"Vinícius de Moraes foi um dos nomes mais importantes para a arte brasileira." Esta afirmação foi da deputada Luiza Maia (PT), ao abrir a sessão especial em que a Assembleia homenageou, nesta quinta-feira, o centenário de nascimento de Marcus Vinícius da Cruz e Mello Moraes, poeta, jornalista e diplomata.
Luiza Maia, que requereu a homenagem, ressaltou que a produção musical de Vinicius de Moraes – segundo ela, tão importante quanto a literária – trouxe leveza à música e "criou ritmos, ditou novos estilos" ao país. Para ela, "o Poetinha, em seus quase 50 anos de carreira, transformou a maneira como o mundo via a música, em especial a música originada das religiões afro-brasileiras, as quais ele deu enorme destaque".
Já o deputado Zé Neto (PT), líder do governo, lembrou que as "canções do Poetinha com Tom Jobim e outros parceiros colocaram a música brasileira no cenário mundial". O petista destacou também que Vinícius falava dos problemas sociais e lembrou do poema "A Rosa de Hiroshima".
Para o deputado Álvaro Gomes (PC do B), falar de Vinícius de Moraes é chamar a uma reflexão sobre o conhecimento. Citou o poema "O operário em construção" e falou da atualidade da poesia. "Quantos de nossos trabalhadores continuam à margem, sendo excluídos e impedidos de usufruir do fruto do seu próprio trabalho, para benefício de um sistema capitalista e explorador ?."
REPERTÓRIO
Músicas consagradas como "Tarde em Itapuã" e "Samba da bênção" foram executados durante o evento. Estiveram presentes os cantores Lia Chaves, Edu Casanova e Adelmo Casé. A sessão contou com a participação de um coral formado por 15 crianças cantando a música "Pela luz dos olhos teus".
PATRIMÔNIO
Na opinião do secretário de Cultura da Bahia, Albino Rubim, Vinícius é um patrimônio brasileiro e do mundo. A Bahia, prosseguiu ele, homenageia um poeta que escolheu esse estado para viver. Ao ressaltar sua atividade política, o secretário observou que Vinícius optou por ideais libertários e de esquerda, sempre coerente.
"Brasileiro ilustre, aqui evocado nessa sessão, que celebra a vida e o amor. Saiba que nós todos precisamos muito reouvi-lo, relê-lo, para que a gente consiga dias melhores para o Brasil", disse Albino Rubim.
Acentuar na música brasileira a presença de instrumentos e sonoridade da música negra, em parceria com Baden Powell, é, na opinião dos professores Cássio Nobre e Antonio Saja, a melhor fase de Vinícius. Para Luiz Caetano, ex-prefeito de Camaçari, só este fato já seria um grande feito do poeta. O político disse se emocionar ao ouvir o som da Bahia na música brasileira.
Se estivesse vivo, disse Gesse Gessy, ex-mulher de Vinícius, o Poetinha estaria tornando a vida de todos um pouco melhor, mais solidária e mais humana. Ela destacou que o poeta homenageia a todos com sua obra, que ainda inspira artistas e músicos.
Participaram da cerimônia a representante da vice-prefeita de Salvador, Maria Constância Galvão; a cantora chinesa Ayi Jihu; o general Racine, comandante da 6ª Região Militar; vereadores e estudantes de escolas públicas de Salvador.
Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1913, e morreu em 9 de julho de 1980. Seus principais parceiros foram Tom Jobim, Baden Powell, Carlos Lyra, Chico Buarque e Toquinho.
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