Ao realizar o discurso de agradecimento, o governador Jaques Wagner afirmou que o título de cidadão baiano é uma honraria que carregará com muito orgulho, e acrescentou que a iniciativa da Assembleia Legislativa "legaliza a condição que para mim já é de coração e de alma". Ele garantiu que a placa honorífica repousará na mesa do seu gabinete até o último dia do seu governo e se confessou "grato, orgulhoso e comprometido em fazer mais ainda".
O governador optou por não dar conotação política ao pronunciamento, falando de improviso sobre sua experiência de 37 anos na Bahia. Os primeiros contatos, definidos por ele como "namoro", foram quando ainda era adolescente. Em 1968, enquanto o Brasil conhecia a face mais cruel da ditadura, Wagner, com apenas 18 anos, cruzou a BR-116 com seu fusquinha vermelho do Rio de Janeiro até a Bahia para "conhecer a terra que todo bra-sileiro sonha em conhecer".
Dois anos depois, teve uma experiência que poucos baianos já tiverem ao descer o Rio São Francisco de vapor desde Pirapora, em Minas Gerais, até Juazeiro. "Conheci o jeito do povo do interior", contou, ressaltando que, naquela ocasião, nem passava por sua cabeça vir morar aqui. Ele classificou o baiano como "povo sensacional, que enfrenta e supera as dificuldades com criatividade ímpar em todas as áreas".
EXPERIÊNCIA
"A Bahia me deu régua e compasso", citou Gilberto Gil, lembrando que chegou jovem, em 1974, com sonhos "de justiça social e democracia, de um mundo melhor".
Ele lembrou que foi aqui que conquistou sua primeira profissão, de encanador caldeireiro, em Candeias. Neste aspecto, ele defendeu a importância do curso técnico na formação do jovem, que pode ter uma profissão aos 18 anos, e comparou com sua situação, que fez cinco anos de engenharia, mas, por não ter concluído, teve que buscar emprego de ajudante.
O governador lembrou que foi como técnico de manutenção que reabraçou "a veia política que havia inaugurado como estudante, ao ajudar a refundar o Sindiquímica. "Digo que nasci politicamente nas ruas do Polo Petroquímico de Camaçari, onde surgi como liderança sindical", disse, lamentando a perda recente de Jair Brito, um dos fundadores daquele sindicato.
CONCILIAÇÃO
O estilo político conciliador foi creditado por Wagner à herança da mãe, Cypa Perla. "A negociação e o enfrentamento são dois lados da política", definiu, dizendo que guarda do pai o exemplo da luta contra os nazistas. "Essas duas qualidades definiram minha trilha política, um negociador mais do que um brigador." Ele contou ainda que nunca sonhou em ser deputado: "Meu sangue era muito mais pela organização social, a luta sindical, do que na política institucional."
Após ajudar na fundação do Partido dos Trabalhadores, no entanto, se tornou seu primeiro presidente no estado e foi levado pelos companheiros do Sindiquímica a disputar mandato eletivo em 1986, tendo sido elegido no pleito seguinte junto com Alcides Modesto. "Fomos os dois primeiros deputados federais eleitos pelo PT no Nordeste", contou.
A mesma sina se deu na disputa pelo Governo do Estado, quando concorreu pela primeira vez em 2002. "Fizemos uma bela caminhada", avaliou, citando Ruy Barbosa: "Maior do que a tristeza de não ter vencido é a vergonha de não ter lutado." Quatro anos depois, segundo ele, os baianos deram a prova de ser hospitaleiros e sem preconceito ao elegê-lo governador.
MERECIMENTO
Logo no início do pronunciamento, Wagner agradeceu aos deputados e ex-deputados da 15ª Legislatura pela distinção, em particular à prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, por ter sido dela a proposta de concessão do título, mas procurou explicar por que demorou a receber a homenagem (o título foi aprovado em 2004): "Acho que as honrarias têm que ser merecidas", definiu, confessando que antes "talvez não me achasse à altura", apesar do seu trabalho desde 1990 na Câmara Federal.
Wagner se disse orgulhoso por ter transformado a Ode ao Dois de Julho em hino estadual, considerando que não há manifestação cívica igual no país. "D. Pedro I apenas proclamou a independência, mas foram os índios e negros que conquistaram, quando iniciaram as lutas em Cachoeira", disse. A Revolta dos Alfaiates também foi lembrada como um movimento republicano cem anos antes do fim do império. Ao avaliar a atuação do seu governo, citando o Topa e o Água para Todos, como exemplo, dividiu o mérito com os secretários e ex-secretários. "Não há general sem coronéis", comparou. Ele também saudou "Fatinha, que me fez ficar mais baiano."
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