A Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa esteve em Paulo Afonso no último dia 13 para avaliar as necessidades da população, especialmente aqueles segmentos de mais baixa renda, nessa área tão vital. Para atingir tal objetivo, os parlamentares visitaram unidades de saúde, reuniram-se com prefeitos da região e com representantes da sociedade. Adoentado, o presidente do colegiado, deputado Pastor José de Arimatéia (PRB), não pôde viajar e foi representado pelo deputado Mário Negromonte Júnior (PP), que é um dos deputados do Legislativo que têm votação maciça no município.
A comissão comprovou que a estrutura física do Hospital Nair Alves de Souza está bem conservada e limpa, não se percebendo pacientes nos corredores ou tumulto na recepção. Apesar disso, os integrantes do colegiado constataram a inadequação da atual estrutura de atendimento em relação à demanda dessa cidade, que está em crescimento acelerado e é polo de uma região com municípios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Ficou patente que o Hospital Nair Alves Souza, referência da região, necessita de aumento significativo de leitos, de contratações de profissionais e da aquisição de aparelhos hospitalares específicos. Os parlamentares estiveram também no Hospital Municipal de Paulo Afonso (HMPA), que também tem estrutura insuficiente.
FRONTEIRA
Localizado numa região de fronteira com os estados vizinhos de Sergipe, Alagoas e Pernambuco, aquela casa de saúde recebe pacientes de municípios de todos esses estados – além de atender a população da cidade e municípios circunvizinhos. Para o deputado do Partido Popular, "é evidente que estão fazendo o máximo, mas, também, é claro que precisam ampliar a capacidade de atendimento, precisam de um maior número de médicos, mais leitos para atender melhor a população". O Hospital Nair Alves, de propriedade da Chesf, é mantido pela própria companhia em parceria com Sistema Único de Saúde (SUS). Para Mário Negromonte Júnior, as carências regionais foram identificadas e uma solução deverá ser buscada pelos integrantes do colegiado junto à Secretaria da Saúde do Estado.
Também integrando a comitiva, os deputados Eures Ribeiro (PV) e Pastor Sargento Isidório (PSC) entenderam que é necessária a ampliação do nível de atendimento atual. A cota mensal do SUS é de 580 Autorizações para Internação Hospitalar (AIH), o que gera receita de R$ 300 mil reais. A unidade possui 105 leitos, para atender a um raio de mais de 100 km, uma média aproximada de 500 mil habitantes. Atendem a cirurgias de urgência e eletivas de média complexidade. No total, são mais de 7.500 atendimentos no mês.
O administrador-geral do hospital, doutor Reinaldo Teixeira, informou que, por uma questão profissional e humanitária, todos os casos de emergência que chegam à unidade são atendidos, mas quando os pacientes são oriundos de outros estados, infelizmente, não se consegue o ressarcimento pelo atendimento. Este aspecto provoca mudança no planejamento do hospital. Adriana Caminha, diretora médica, revelou que, devido à demanda excessiva e estas cirurgias de emergência, às vezes se faz necessário adotar um remanejamento interno de leitos, desmarcando e remarcando cirurgias eletivas, não emergenciais.
COMPENSAÇÃO
"Já que, além dos municípios baianos, aqui se atende a outros estados, o Ministério da Saúde deveria recompensar o hospital por isso, como se fosse uma pactuação federal", ressaltou o deputado Pastor Sargento Isidório. A prefeita da cidade de Glória – município vizinho –, Vilma Negromonte, autoridades políticas e a imprensa local juntaram-se à comitiva. Ela lamentou esse trânsito de pacientes e disse que lhe "dói é quando perdemos um paciente nas estradas, já que, muitas vezes, temos que deslocar a ambulância para Aracaju, pois aqui não conseguimos atendimento". Para ela, o trabalho realizado no hospital deveria ser recompensado pelo governo federal.
Os parlamentares dirigiram-se para o Hospital Municipal de Paulo Afonso (HMPA), objetivando descobrir o que levou aquela unidade a fechar sua maternidade, fato que ampliou a sobrecarga no Nair Alves.
Nos dois hospitais, o deputado Eures Ribeiro salientou o caráter apolítico da comissão. "Vamos realizar visitas em vários hospitais. Não fazemos política com saúde. Depois dessas nossas visitas, prepararemos um relatório e, em uma audiência pública na Assembleia, evidenciaremos as nossas constatações à sociedade e ao governador, buscando colaborar na melhora da saúde no estado", afirmou. A complexidade e a amplitude do tema levaram o deputado Mário Negromonte Júnior a defender a criação de uma fundação para melhor administrar essa unidade, que necessita de investimentos – de valor superior à capacidade municipal.
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