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Colegiado promove audiência contra a intolerância religiosa

Publicado em: 25/04/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

O presidente da Comissão Especial de Promoção da Igualdade, deputado Bira Corôa, disse que o respeito à diversidade é fundamental
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A audiência pública promovida ontem pela Comissão Especial de Promoção da Igualdade da Assembleia Legislativa, na Cidade do Saber, em Camaçari, foi considerada pelos participantes do evento como novo marco na luta contra a intolerância religiosa não só na cidade, mas sim em todo o estado. "Viemos ouvir todos os lados. Porém, temos uma certeza, precisamos fazer respeitar a que garante a Constituição. E intolerância e racismo são crime perante a lei", afirmou o presidente do colegiado, o deputado petista Bira Corôa.
Para o presidente, este fato, apesar de ser lamentável, mesmo que ainda esteja no processo de investigação, já serviu como demarcador de uma nova postura que passará a ser adotada no estado. Tal pensamento foi ampliado pelo vice-presidente do colegiado, deputado Carlos Geilson (PTN). "Precisamos construir uma consciência coletiva de que ninguém é melhor que ninguém, que nenhuma religião é melhor que outra. Temos que aprender a viver de forma harmoniosa, primando pelo diálogo", destacou.

DENÚNCIA

"Ele disse que Zumbi dos Palmares não podia ser nome de escola. Que lugar de macumba não é lugar de criança estudar. Que a merenda escolar era oferenda para satanás e que em nossos rituais sacrificávamos crianças", desabafou o Tatá Ricardo Tavares, inkissi do terreiro Lembá, relatando sobre a atitude do suposto evangélico Arailton Rodrigues (que foi convidado e não compareceu ao evento), que deflagrou uma campanha contra o funcionamento de uma escola municipal, construída em um terreno cedido pelo terreiro, mas que segue o mesmo currículo pedagógico adotado pela Secretaria de Educação de Camaçari.
Além destas acusações, que para o vereador José Marcelino (PT) são provas claras de racismo e intolerância, Arailton denunciou que a escola foi construída em área contaminada quimicamente. "Esta informação já foi desqualificada pelos órgãos competentes. A escola pode funcionar onde está", frisou. "Temos uma escola funcionando em uma igreja evangélica, outra em um centro espírita. Então, qual é o problema de existir uma escola em um terreiro de candomblé"? questionou o prefeito da cidade, Luiz Caetano, afirmando que esta atitude "ruim", não pode só repercutir negativamente. Para o prefeito, é necessário mostrar para a sociedade como um todo que estas atitudes não devem se proliferar. "Temos que estar todos juntos para fazer uma sociedade mais justa e igualitária", concluiu.
Para o Pastor Paulo Passos, que também revelou não ver problema no funcionamento da escola, a atitude deste "suposto evangélico" não deve ser considerada como uma marca das igrejas cristãs. "Em nossa igreja, não comungamos com este procedimento. Mas este momento é importante, pois é na adversidade que se cresce. Defendo a ideia de que podemos não concordar um com o outro, mas quem descrimina merece cadeia."

COMPROMISSOS

Neste encontro, as diversas autoridades municipais, secretários, representantes de órgãos estaduais, de movimentos sociais, organizações não-governamentais e representantes das igrejas evangélicas e dos terreiros de candomblé presentes assumiram divulgar e promover ações conjuntas, formando uma caravana da cidadania itinerante, na qual sejam acolhidos casos de denúncias acerca desta questão. Esta ação sugerida pela promotora Márcia Virgens ficou mais robusta com a ideia de ampliação do diálogo interreligioso proposto pelo representante do Secretário Estadual da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Marco Resende.



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