MÍDIA CENTER

Cacauicultores querem anular dívida de 1 bi

Publicado em: 16/06/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Produtores e parlamentares discutem soluções para a crise do cacau na região sul do estado
Foto:

Com o objetivo de discutir a crise do cacau no sul do estado, a Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa promoveu uma audiência pública na manhã de ontem, no Plenarinho. O debate foi conduzido pelo presidente do colegiado, deputado Temóteo Brito (PMDB), e reuniu produtores de Itabuna, maior cidade da região cacaueira. "Vamos pensar em um plano de ação e buscar saídas imediatas para sanar as dívidas agrícolas dos produtores. A agricultura é um setor econômico importante para o desenvolvimento do estado e deve ser tratada de forma diferenciada", destacou o proponente da audiência, deputado Coronel Gilberto Santana (PTN).
Segundo o democrata Tom Araújo, existe uma preocupação muito grande em relação ao setor do cacau na Bahia, uma vez que o estado é o maior produtor do país. O parlamentar considera necessária uma atenção especial à crise enfrentada pelos produtores de Itabuna e reforça a urgência na busca de soluções imediatas e pragmáticas. "Precisamos unir todas as forças, deixar a política de lado e não apontar os culpados do passado. É preciso resolver o problema e pensar nos próximos passos a serem dados", disse Tom.
O deputado Marcelino Galo (PT) também frisou a necessidade de solucionar as difi-culdades e a importância do cultivo do cacau na Bahia. Galo ainda parabenizou os colegas Temóteo Brito, pela seriedade à frente da condução dos trabalhos realizados pela comissão e Gilberto Santana, pela iniciativa de trazer o debate para o Legislativo.
"A dívida do cacau é o ponto básico da luta dos agricultores do sul baiano", afirmou o presidente do Instituto Pensar Cacau (IPC), Águido Muniz. De acordo com ele, a princi-pal reivindicação dos produtores é anular a dívida, hoje em torno de R$ 1 bilhão. "A vassoura-de-bruxa foi inserida e disseminada na região de forma criminosa. Consideramos que não houve êxito nos planos implementados para combater a doença, por isso estamos reivindicando a anulação das dívidas", explicou. Águido pontuou o fortalecimento da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), enquanto instituição de pesquisa, e louvou a participação ativa dos deputados na resolução dos problemas enfrentados. "Estamos aqui hoje porque reconhecemos a importância desta Casa no âmbito da discussão. Consideramos a participação dos senhores deputados um marco na história da lavoura cacaueira baiana. Queremos que todos sejam nossos aliados, nos defendam junto aos governos estadual e federal e busquem uma solução para a lavoura cacaueira", afirmou.
Dentre os problemas enfrentados pela lavoura cacaueira, o presidente do IPC listou a falta de recursos, o endividamento do cacauicultor e as repercussões do endividamento para a sociedade, além de danos ecológicos, sociais e ambientais. Na oportunidade, Águido Muniz entregou ao colegiado um documento em nome dos associados do Instituto Pensar Cacau. Com um histórico do que foi e do que representou a cacauicultura no cenário da economia baiana, o documento expõe as principais reivindicações do setor e faz um apanhado dos efeitos e consequências trazidas pela vassoura-de-bruxa à sustentabilidade da região cacaueira da Bahia.



Compartilhar: