A Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado José de Arimatéia, vai encaminhar às autoridades municipais, estaduais e federais todas as dez reivindicações em caráter de urgência solicitadas pela Associação Lúpicos Organizados da Bahia (Loba).
A decisão foi tomada ontem pela manhã, durante concorrida audiência pública realizada na Casa Legislativa, com a participação de defensores públicos, profissionais da medicina, lideranças comunitárias, deputados, vereadores e lideranças políticas da capital e do interior, além de um grande número de pacientes com lúpus.
Segundo o IBGE, existem 200 mil pessoas com lúpus no país e cerca de quatro mil somente na Bahia. Estes pacientes sofrem por falta de estrutura para atendimento, distribuição de remédios, falta de leitos, em completo estado de abandono por parte dos poderes competentes. A situação é tão grave em Salvador, por exemplo, que do mês de agosto até hoje foram a óbito cerca de 40 pacientes por falta de atendimento médico eficiente e leitos adequados, numa autêntica situação humilhante para os portadores de lúpus, conforme ficou comprovado na audiência de ontem.
Lúpus é uma doença autoimune rara, mais frequente nas mulheres do que nos homens, provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico, exatamente aquele que deveria defender o organismo das agressões externas causadas por vírus, bactérias ou outros agentes patológicos. Já a Associação Loba, única entidade em defesa dos portadores de lúpus na Bahia, define mais popularmente a doença como um tipo de reumatismo de causa desconhecida que atinge crianças, jovens e adultos de ambos os sexos. Embora sem causa conhecida, sabe-se que nesta doença há uma alteração no sistema imunológico – e o portador passa a produzir anticorpos, causando problemas em diversas partes do corpo.
É necessário tratamento especializado em dermatologia, odontologia e reumatologia, pois os sintomas mais frequentes são os seguintes: manchas ao redor dos olhos (em forma de asas de borboleta), manchas no corpo, emagrecimento constante, queda intensa de cabelo, inflamação da pleura, queda de glóbulos brancos no sangue, alterações renais, cansaço ou fadiga, dor articular, dor abdominal, dor de cabeça, tontura, enjoo, falta de apetite, inchaço nas pernas, urina com espuma, desmaios e convulsões e alterações de comportamento.
O fato é que, também no lúpus, a defesa imunológica se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro. Essas múltiplas formas de manifestação clínica, às vezes, podem confundir e retardar o diagnóstico.
REIVINDICAÇÕES
As reivindicações da Associação Loba apresentada ontem são as seguintes: 1) apresentação de projeto de lei para criação de atendimento especializado em tempo integral aos portadores de lúpus; 2) ampliação do atendimento laboratorial pelo Sistema Único de Saúde – SUS, pois atualmente só existem os hospitais das Clínicas e Santo Antônio e a Escola Bahiana de Medicina; 3) aumento do quadro de médicos reumatologistas; 4) transporte gratuito e adequado no sistema de transporte do Estado; 5) criação de leitos específicos, principalmente no Hospital Santo Antônio; 6) aumento laboratorial do Hospital Santo Antônio (Irmã Dulce); 7) facilidade de acesso dos pacientes de lúpus para receber medicação do poder municipal: 8) cadastramento na Loba de todos os pacientes da capital e do interior; 9) campanhas educativas em todos os órgãos de imprensa sobre o lúpus e 10) direito à aposentadoria dos pacientes portadores de lúpus e que comprovem não ter mais condições de trabalhar.
"Encaminharemos em caráter de urgência todas essas reivindicações para os poderes competentes. Quanto ao projeto de lei solicitado para criação de um centro de referência para atendimento especializado em tempo integral, vamos pesquisar se existe algum já em tramitação. Caso contrário, vamos apresentar uma proposição com urgência", destacou o deputado José de Arimatéia.
Participaram da audiência os deputados Sargento Isidório, Pedro Tavares, Graça Pimenta e Maria Luíza. A mesa que dirigiu os trabalhos contou com os defensores públicos Gil Braga Castro e Paula Almeida, a presidente da Loba, Jacira Conceição, e a médica Shirley Moreira.
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