A homenagem mais significativa feita a Jutahy Magalhães desde a sua morte, há 11 anos. Foi assim que o deputado federal Jutahy Júnior definiu a decisão da Assembleia Legislativa em batizar o novo prédio anexo com o nome do seu pai. Bastante emocionado, ele se disse "imensamente grato ao presidente Marcelo Nilo (PDT) e a todos os deputados que aprovaram a iniciativa por unanimidade."
Coube a ele ser a primeira autoridade a se pronunciar, na tarde de ontem, e pautou seu discurso na amizade e a manutenção de princípios na vida pública, dois fatores que, segundo ele, nortearam as ações do homenageado.
"Nada mais natural que fosse a Assembleia a prestar essa homenagem, pois Jutahy foi duas vezes deputado, tendo sido presidente desta Casa", considerou. Ele lembrou ainda que, quando ocupava o posto mais alto do Legislativo, em meados da década de 1960, o pai teve a oportunidade legítima de concorrer ao governo do Estado, mas disputou a vice-governadoria para honrar acordo firmado entre Juracy Magalhães e Luiz Viana Filho para que esse saísse candidato.
Dirigindo-se ao governador Jaques Wagner, o orador lembrou que o pai também nasceu no Rio de Janeiro, em Realengo, e que também iniciou a vida pública na Bahia. No caso de Jutahy, como vereador de Itaparica e por um motivo bastante prosaico: Juracy, seu pai, lançou candidatura a chefe do Poder Executivo apenas para marcar posição, sem qualquer chance de se eleger. Naquela época, o homenageado era funcionário público e, temendo ser removido em represália política, lançou-se a uma cadeira na Câmara, garantindo a situação da sua família.
Jutahy já contava então com 30 anos quando entrou para a vida pública. "Meu avô sempre dizia que ‘era um caso de vocação tardia’", citou, ressaltando ainda que isso não impediu que se iniciasse uma trajetória brilhante. Além de vereador, deputado e vice-governador, ele foi deputado federal, senador e senador constituinte. "Me honra muito ser filho de Jutahy", afirmou, contando que teve o privilégio de assinar a Constituição juntamente com o pai, sendo ambos constituintes. Ele lembrou que o então senador Jutahy "foi o único constituinte do país a ter participado de todas as reuniões e sessões naquela oportunidade histórica."
"Ao longo de sua vida pública, meu pai sempre manteve suas amizades", disse, fazendo questão de citar a presença na inauguração do prefeito de Itaparica, Vicente Gonçalves da Silva, que foi colega de Jutahy na Câmara de Itaparica, em seu primeiro mandato. Outra personalidade que ele fez questão de citar foi Waldir Pires, "que acompanhou o início da vida política do meu pai."
Não foram poucas as citações de amigos desde a primeira hora presentes ao longo do pronunciamento, a exemplo do coronel Mansur e Claudelino Miranda. Ele nomeou, um por um, todos os deputados federais presentes, como Antonio Imbassahy, Nelson Pelegrino, Sérgio Carneiro, Daniel Almeida, Luís Argôlo, Maurício Trindade, José Carlos Araújo. Vendo no local Sérgio Gaudenzi, o definiu como "companheiro de jornada". O ex-governador Roberto Santos foi citado juntamente com Waldir Pires como pessoas que "dignificaram a vida pública".
Ao final do pronunciamento, o deputado citou a disputa eleitoral para o Senado, com Ruy Bacelar e Lomanto Júnior. Os marqueteiros se reuniram com ele e disseram que só havia uma chance de ganhar a eleição: bater em Lomanto, já que Ruy Bacelar já tinha sua fatia do eleitorado. "Ele olhou e disse que preferia perder a eleição a criticar um homem público decente". O parlamentar fez questão ainda de agradecer a presença do governador, "num gesto muito representativo da vida pública", frisando ter "o maior apreço por Wagner."
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