O saguão da Academia de Letras da Bahia ficou completamente lotado na noite de quinta-feira no lançamento dos dois tomos de “Contos e Obras Escolhidas”, do cronista, crítico literário, tradutor, romancista, contista e acadêmico Hélio Pólvora, que integram a coleção Mestres da Literatura Baiana, publicada em regime de coedição pela Academia e a Assembleia Legislativa da Bahia. Acadêmicos, professores, intelectuais, estudantes e amigos do escritor ficaram na fila de autógrafos durante três horas.
Impossibilitado de comparecer ao lançamento, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo, foi representado pelo professor Délio Pinheiro, assessor para assuntos de cultura do Legislativo, que lembrou a importância do programa editorial executado nos últimos sete anos, responsável pela publicação de 107 livros e elogiou a parceria de 18 anos entre as duas instituições. Ele frisou a importância de Hélio Pólvora para as letras brasileiras e o empenho do acadêmico Aramis Ribeiro Costa, criador dessa “coleção toda especial que terá pelo menos 20 tomos”.
GÊNESE
O presidente da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa, explicou a gênese desse projeto, “talvez o mais ambicioso do longo relacionamento que esta Casa de Cultura mantém com o Legislativo, pois se propõe trazer de volta escritores importantíssimos da primeira linha da literatura do Brasil”. Lembrou ainda que a coleção não compete com o mercado editorial, porém possui a capacidade de atingir a universidade, oferecendo às novas gerações de estudantes e escritores obras de primeira linha de escritores notáveis – mas com pouco público na atualidade.
O presidente da Academia de Letras da Bahia disse que o cenário de cerco à produção literária local funciona como se existisse um muro impedindo que o Brasil tome conhecimento da nossa literatura, que foi, e continua a ser, produzida na Bahia, como bem demonstram os dois tomos do trabalho de Hélio Pólvora, pois se “fôssemos publicar as obras completas (apenas os seus 120 contos) seriam necessários quatro volumes. Para ele, Hélio Pólvora é um dos maiores ficcionistas do Brasil de todos os tempos.
O acadêmico Aramis Ribeiro Costa lembrou o papel ímpar do deputado Marcelo Nilo para a preservação da nossa cultura, em um trabalho desenvolvido através da Assessoria de Comunicação Social da Assembleia Legislativa, com o concurso do professor Délio Pinheiro. O presidente da academia destacou o resgate de obras notáveis e considerou o parlamentar como “um benfeitor dessa Casa”. Lembrou que o primeiro livro da coleção Mestres da Literatura Baiana “A Bahia já foi Assim”, da pesquisadora e folclorista Hildegardes Vianna, e que já em novembro será lançada a antologia poética de Affonso Manta, bardo de Poções precocemente falecido, seguida de uma trilogia de Wilson Lins (já em fase de impressão) e de um livro de Vasconcelos Maia.
No curto pronunciamento antes de autografar seus livros, o acadêmico Hélio Pólvora registrou que “Contos e Novelas Reunidos” só foram publicados graças ao empenho de dois agentes culturais: os presidentes Marcelo Nilo e Aramis Ribeiro Costa. O primeiro, que se “revelou como um verdadeiro mecenas para as letras baianas, demonstrando rara sensibilidade” e o seu companheiro da Academia, “contista de proa”, pelo dinamismo que emprestou à instituição – atualmente em plena efervescência, dinâmica e aberta ao diálogo.
Ele elogiou o trabalho realizado por Marcelo e André Portugal, responsáveis pelo projeto gráfico da coleção e de seus livros – pelo bom gosto – e falou da obra agora lançada: “Esses contos estavam distribuídos em 12 livros e esparsos, cabendo a escolha dos pouco mais de 55 agora publicados às preferências do ficcionista, o que não significa que sejam os melhores. Todos sofreram leves revisões, uns cortes, leves acréscimos, outros. Resumem a atividade literária de 55 anos e para mim uma vida”, acrescentou.
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