Em um evento bastante concorrido, realizado no saguão Nestor Duarte na Assembleia Legislativa da Bahia, foi lançado ontem o livro A Grande Viagem, de Guilherme Radel, professor emérito da Escola Politécnica da Ufba, mestre de gerações de engenheiros baianos que, após aposentadoria compulsória, abraçou a literatura. O lançamento contou com a presença do presidente da Casa, Marcelo Nilo, e do presidente da Academia Baiana de Letras, Aramis Ribeiro Costa.
A sessão plenária, que estava em andamento, foi interrompida às 17h30 para que o evento fosse realizado, o que possibilitou que mais de 30 deputados também participassem do lançamento. Além de A Grande Viagem, Guilherme Radel escreveu outros 14 livros, inclusive na área de gastronomia com uma elogiada trilogia sobre culinária baiana.
A indicação de A Grande Viagem para publicação pela AL foi do jornalista, escritor e acadêmico Joacy Góes, ex-aluno e amigo de Radel, que leu os originais e ficou impressionado com a qualidade literária do romance. Aramis Ribeiro Costa escreveu a orelha desse volume editado por Bira Paim, com capa de Vado Alves. O livro tem 417 páginas.
O autor agradeceu a Joacy Góes pela indicação e ao presidente Marcelo Nilo e à Casa pela publicação do livro, revelando que já estava há três anos procurando uma editora interessada. "Hoje, vivemos uma fase horrível em relação a edição de livros. A mídia só dá destaque aos escritores estrangeiros e quando um brasileiro consegue furar esse bloqueio é quase sempre por que é jornalista desses mesmos meios", afirmou o escritor.
INFLUÊNCIA
Marcelo Nilo contou que Aramis Ribeiro Costa teve grande influência na sua vida, afirmando que foi nas aulas de Hidráulica, na Escola Politécnica, ministradas por ele, que o levaram a se interessar por saneamento básico, o que o levou a buscar um estágio na Embasa, onde ingressou e chegou à presidência da empresa. "Os deuses têm sido muito generosos comigo. Ser presidente do Legislativo baiano e poder participar do lançamento desse livro é um momento ímpar na minha vida", ressaltou o presidente.
Ele disse também que o programa editorial da Casa é uma prioridade da sua gestão, pela contribuição oferecida pelo parlamento para a cultura baiana e preservação de nossa história e tradições. "Publicamos livros que estão fora do catálogo, obras que são significativas e que não podem ficar esquecidas. Também estamos incentivando jovens escritores e resgatando obras de grande valor literário que não têm sido aproveitadas pelas editoras tradicionais", afirmou Marcelo Nilo.
Para o empresário, escritor, acadêmico e jornalista Joacy Góes, Guilherme Radel é o maior polígrafo vivo do Brasil, ressaltando que houve apenas outro baiano capaz de rivalizar com ele quanto à amplitude temática – Afrânio Peixoto. Joacy lembra que, apesar de ser engenheiro e professor universitário, Radel escreveu peças de teatro, romances, livros de culinária, guias de pecuária, entre outros.
Na atual gestão, já foram editados 53 livros pela Assembleia Legislativa. Eles são distribuídos para cerca de 650 bibliotecas existentes na Bahia (a maioria em escolas da rede pública), presídios, ONGs e outras entidades da sociedade civil. O programa editorial executado pelo Legislativo funciona também como elo de aproximação da Casa de instituições como a Academia de Letras da Bahia, Universidade Federal da Bahia, Museu Eugênio Teixeira Leal, Associação Comercial da Bahia, Fundação Casa de Jorge Amado, Câmara Bahiana do Livro, Associação Brasileira de Médicos Escritores e outras entidades afins através de convênios para a edição e publicação de livros.
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