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Assembleia Legislativa celebra os 200 anos da imprensa na Bahia

Publicado em: 20/05/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

O evento, proposto por Luíza Maia, reuniu representantes de diversos segmentos da sociedade
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A Assembleia Legislativa realizou ontem sessão especial para comemorar os 200 anos da imprensa na Bahia. O evento foi proposto pela deputada Luíza Maia (PT) e reuniu representantes de diversos segmentos da comunicação baiana, além de autoridades civis e militares. "Nutro profundo respeito pelo papel social exercido pelos mais diversos veículos de comunicação, que são vitais para a consolidação da democracia", declarou a parlamentar em seu pronunciamento de abertura, destacando que não "há democracia sem uma imprensa forte e vice-versa". A data refere-se à impressão do primeiro jornal baiano, o Idade d’Ouro, em 14 de maio de 1811.
Luíza Maia adiantou o que seria tratado por outros palestrantes ao longo da tarde, defendendo o direito à informação de forma livre, soberana e universal. "Por mais negativa e contrária que seja a notícia, tenham certeza de que ela é muito melhor do que a falsa-verdade oriunda do crivo dos censores", disse. Ao falar do papel integrador que os meios de comunicação exercem em um "estado de dimensões nacionais", a parlamentar relançou a bandeira de "a Bahia não se divide", se colocando contrária à ambição dos municípios do Oeste baiano de formarem o estado do São Francisco.
O pronunciamento rápido e direto de Luíza influenciou quase todos os seguintes, o que repercutiu em uma sessão ágil e participativa, em que se viu uma grande diversidade de opiniões sobre a formação e a situação atual da atividade no país e no estado. Para o presidente da UPB, Luiz Caetano, "chegamos a um bom momento na comunicação baiana". Ele lembrou da modernidade representada pela internet, mas afiançou que não abre mão de ter diariamente exemplares dos jornais A Tarde e Tribuna da Bahia para ler. "Temos problemas, mas estamos avançando."

CONCENTRAÇÃO

O secretário de Comunicação do estado, Robinson Almeida, iniciou o último discurso do evento elogiando Luíza Maia pela iniciativa e "pela capacidade de gerar fatos políticos e trazer ao debate no Parlamento". Ele destacou o papel do rádio como o principal produtor de conteúdo noticioso na Bahia atualmente. Em relação às televisões, lamentou que esta produção esteja muito concentrada e verticalizada e defendeu que um mínimo de 30% da programação seja feita no estado. Segundo ele, a recente regulamentação do Conselho de Comunicação e a criação da própria pasta da qual é titular são avanços alcançados no estado, em função das ideias geradas pelas conferências promovidas pelo governo para tratar de comunicação, que reuniram mais de duas mil pessoas.
O diretor da Faculdade de Comunicação da Ufba, Giovandro Ferreira, fez um paralelo entre o desenvolvimento da democracia e da imprensa no mundo, citou o filósofo Marshall Macluhan ao considerar que a mídia forma verdadeira prótese técnica do ser humano para concluir defendendo a democratização das comunicações. Já o deputado federal Emiliano José utilizou boa parte do pronunciamento para lembrar de sua carreira jornalística na Tribuna da Bahia, citando vários colegas, alguns dos quais presentes ontem. "A política e o jornalismo são a definição da minha vida", disse.
Em função desta dedicação, Emiliano contou que vem abraçando no Congresso Nacional a causa da democratização defendida por Giovandro. "É preciso regulamentar as comunicações do Brasil de outro modo", defendeu, ressaltando que o país precisa ser revelado por uma pluralidade de vozes e não das poucas que estão no Centro-Sul. "Antes tínhamos 15 jornalistas em uma sucursal em Salvador e hoje, às vezes, nenhum", informou, complementando: "Os grandes jornais não cobrem o Brasil."
A situação atual das redações baianas foi abordada pela presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), Marjorie Moura. Ela criticou a precarização da profissão, após a Justiça considerar desnecessário o diploma para a atividade, e denunciou más condições de trabalho, com jornadas exaustivas, que vão muito além das cinco horas diárias.
O presidente da ABI, Walter Pinheiro, disse que "todos hoje podemos ser jornalistas", dada à facilidade tecnológica para oferecer informação e imagem para o mundo. Nesse aspecto, ele disse que é preciso defender a ética na imprensa. Vice-presidente da ABI, Ernesto Marques ocupou a tribuna para pedir melhores condições de trabalho para os profissionais que cobrem a Assembleia Legislativa. Ele avalia que o espaço reservado para a cobertura jornalística se tornou pequeno em função do maior número de profissionais que acompanham os trabalhos. Ele defendeu ainda o direito ao conhecimento dos fatos havidos durante a ditadura militar, anunciando a vinda para a Bahia da secretária federal dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, para tratar do assunto.
Representantes de organizações não-governamentais, Ricardo Luzbel, presidente da recém-criada Associação Baiana de Jornalismo Digital, e Joviniano Neto, do Grupo Tortura Nunca Mais, avaliaram o trabalho da imprensa sob a ótica de suas organizações.



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