“Precisamos de políticas públicas que fortaleçam o papel do professor e não a proibição do uso de celulares e outros equipamentos na sala de aula”. A declaração foi dada pelo professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e doutor em comunicação pela USP, Nelson Pretto, em audiência realizada ontem, na Assembleia Legislativa, para discutir o projeto de lei que proíbe o uso de telefone celular, câmeras digitais, aparelhos de música, ipods e outros equipamentos durante as aulas nas unidades de ensino da rede estadual.
Tanto Pretto quanto a professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Lynn Alves, também presente na audiência, manifestaram a preocupação quanto à possibilidade do projeto, apresentado em 2007 pelo deputado João Carlos Bacelar (PTN), ser aprovado pela Assembleia. Foram eles inclusive que pediram à Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Serviços Públicos, presidida pelo deputado Álvaro Gomes (PC do B), que realizasse a audiência para discutir o assunto.
Para Nelson Pretto, só com políticas públicas que fortaleçam o papel do professor, da escola e a inserção das unidades de ensino nas comunidades é que serão criadas as condições para formação de cidadãos educados e conscientes. “Proibir o uso desses equipamentos contradiz todas as políticas públicas que incentivam o uso de tecnologia dentro da sala de aula”, acredita. O professor acrescentou que as escolas, hoje, têm o dever de formar cidadãos conectados. “No mundo contemporâneo, os cidadãos que não são conectados não são cidadãos plenos”, reforçou Pretto.
A proibição prevista no projeto de lei também é uma “grande incoerência”, na avaliação da professora Lynn Alves. “Não temos como retroceder no uso da tecnologia. O que precisamos é aprender a interagir e produzir conhecimento através dela”, avalia a pedagoga, que também é mestre e doutora em educação pela Ufba. Na avaliação dela, se as escolas se afastarem da tecnologia se tornarão um espaço de “não-prazer” para alunos cada vez mais conectados. E acrescentou que os jovens atualmente estão produzindo conhecimento através dessas tecnologias e cabe às escolas identificar e potencializar isso.
Os deputados presentes na audiência concordaram com os argumentos dos acadêmicos e se comprometeram a aprofundar o debate e se posicionar contra, caso o projeto seja colocado para votação em plenário. O deputado Zé Raimundo (PT), por exemplo, considera que mudanças na educação não devem ser feitas por legisladores. “Há espaços muito mais apropriados para discutir questões como essa como conselhos estaduais e municipais de educação”, observou ele.
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