sob a batuta do vice-governador Otto Alencar".
INDICADORES
Apoiado em dados do IBGE que revelam o aumento de 28% no rendimento médio do baiano, sendo que os mais pobres tiveram um acréscimo de até 37%, Wagner disse que os "indicadores econômicos e sociais evidenciam que estamos materializando nossos objetivos, embora muito ainda precise ser feito". Por outro lado, destacou os investimentos privados em seus sete anos de governo, que totalizaram R$17 bilhões, estando previstos outros R$82 bilhões até 2016, dos quais mais da metade já está em fase de implantação.
"Governo e oposição
trabalham para fazer
o melhor para o povo
da nossa terra"
Optando por um pronunciamento de improviso, o governador explicou que não utilizou nem mesmo os tópicos das fichas que tinha em mãos, mas não se furtou a falar das realizações em todas as áreas do governo, como as ações de enfrentamento à "estiagem que se agravou ano passado e se consolidou como a mais severa dos últimos 60 anos". Ele afirmou ter feito todos os esforços, juntamente com a presidente Dilma Rousseff, para que a falta de água não provocasse nenhum retrocesso em relação às conquistas que o estado e o Nordeste vêm experimentando nos últimos 11 anos do governo encabeçado pelo PT.
"Creio que não houve retrocesso", avaliou, ao dizer que houve dificuldades, que foram superadas com a construção de adutoras, com o programa Água para Todos e o apoio à agricultura familiar. "Saímos de 60 mil Daps, que é o documento que reconhece o agricultor familiar, para 600 mil", informou, acrescentando que o governo federal também aumentou de seis mil para perto de 300 mil os agricultores registrados no garantia-safra, "no esforço do governo estadual ao abraçar os agricultores, quando assumimos o pagamento de 50% que caberia ao agricultor, de 50% que caberia à prefeitura, justamente para dar este salto de cinquenta vezes".
Sobre a educação, citou os 1,15 milhão de alfabetizados pelo Topa, lamentando que ainda haja 1,2 milhão de baianos que não sabem ler, e aumento em 133% do orçamento para as universidades estaduais. Na área de saúde, lembrou os cinco hospitais construídos, o da Chapada Diamantina, obra que está em execução, além das ampliações do HGE e dos Hospital Roberto Santos. "Mais do que duplicamos o número de leitos em UTI, construímos 530 postos de Saúde da Família, ampliamos o atendimento do Samu e espalhamos uma rede de laboratórios pelo interior do estado", enumerou como legado e resgate fundamental de sua administração.
"Construímos 530 postos
de Saúde da Família e
ampliamos o atendimento
do Samu"
Na cultura, lembrou dos 220 pontos de cultura e dos mais de R$500 milhões distribuídos em editais. "Ampliamos nosso investimento no turismo", afirmou o governador, informando que Salvador vai receber mais 22 voos internacionais a partir de abril e maio, se consolidando como um novo hub, recebendo voos da Espanha, que daqui seguirão para Argentina, Chile e Uruguai. Os investimentos em segurança também foram citados e o Programa Minha Casa Minha Vida definido como o maior programa habitacional que o país já teve.
COINCIDÊNCIA
Logo no início do seu pronunciamento, o governador fez alusão ao seu relacionamento com o Legislativo e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo (PDT). Ele arrancou gargalhadas ao chamar de coincidência o fato de ter feito os oito discursos de abertura do ano legislativo tendo Nilo como presidente da Assembleia. "Uma coincidência inédita e que me agrada profundamente pela relação de parceria e amizade que se construiu, mas principalmente pelo respeito à autonomia entre os poderes. Ele agradeceu ao apoio de sua bancada, na pessoa do líder, Zé Neto (PT).
Wagner dedicou palavras especiais também ao vice-governador e secretário de Infraestrutura, Otto Alencar, classificando-o de "querido irmão que ganhei na caminhada da política na Bahia". Ao encerrar o discurso, lembrou do ex-governador de Sergipe, Marcelo Déda, falecido no final do ano passado: "político arguto, homem culto, gentil e correto, de espírito conciliador, um grande amigo que nos deixou precocemente", definiu.
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