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Comissão da Igualdade discute comercialização de acarajé

Publicado em: 25/09/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Bira Corôa destacou que "estamos falando de um símbolo que representa a Bahia e o Brasil"
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A comercialização do acarajé na Arena Fonte Nova e nas praias de Salvador foi debatida ontem pela manhã, na Assembleia Legislativa, durante audiência pública promovida pela Comissão Especial de Promoção da Igualdade, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT).
As baianas de Acarajé continuam lutando contra a decisão da Fifa de proibir a venda desse produto de grande importância na culinária e na cultura do país durante a Copa do Mundo de 2014 na Arena Fonte Nova, além da exclusão das mesmas do projeto da Prefeitura para a recuperação da Orla de Salvador.
A Fifa só permitirá, durante a Copa, a venda do tradicional acarajé e outros produtos que compõem o tabuleiro das baianas num raio de distância da Arena Fonte Nova acima de dois quilômetros, atitude que vem sendo repudiada por todos os baianos. Existe também a expectativa da categoria pela divulgação do projeto da orla, pois as baianas perderam espaço nas praias de Salvador. Na avaliação do deputado Bira Corôa, o projeto de recuperação servirá para elitizar as áreas públicas.
Destacando que não existe nenhum movimento de mulheres negras como o das baianas do acarajé, Bira Corôa afirmou: "Estamos falando de um símbolo que representa a Bahia e o Brasil. Não queremos tratar somente da comercialização do acarajé, mas sim da afirmação dessa identidade da Bahia e do povo baiano. O governador Jaques Wagner simbolizou a presença das baianas, garantindo a presença das mesmas na Arena Fonte Nova. Não conheço nenhuma situação que cuide da divulgação do Brasil em qualquer parte do mundo que não simbolize a figura das baianas. É inaceitável que o governador tenha assegurado a presença das baianas na Fonte Nova e ainda não tenhamos uma definição da Fifa."
Outro problema que vem preocupando o presidente do colegiado é em relação ao projeto de revitalização da orla marítima, que exclui não somente as baianas do acarajé, mas também os vendedores ambulantes: "A proposta da Prefeitura omite a presença dos mesmos para elitizar a orla. O projeto é eliminar um dos principais símbolos de identidade da raça negra. Estamos falando de uma identidade, de um referencial que marca a identidade negra no Brasil", ressaltou o parlamentar.
A presidente da Associação das Baianas de Acarajé e Mingau (Abam), Rita Santos, por sua vez, afirmou que a maioria das baianas está decepcionada não só com a questão da Arena Fonte Nova, mas com o problema da Orla, pois, desde 2011, a Advocacia Geral da União já tinha anunciado que não era contra a presença das baianas nas praias e o assunto deveria ser decidido pela Prefeitura.
Olívia Santana, representante da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), declarou: "Estamos mais uma vez diante de um problema pontual. O acarajé é um patrimônio nosso e a baiana é um símbolo. Tenho certeza que isso é uma política de Estado e certamente tem outras políticas. É preciso a participação dos representantes da Arena Fonte Nova nesse movimento. Não é possível acreditar que na antiga Fonte Nova as baianas faziam parte do contexto com muito destaque e agora, nesse novo equipamento, tenham que lutar para não serem obstáculos. As baianas não são problemas, mas sim soluções", disse Olívia.



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