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Deputados lembram trajetória de Abdias do Nascimento

Publicado em: 27/05/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Álvaro Gomes falou da luta contra a ditadura
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A morte do escritor, poeta, político, artista plástico e dramaturgo Abdias do Nascimento aos 97 anos foi lamentada na Assembleia Legislativa. Os deputados Álvaro Gomes (PC do B), Yulo Oiticica (PT) e Roberto Carlos (PDT) apresentaram moções de pesar, nas quais enalteceram a luta de Abdias em defesa dos direitos humanos, notadamente da população afro-descendente. Ele morreu na terça-feira, no Rio de Janeiro, onde morava e encontrava-se internado desde o mês passado. Deixa a esposa Elisa Larkin e um filho.
Paulista de Franca, São Paulo, cidade onde nasceu em 14 de março de 1914, Abdias do Nascimento notabilizou-se como liderança no ativismo contra o racismo e na defesa dos interesses dos descendentes do continente africano no mundo. Bacharel em economia pela Universidade do Rio de Janeiro, integrou a Frente Negra Brasileira, na década de 30, ocasião em que serviu ao Exército Brasileiro, sendo combatente nas Revoluções de 1930 e 1932 como soldado.
"Filho de uma doceira e de um sapateiro, Abdias teve uma infância pobre, mas que não o impediu de ser um homem honrado e de grande relevância para o Brasil", observou o líder do PT, Yulo Oiticica, em moção subscrita pelos outros 13 parlamentares do partido: Bira Coroa, Fátima Nunes, J. Carlos, Joseildo Ramos, Joacy Dourado, Luiza Maia, Zé Neto, Maria del Carmen, Marcelino Galo, Neusa Cadore, Paulo Rangel, Rosemberg Pinto e Zé Raimundo.
No documento, o petista diz que, desde muito jovem, Abdias iniciou sua luta contra o racismo e, na década de 30, engajou-se na Frente Negra Brasileira. Nessa mesma década, em 1938, ele se formou em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E, em 1944, fundou o Teatro Experimental do Negro.

LUTA

Já o deputado Roberto Carlos refez a trajetória de Abdias dentro do PDT, partido que o homenageado ajudou a fundar. "O PDT foi o primeiro partido brasileiro a criar uma estrutura interna dedicada à luta contra a discriminação racial. A criação da Secretaria do Movimento Negro do PDT significou entregar aos próprios negros a condução de suas propostas e políticas específicas", afirmou o parlamentar, creditando a Abdias a promoção desses movimentos.
O deputado Álvaro Gomes (PC do B) contou que, em 1936, Abdias foi preso no Rio de Janeiro por lutar contra a ditadura do Estado Novo. "Ele foi condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional e cumpriu pena na Penitenciária da Frei Caneca, em 1937. No ano seguinte, juntamente com estudantes negros de Campinas, promoveu o Congresso Afro-Campineiro, com intuito de organizar a resistência à discriminação racial", observou Álvaro na moção de pesar apresentada na AL.
De acordo com o deputado comunista, Abdias encontrou no teatro e na poesia um veículo de protesto contra o racismo. Integrou o Santa Hermandad Orquídea, grupo de poetas argentinos e brasileiros, nos anos 40, e fundou o Teatro Experimental do Negro, com apoio da intelectualidade carioca. "Ao retornar ao Brasil de uma viagem por países da América do Sul, realizando palestras na Escola de Economia da Universidad Mayor de San Marcos, no Peru, Abdias foi na Penitenciária do Carandiru, onde fundou o Teatro do Sentenciado, juntamente com outros detentos", acrescentou ele.
Na política partidária, Abdias assumiu como suplente uma cadeira de deputado federal, pelo PDT-RJ, em 1983. A convite da ONU, participou, em São José, na Costa Rica, do Simpósio Regional da América Latina em Apoio à Luta pela Independência do Povo da Namíbia. Foi ainda secretário Extraordinário de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Estado do Rio de Janeiro e da pasta de Direitos Humanos e Cidadania, além de senador da República (1991/99), na condição de suplente do senador Darcy Ribeiro (PDT).



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