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Instalação da Ronda Familiar é debatida em audiência pública

Publicado em: 25/05/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Comissão Especial de Promoção da Igualdade tratou do caráter educacional da Polícia Militar
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O caráter humanista e educacional da Polícia Militar na Bahia voltou a ser debatido ontem na Assembleia Legislativa, em audiência pública da Comissão Especial de Promoção da Igualdade, que reafirmou a necessidade de ser instalada oficialmente a Ronda Familiar na estrutura da corporação.
O projeto foi sugerido ao governo do Estado há mais de um ano pelo deputado petista Bira Corôa, em indicação onde ressalta que, através dele, haveria uma "mudança de paradigma, quando o Estado deixa de ser um ente repressor e passa a ser parceiro da comunidade na promoção da paz, passando a ser visto como agente protetor."
E aproximar a polícia da sociedade, através de ações educativas e de prevenção à violência, é a base da proposta de criação da Ronda Familiar, projeto que extra-oficialmente está sendo posto em prática na 48a CIPM, em Sussuarana, onde há visível melhoria nas relações entre a corporação e a comunidade, que, por sinal, prestigiou a audiência de ontem através da presença de alunos, diretores escolares e líderes comunitários.
O sucesso do projeto foi ressaltado pelo major PM Antônio César da Silva Santos, comandante da 48a CIPM, para quem a Polícia Militar precisa "abandonar os preconceitos e avançar rumo ao futuro, construindo uma polícia humanista sem abandonar a estrutura exitosa já existente na corporação."
Pela unidade de Sussuarana e a eventual oficialização do I Núcleo de Policiamento Humanitário (NPHBA), igualmente em funcionamento através de trabalho conjunto voluntário de oficiais, educadores, religiosos e comunidade, se verá o que é possível fazer na Bahia em termos de prevenção e educação contra o crime, ressaltou o sargento Absolon, pioneiro e entusiasta deste tipo de ação.
A polícia, no desempenho da sua função de educadora de jovens contra a violência e a criminalidade, terá que "usar mais a fala do que a arma", prega Absolon, defensor de um modelo eminentemente baiano e participativo da corporação. E esse modelo, para ele, é a Ronda Familiar. "O governador Wagner acredita na PM e nós acreditamos em nós mesmos", pregou Absolon, ao sustentar, mais uma vez, que "devemos ser gestores das nossas ideias."

UNIÃO

Para o major Vandilson, a segurança pública, dever constitucional do Estado "através do seu braço armado", que são as polícias, precisa ser encarada como função de todos os cidadãos e o projeto da Ronda Familiar é uma oportunidade de provocar a união de diferentes segmentos sociais no combate à violência e ao crime através, sobretudo, da educação e da reestruturação familiar. O policial remete à violência doméstica e ao uso de drogas (incluindo-se as legalizadas) dentro de casa como exemplos negativos aos jovens, sendo essa também uma razão para o aumento da violência social.
O deputado Bira Corôa, presidente da Comissão de Promoção da Igualdade, faz coro e, já na justificativa da sua indicação, em março do ano passado, afirmava que "a violência doméstica, a desigualdade nas relações de gênero no âmbito familiar, consumo de drogas lícitas e ilícitas, dentre outras mazelas sociais, desestabilizam e corrompem o lar, os laços afetivos e a orientação que é inerente ao papel dos pais". E uma "polícia cidadã, que tenha a sociedade como parceira" pode ajudar a minorar esta situação, acha o deputado.

HISTÓRICO

Surgido em Vitória da Conquista, o projeto da Ronda Familiar tem uma proposta educativa e de integração da família e força policial. "Outra característica é o incentivo à capacitação dos militares, privilegiando ações com ênfase no diálogo e na composição de conflitos, ao invés do uso da força", diz Bira Corôa na indicação ao governo do Estado, lembrando "por fim, que o projeto tem por base a experiência internacional, predominantemente a norte-americana, baseada na filosofia da Polícia Comunitária. Nesse sistema, a participação social é privilegiada, de forma que todas as forças vivas da comunidade são envolvidas na busca de mais segurança, nos serviços ligados ao bem comum e na busca de soluções criativas para seus problemas."



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