Aproximar e promover um diálogo entre representantes da Campanha Nacional de Entrega de Armas Voluntárias e Munições (Cevam), bem como organizações que compõem o Comitê Baiano pelo Desarmamento, a fim de pensar estratégias de manutenção conjuntas da campanha aqui na Bahia e fortalecer a condução das ações, de forma a garantir melhores resultados. Esse foi o objetivo da audiência pública realizada na manhã de ontem pela Comissão Especial de Promoção da Igualdade (Cepi) da Assembleia Legislativa.
Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente do colegiado, deputado Bira Corôa (PT), que reforçou a necessidade de mobilização dos baianos na campanha pelo desarmamento. Para ele, a violência deve ser vista como um problema social e a ausência de políticas públicas é fator determinante no aumento desses índices. "A campanha objetiva tirar de circulação armas ilegais e fechar as torneiras que migram para a criminalidade", disse o parlamentar.
Números do Brasil sobre a realidade da falta de controle de armas pequenas e ligeiras, como são denominadas as pistolas e revólveres, foram revelados pelo coordenador regional da campanha, Clóvis Nunes. Ele considera as mortes por armas de fogo no Brasil como uma "verdadeira epidemia", dando como exemplo a capital baiana, que é a atual campeã nacional nas estatísticas de morte por arma curta de fogo calibre 38. "Pouca gente sabe, mas nós somos o terceiro maior fabricante mundial em armas de fogo, e o primeiro da América Latina", disse Clóvis. De acordo com o coordenador regional da Cevam, a média de mortes por ano no Brasil chega a 40 mil, superando países como China, Índia e Estados Unidos. "Nós temos uma guerra civil declarada, matamos mais que países em conflito", acrescentou.
O Estatuto do Desarmamento foi reverenciado, em todas as falas, como ferramenta fundamental para reduzir esses números. "O foco do estatuto é a arma na ilegalidade, que está hoje ao alcance de qualquer pessoa", disse o representante nacional do Cevam, Almir Laureano, que apontou como metas o controle e monitoramento rígido das armas desde a saída da fábrica, combate ao tráfico e ilegalidade e a entrega voluntária de armas.
A mesa da audiência também foi composta por Valter Sena, do Movimento Salvador Pela Paz, e Valmir Castro, do Ska Reggae. O debate foi acompanhado por estudantes dos cursos de Direito e de Serviço Social da Faculdade São Salvador, alunos do professor Vanderlino Lima.
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