A Assembleia Legislativa lança hoje, às 16h30, no saguão Nestor Duarte, o livro A Grande Viagem, de Guilherme Radel, professor emérito da Escola Politécnica da Ufba, mestre de gerações de engenheiros que, depois de ser atingido pela aposentadoria compulsória, abraçou a literatura – inclusive a gastronômica com uma elogiada trilogia sobre culinária baiana. A indicação desse livro para publicação foi do jornalista, escritor e acadêmico Joacy Góes, ex-aluno e amigo de Radel, que leu os originais e ficou impressionado com a qualidade literária do romance.
Guilherme Radel escreveu outros 14 livros além de A Grande Viagem, um romance que tem como personagem principal um fora da lei. Nada estranho para um escritor que já disse que o mal sempre vence, como salienta João Cézar Pierobont, autor do posfácio da presente edição. O presidente da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa, escreveu a orelha desse volume editado por Bira Paim, com capa de Vado Alves. O livro tem 417 páginas.
INCENTIVO
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, considera prioritário o programa editorial da Casa, pela contribuição oferecida pelo parlamento para a cultura baiana e preservação de nossa história e tradições. Ele frisa ainda a inexistência de competição com as editoras privadas, pois o Legislativo supre lacuna existente no mercado baiano. "Publicamos livros que estão fora do catálogo, obras significativas e que não podem ficar restritas aos sebos muitas vezes com preços proibitivos. Incentivamos jovens escritores a entrar nesse estreito espaço e regatamos obras de alto teor literário não assimiladas pelas empresas que atuam aqui."
É o caso de A Grande Viagem, romance complexo que, apesar de elaborado e escrito por um mestre na essência da palavra, não tinha ainda encontrado editora para publicá-lo, completou ele. Para o empresário, escritor, acadêmico e jornalista Joaci Góes, Guilherme Radel é o maior polígrafo vivo do Brasil, ressaltando que houve apenas outro baiano capaz de rivalizar com ele quanto à amplitude temática – Afrânio Peixoto. Joacy lembra que, apesar de ser engenheiro e professor universitário, Radel escreveu peças de teatro, romances, livros de culinária, guias de pecuária, entre outros.
LEITURAS
Guilherme Radel assegura que entre os motivos que o levaram a se tornar escritor está o fato de ter ensinado, de ter sido sempre "viciado" em leituras, especialmente durante a infância e a adolescência, além de ter afinidade com a gramática. Dentre seus livros, tem uma estima especial por Um dos Diálogos que Platão não Escreveu, que já foi publicado na íntegra pelo jornal O Estado de São Paulo. A respeito de seus três livros sobre a cozinha da Bahia, Radel comentou que "a civilização nasce com a culinária" e ainda que esta é um dos quatro pilares da cultura de um povo – "é fundamental e deve ser estudada e divulgada", afirmou.
O assessor da Presidência para assuntos de cultura, professor Délio Pinheiro, informa ainda que os livros editados pela Assembleia Legislativa são distribuídos para cerca de 650 bibliotecas existentes na Bahia (a maioria em escolas da rede pública), presídios, ONGs e outras entidades da sociedade civil. Ele salienta que o programa editorial executado pelo Legislativo funciona também como elo de aproximação da Casa de instituições como a Academia de Letras da Bahia, Universidade Federal da Bahia, Museu Eugênio Teixeira Leal, Associação Comercial da Bahia, Fundação Casa de Jorge Amado, Câmara Bahiana do Livro, Associação Brasileira de Médicos Escritores e outras entidades afins através de convênios para a edição e publicação de livros.
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