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Socióloga defende na AL maior participação dos negros no poder

Publicado em: 09/06/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Vilma Reis luta por cota de 30% para afrodescendentes nas chamadas listas eleitorais fe-chadas
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O Brasil tem 27 partidos políticos e todos eles são controlados por homens brancos. A constatação é da socióloga Vilma Reis, ativista do movimento de mulheres negras, que ontem proferiu uma palestra na sessão da Comissão Extraordinária para Discussão da Reforma Política da Assembleia Legislativa da Bahia.
Vilma defende na reforma política, em estudo no Congresso Nacional, uma cota de 30% para afrodescendentes nas chamadas listas eleitorais fechadas. No sistema vigente, os eleitores votam nos candidatos, mas há proposta que isso seja alterado para as listas fechadas, nas quais o voto seja no partido que iria indicar os candidatos. "Precisamos de representações no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas e nas câmaras de vereança", defendeu a pesquisadora, referindo-se à população afrodescendente brasileira.
Ela criticou o mito da democracia racial brasileira e citou o livro Aqui ninguém é branco, da professora Liv Sovik, da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que discute as relações raciais no Brasil. "Esse conceito de democracia racial é uma forma de evitar a discussão dos problemas de grupos historicamente destituídos de representação nos espaços de poder", acredita Vilma Reis, que também é coordenadora executiva do Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceafro) da Ufba.
Citando diversos autores, a pesquisadora defendeu a mobilização da população negra para ocupar espaços de poder e lembrou uma frase do ativista sul-africano Steve Biko: "A melhor arma do opressor é a mente dos oprimidos." E questionou: "Onde foi que a gente aprendeu a não votar nos negros e nas mulheres no Brasil?" Para ela, esse é um processo histórico no Brasil e que ainda precisará de muita luta e mobilização para ser mudado.
No encontro de ontem, presidido pela deputada Luiza Maia (PT), a socióloga citou diversos momentos históricos nos quais os negros se rebelaram com o sistema vigente e, na maioria das vezes, foram oprimidos. Citou a luta do quilombo dos Palmares, a punição dos heróis da Revoltas dos Malês e até a Revolta da Chibata, no Rio de Janeiro.
Nesse episódio, ocorrido em 1931, no Rio de Janeiro, marinheiros negros se revoltaram contra os castigos impostos a eles. Ao contrário dos marinheiros brancos, que recebiam só advertências, eles eram humilhados com chibatadas em público. "Depois da revolta, eles foram duramente castigados pelo governo de Getúlio Vargas."
Os deputados presentes na sessão agradeceram à professora pela aula com diversas referências históricas, mas se mostraram céticos quanto à profundidade da reforma política em análise no Congresso Nacional.
Para o deputado Zé Raimundo (PT), a reforma política acabará se transformando apenas numa reforma eleitoral. "Não acredito que essas questões mais profundas sejam contempladas nesta reforma", afirmou ele. Luiza Maia concorda com Zé Raimundo, mas afir-mou que ela será um primeiro passo: "Temos que levar esse debate para fora dos espaços de poder", defendeu ela.



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