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Lançamento do livro Ofún marca início da coleção Odu Àdájo

Publicado em: 20/12/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Presidente Marcelo Nilo disse que preservação da história da Bahia é um dever do Legislativo
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A acadêmica Mãe Stella de Oxóssi lançou ontem, às 18h, o livro Ofún, primeiro da coleção Odu Àdájo, com previsão para 16 tomos, explicativa da mitologia do candomblé. Trata-se de uma iniciativa de fôlego, apoiada pela Assembleia Legislativa, que publicou esse volume inicial e já finaliza o seguinte. Presente ao lançamento, o presidente Marcelo Nilo disse que a preservação da cultura e história da Bahia e dos baianos é um dever do Legislativo, sendo o programa editorial que executa uma ferramenta que há muito deixou de ser uma mera ação de marketing cultural.
Prestigiaram a cerimônia acadêmicos, escritores, professores, intelectuais, personalidades ligadas à religiosidade afro, o governador Jaques Wagner e a primeira-dama Fátima Mendonça e o presidente eleito do TCE, conselheiro Inaldo da Paixão. O presidente da Academia, Aramis Ribeiro Costa, festejou o primeiro exemplar da coleção "Caminhos do Destino", que traduz do iorubá para português a longa tradição oral do candomblé em livro, agora preservada em livro – e tornando acessível a sua vasta mitologia.

 
TRANSCENDÊNCIA

 
Para o deputado Marcelo Nilo, a publicação desse segundo livro de Mãe Stella de Oxóssi pelo Legislativo é o testemunho da importância do trabalho intelectual da ialorixá, que transcendeu a sua importância religiosa e se transformou num patrimônio da Bahia: "A Bahia de Castro Alves, Jorge Amado, Batatinha, Nestor Duarte, Juracy Magalhães e do Guarda Pelé, também é a terra dessa mulher vitoriosa, que é a acadêmica Mãe Stella de Oxóssi", completou. O primeiro livro foi "Meu Tempo é Hoje", lançado em 2010.
No discurso de agradecimentos que antecedeu a longa sessão de autógrafos, a ialorixá registrou a importância do trabalho de Graziela Domini, sua colaboradora nesse livro, e revelou que quatro dos 16 volumes da coleção estão escritos. Ela se declarou feliz em retornar à Academia de Letras da Bahia poucos meses depois de ser empossada e disse que vai trabalhar para aprontar a coleção "Caminhos do Destino", ou Odu Àdájo, no menor prazo possível.
Cerca de 300 pessoas participaram do ato de lançamento. Na longa fila de autógrafos, acadêmicos como Fernando da Rocha Peres, Myrian Fraga; intelectuais como José Carlos Capinam; historiadores, professores e muitos adeptos do candomblé com suas indumentárias multicoloridas. Antes do encerramento, o ogã José Ribamar, presidente da Sociedade Cruz Santa do Ilê Axé Opô Afonjá, a representação civil do terreiro, esclareceu que a coleção agora iniciada pretende atingir não apenas o público religioso, mas a qualquer pessoa que busque uma visão ampliada da existência e aos estudiosos de culturas diversas.
O objetivo, portanto, explica Mãe Stella de Oxóssi na quarta capa do livro Ofún, é contribuir para que a religião trazida pelo povo africano para o Brasil seja mais bem compreendida e, assim, possa ser mais respeitada. O preconceito, continua o texto, é fruto do desconhecimento e gera conflitos que interferem na vida individual e coletiva. Explanando a filosofia da religião orísia, sem precisar devassar seus mistérios – os quais interessam apenas a seus sacerdotes, por serem eles os responsáveis pela execução dos rituais –, pretende-se dar uma contribuição no sentido de ajudar para que a distância entre as pessoas, decorrente de desavenças religiosas, possa tornar-se, cada dia mais, insignificante.



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