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AL debate situação do eucalipto

Publicado em: 06/10/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

A sessão, solicitada por Joseildo Ramos, contou com a participação do secretário Eugênio Spengler
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O secretário estadual de Meio Ambiente, Eugênio Spengler, e o presidente da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (Abaf), Leonardo Genofre, compareceram à Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos da Assembleia para debater a situação das plantações de eucalipto e florestas cultivadas no estado. "Esta demanda chegou até o nosso colegiado através do deputado Joseildo Ramos (PT). Através dele, descobrimos que existem questões que precisam ser esclarecidas. Por isso aceitamos esta proposta. Acreditamos que aqui deve ser um espaço de diálogo, no qual se pode apontar direcionamentos para diminuir problemas", frisou o presidente do colegiado, deputado Adolfo Viana (PSDB).
"Precisamos estabelecer regras mais claras, precisamos nos debruçar nesta questão. Ainda não temos um elemento institucional capaz de disciplinar, estabelecer limites do uso do solo. Não temos uma legislação pertinente", frisou Joseildo, revelando que os entes acadêmicos, como as universidades, devem ser inseridos neste processo. "Vamos ouvir as universidades. No extremo sul, houve essa associação e elaboraram um acordo em prol da natureza. Vamos nos unir com a Ufba e construir um plano que respeite as especificidades de cada região. A inauguração desta caminhada será benéfica se todos os atores envolvidos se fizerem presentes", salientou.
Segundo o secretário, em relação ao cultivo de floresta, o governo está articulando um encontro envolvendo as secretarias da Indústria e Comércio, da Agricultura, do Planejamento e de Meio Ambiente para estabelecer limites para o plantio de floresta para fins econômicos. "Não podemos demonizar esta cultura, ela é uma atividade econômica que é fonte de energia, que precisa ter regras claras. Estabelecendo as competências do estado. Só afirmo que o modelo adotado no extremo sul não é sustentável, assim como não é a pecuária e cana na região", frisou Spengler, destacando o papel da Assembleia neste processo, uma vez que cabe à Casa sugerir emendas e aprovar as lei nesse sentido.

SUSTENTABILIDADE

Leonardo Genofre, presidente da Abaf, destacou a importância da sustentabilidade para o setor florestal e também convergiu com os parlamentares na questão da necessidade de adotar marcos regulatórios, normas mais claras. "Hoje, a Abaf abrange cerca de 700 mil hectares de florestas, sendo mais de 306 mil áreas de mata nativa preservada. Toda a cadeia florestal responde por mais de 30 mil empregos diretos e indiretos e gera mais de R$ 39 milhões em encargos sociais nos âmbitos federal, estadual e municipal", informou o presidente.
Ainda segundo Leonardo, este setor promove união dos atores regionais, as comunidades. Um dos pontos mais importantes é a defesa de políticas públicas. "Quando participamos deste momento vemos com bons olhos. Entendo que uma atividade bem regulamentada, com critérios lógicos e científicos, gera um bom ambiente nos negócios", destacou.

TRANSPARÊNCIA

Após a apresentação de Leonardo, Joseildo disse ter ficado satisfeito com a mudança de postura das empresas, uma vez que quando exercia o cargo de prefeito de Alagoinhas não percebeu atitudes amistosas, nem esta abertura de diálogo, como afirma Leonardo. "Esse aspecto é fundamental neste momento, pois precisamos de transparência", concluiu.
Já o deputado Sandro Régis (PR), falando como militante político do extremo sul, disse que é perceptível a melhoria das cidades que tem esta cultura como fonte de renda. "Se você for ao extremo sul da Bahia, você pensa que vive em outro estado, graças à instalação destas empresas. Depois disso esta região se transformou em outra região". A deputada Maria del Carmen concordou com o avanço da região, mas demonstrou preocupação com o pequeno produtor, que vem sendo abandonado. "Não temos preocupação apenas com os avanços da região. Nossa preocupação é o homem que nela vive. Precisamos distribuir mais aquela renda."
A deputada petista Fátima Nunes foi mais contundente. "Eu não sou contra o progresso. Mas apelo pelo bom senso. Acho que devemos pensar até nas estradas. Está impossível trafegar nas regiões que tem os caminhões que transportam a produção de eucalipto. As estradas não resistem, estão cheias de buracos, aumenta o número de acidentes. Acho que se o setor está ganhando, ele tem que investir nesta área também", concluiu.



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