Projeto de lei que obriga a instalação de equipamento eliminador de ar na tubulação do sistema de abastecimento de água na Bahia foi encaminhado à apreciação da Assembleia Legislativa pelo deputado José de Arimatéia (PR). Segundo o parlamentar, "após o esgotamento das tubulações das redes de abastecimento de água, por questões operacionais na manutenção, a tubulação é preenchida automaticamente por ar. Quando a rede é colocada novamente em operação, a água comprime o ar, carregando-o para os pontos de consumo, fazendo com que os hidrômetros registrem altos volumes e penalizando os consumidores". Ao pagar a conta de água, paga-se também pelo ar que passa pelo cano.
Segundo estudos da Dolphin Engenharia, utilizados pelo deputado, este ar, pago como água, "pode significar 35% a mais da contagem dos metros cúbicos e consequentemente no valor da conta. O prejuízo pode chegar a 80% em locais elevados, onde a água precisa de maior pressão para chegar às torneiras". Os eliminadores de ar propostos por Arimatéia, construídos em polietileno, são instalados antes dos hidrômetros e evitam que o consumidor seja penalizado e ainda eleva a vida útil dos hidrômetros que giram em alta velocidade quando o ar circula pelo seu interior.
"Não podemos aceitar o fato de que o consumidor pague por ar como se água fosse, uma vez que o mesmo representa, pelo menos, cerca de 20% a 30% do consumo cobrado pelas distribuidoras", pondera o parlamentar, que cita, também, a Escola Federal de Engenharia de Itajubá (MG), onde aparelho semelhante é fabricado. A instituição garante uma economia de 35% nas contas, em especial em regiões onde é frequente a falta de água, "coisa inclusive muito comum no interior baiano, onde a economia seria ainda maior, já que as constantes interrupções no fornecimento de água favorecem a entrada de ar na rede".
Por fim, Arimateia chama a atenção para o fato de surgirem bolsões de ar nas tubulações, principalmente quando a rede é desligada. "Ao chegar ao hidrômetro, esses bolsões fazem girar o contador, inclusive de uma forma naturalmente mais livre do que quando há água somente". Resultado: mais dinheiro gasto pelo consumidor. Há casos, inclusive, defende o parlamentar do PR, "em que o Poder Judiciário precisa intervir para garantir ao consumidor os seus direitos".
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