MÍDIA CENTER

Aniversário de 40 anos da Embasa é destacado no Legislativo baiano

Publicado em: 13/05/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Os trabalhos, prestigiados por diversas autoridades, foram conduzidos por Marcelo Nilo
Foto:

A Assembleia Legislativa realizou na tarde de ontem sessão especial para comemorar o 40º aniversário da Embasa e, a julgar pela totalidade dos pronunciamentos proferidos, são muitos os motivos para comemoração. O evento foi proposto pelo deputado Zé Neto (PT), que contou a história da empresa em seu discurso, lembrando que, no início da década passada, ela quase foi privatizada sob o argumento de ineficiência, mas que hoje é uma das três melhores do país no setor.
"O exemplo do programa Água para Todos é prova disso", avaliou, ressaltando que o governo federal está copiando o programa. Para ele, o que está mudando é o modelo de desenvolvimento. "O interior agora é a bola da vez", disse, considerando que, no passado, poucas pessoas davam importância ao saneamento, mas que os paradigmas estão mudando. "No começo do governo Jaques Wagner, a cobertura de esgoto era de 32% e este ano chegaremos a 85%", enalteceu.

MODERNIZAÇÃO

O parlamentar fez questão de elogiar o bom trabalho dos servidores e disse que, se as outras empresas públicas seguissem o mesmo modelo de produtividade, o Estado seria muito mais eficiente. Para ele, a data da virada foi 1992, quando a Embasa assinou contrato de financiamento com o Banco Mundial, dentro do Programa de Modernização do Setor de Saneamento.
A sessão foi conduzida em parte pelo presidente Marcelo Nilo (PDT), que construiu uma importante trajetória profissional na Embasa. "Entrei como estagiário e saí como presidente", resumiu, ponderando que, com apenas 28 anos, talvez fosse ainda muito jovem para a função. "A Embasa me ensinou a ser engenheiro e a conviver com o contraditório", disse, lembrando de suas refregas com o Sindae e o então presidente do sindicato, Paulo Jackson. "Na ocasião, estávamos em lados opostos, mas os objetivos eram os mesmos", considerou, lembrando que deixou a empresa para assumir o primeiro de seis mandatos, onde reencontrou Jackson, desta vez como aliado da oposição.

SANEAMENTO

O ex-deputado Paulo Jackson, cujo aniversário de morte na próxima quinta-feira foi lembrado pelo presidente da Embasa, Abelardo Oliveira, foi presença constante nos pronunciamentos. Profissional de carreira e destacado dirigente do Sindae, trouxe ao Parlamento a preocupação com o tema. O vereador Gilmar Santiago, por exemplo, disse que foi Jackson quem priorizou o debate sobre a necessidade em se investir em saneamento.
Quem pôde participar do desenvolvimento da Embasa também foi Cícero Monteiro, secretário do Desenvolvimento Urbano. Assim como Nilo, ele também começou como estagiário e permaneceu por 30 anos. Para o secretário, a boa atuação da Embasa, "que vem num momento de recuperação e numa pujança de desenvolvimento", significa saúde para o baiano. Ele destacou também que o saneamento básico é um dos três pilares do desenvolvimento urbano (os outros são gestão territorial e mobilidade urbana e habitação). Ao final do pronunciamento, agradeceu ao governador por ter priorizado abastecimento e saneamento, lembrando que o programa Água para Todos contratou mais de R$ 3 bilhões em investimento, sendo a Embasa a principal executora, juntamente com a Cerb, a CAR e a Conder.
O secretário da Comunicação Social, Robinson Almeida, por sua vez, disse que "há uma revolução em curso no interior", depois do advento da água em diversas regiões que viviam na base da lata d’água. Em sua fala, ele lembrou que o trabalho em diversos municípios vem atrapalhando o dia a dia da população, mas que está trazendo os benefícios do saneamento nas grandes cidades baianas.

PRIVATIZAÇÃO

O deputado Rosemberg Pinto (PT), que, como petroleiro, participou da campanha contra a privatização da Embasa, lembrou da mobilização social e da atuação de Paulo Jackson. Ele foi o primeiro a tratar do tema que mobilizou a oposição esta semana, ao elogiar a empresa por "promover eventos para comemorar os 40 anos de sucesso". Já o coordenador-geral do Sindae, Adílson Bonfim, revelou preocupação com a vigência da lei que permite a privatização do setor. "É preciso que os deputados revoguem esta lei", defendeu.
Maria del Carmem (PT) defendeu o mérito da festa que será realizada no Wet’n Wild. "Os que criticam atualmente não olham para trás, para ver a Embasa que era antes", disse, lembrando que a empresa é hoje capaz de contratar bilhões de reais em financiamento. Essa comparação também foi feita por Abelardo, que chegou a lembrar que, em 2007, a empresa não teve cacife para captar R$ 45 milhões de empréstimo.
A deputada Fátima Nunes (PT) falou com a voz que veio do sertão e lembrou das mulheres de Cícero Dantas que lhe pediram uma solução para a lata d’água na cabeça, durante a posse de Wagner, em 2006. "Poucos meses depois, o problema acabou, não tem lata na cabeça, é água para todos!", enfatizou. O deputado Bira Corôa (PT) avaliou que o Sindae se tornou uma referência na luta sindical. Por outro lado, ele diz que a insatisfação da oposição com a Embasa "é porque não passava pela cabeça deles que a empresa fizesse programas importantes como o Água para Todos".
A deputada Neusa Cadore (PT) ocupou a tribuna para dizer que a maior comemoração pela Embasa está ocorrendo "onde a gente não vê", que é no interior, nos povoados. "Não fosse nosso governo e a determinação da empresa de levar água, não estaríamos aqui hoje comemorando", disse. O presidente do Sindicato das Empresas de Construção (Sinduscon), Carlos Alberto Vieira Lima, deu seu depoimento, elogiando a Embasa por dar oportunidade a todos os segmentos como prestadores de serviços.
Abelardo fez o último e o maior pronunciamento da sessão, mas procurou acelerar sua apresentação. Foi difícil. Ele discorreu sobre os detalhes gerenciais que garantiram a eficiência da empresa, com reconhecimento e premiação nacionais, com atendimento a 361 dos 417 municípios baianos, sendo que outros 20 estão interessados em contratar a companhia. Defendeu ainda o reajuste da tarifa, dizendo que precisa ter tarifa para poder pleitear recursos da ordem de R$ 17 milhões para tocar o programa de universalização da água. "A tarifa social vai passar a custar R$7 por dez mil litros. São duas cervejas!", comparou.
O dirigente anunciou para este mês a inauguração do emissário submarino da Boca do Rio e disse que o show de Daniela Mercury custará à Embasa R$130 mil, informação que vinha sendo pleiteada na Assembleia. Ele defendeu a área de promoções da empresa, dizendo que é importante investir em eventos como o Carnaval e a Micareta de Feira de Santana. "Tenho orgulho da Embasa patrocinar o futebol do interior", disse, considerando que se tratou também de um bom negócio, pois a marca é veiculada seguidamente em horário nobre por um investimento relativamente baixo.



Compartilhar: