Os deputados Bruno Reis (PRP) e Carlos Geilson (PTN) criticaram de forma dura a implantação de pedágios nas estradas que dão acesso a Camaçari e na BR-324, na sessão especial realizada na última sexta-feira por solicitação da deputada Luiza Maia (PT), evidenciando a oposição que fazem ao processo em curso. Os parlamentares estenderam suas críticas ao terreno político, lembrando que o Partido dos Trabalhadores protestou vivamente quando da implantação da primeira praça de pedágio da Bahia, na Linha Verde, através de suas mais importantes lideranças – inclusive o governador Jaques Wagner.
Para Bruno Reis, não é concebível o sistema adotado pela concessionária da Salvador-Feira, a Via Bahia, de passar a cobrar pedágio sem atender ao requisito legal de existir, pelo menos, uma via alternativa à disposição dos motoristas que não quiserem arcar com a cobrança. Ele estranhou ainda o absurdo atraso nessa viagem de pouco mais de 100 quilômetros após a instalação das duas praças de pedágio, pois no feriado da Semana Santa, para se cobrir esse trajeto, foram necessárias seis horas e atacou a inexistência de obras no local – exceto a construção das referidas praças de pedágio.
Quanto a Camaçari, o deputado do PRP considera a situação como "anômala", pois no sistema em implantação a cidade ficará completamente ilhada e só pagando se poderá ingressar ou sair desse município. Bruno Reis ironizou com a coincidência da Bahia estar prestes a possuir 13 praças de pedágio, número do Partido dos Trabalhadores na Justiça Eleitoral, sem que as rodovias que tiveram a concessão repassada para a iniciativa privada tenham recebido melhoramentos correspondentes, pois quando muito foi executada uma operação tapa-buracos e a roçagem do canteiro central da BR-324.
ALTO CUSTO
Por seu lado, o deputado Carlos Geilson, que reside em Feira de Santana e, portanto, precisa trafegar diariamente nessa estrada, registrou a incoerência política da atual administração estadual em adotar um modelo que abominava até chegar ao poder e o alto custo dos nossos pedágios. Revelou ainda que a Bahia é o único estado do Nordeste a fazer esse tipo de cobrança, sendo exceção uma ponte no Ceará, que tem tarifa de R$2 para carros e R$1 para motocicletas.
Ele mandou fazer um levantamento do custo dos pedágios em estados do Sudeste e, de posse dos recibos, demonstrou que um caminhão paga R$ 8,40 para ir de Salvador a Feira de Santana, contra R$ 4,50 na autopista Régis Bittencourt ou R$ 3,60 na Fernão Dias ou ainda R$ 3,30 na autopista Litoral Sul, no Paraná. Para Carlos Geilson, o pedágio na Bahia é caro e as estradas estão em péssimo estado de conservação. Afirmou que existe problema também na BR-116 Sul. O parlamentar não concorda com a passividade da administração estadual para com as concessionárias, que, além de atrapalhar o trânsito com máquinas roçando canteiros ou remendar trechos de uma forma que o conserto não resiste a uma chuva, são culpadas por enormes engarrafamentos – que vão piorar na Feira-Salvador quando outra praça de pedágio estiver em ação.
Os dois deixaram seus protestos consignados na sessão especial e lamentaram ainda a falta de critérios para as cobranças, pois na BR-324, entre as praças existe uma distância de 40 quilômetros, já com relação a Camaçari esse espaço desce para cerca de 10 quilômetros. Bruno Reis acrescentou a situação de Pojuca que, a depender do roteiro, é preciso o pagamento de três pedágios para se chegar àquele município e lamentou a retirada do Posto da PM perto de Camaçari e do serviço de socorro Anjos do Asfalto.
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