O plenário da Assembleia Legislativa da Bahia foi "ocupado" por trabalhadores rurais e lideranças ligadas à luta pela reforma agrária para participar da sessão especial em referência à passagem do Dia Mundial pela Reforma Agrária e pela Luta no Campo. A data remete ao massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, quando 19 trabalhadores rurais do Pará foram mortos pela polícia quando reivindicavam por justiça no campo.
Antes da abertura da sessão, ocorreu uma apresentação teatral que retratou não só a morte dos trabalhadores, mas também fez uma metáfora da ressurreição deles na luta pela reforma agrária. O nome de cada um dos 19 trabalhadores rurais foi dito em voz alta, assim como a forma que eles foram mortos no massacre.
A sessão foi aberta por volta das 10h pelo presidente da AL, deputado Marcelo Nilo (PDT). Ele lembrou que a proposta de realização da sessão especial, proposta pelo deputado Marcelino Galo (PT), foi aprovada por unanimidade entre os parlamentares da Casa. Dirigindo-se aos trabalhadores rurais, Nilo destacou a coragem e a coerência de quem luta pela justiça social no campo. "Nasci na roça e sei o quanto é difícil defender a luta pela reforma agrária", disse.
Em seu discurso, o deputado Marcelino Galo ressaltou que, mesmo 15 anos depois do massacre em Eldorado dos Carajás, não se tem notícia de condenação para os 155 policiais que protagonizaram o ocorrido. "Um trabalhador sobrevivente do massacre, que acompanhou o julgamento, disse que foi constrangedor por que foram todos absolvidos e ainda receberam indenização por danos morais", disse.
O petista defendeu não só a punição dos culpados mas a ampla reforma agrária. "É urgência de primeira ordem para o desenvolvimento do Brasil. Nenhum país pode progredir enquanto seus trabalhadores rurais estejam na miséria", disse, defendendo a aprovação da legislação para impor limite à área da propriedade rural.
O membro da diretoria nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Márcio Matos, lembrou que a Bahia é o estado com o maior número de famílias assentadas, mas fez críticas à ausência de capacitação técnica e educacional para os trabalhadores rurais.
Também ligado ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o deputado federal Valmir Assunção lembrou que não foram 19, mas 22 o número de vítimas do massacre porque outras três morreram dias depois em função dos ferimentos. Além disso, segundo o parlamentar, 69 trabalhadores foram mutilados. "Dos 142 policiais indiciados, dois foram condenados a mais de 100 anos de prisão, mas todos estão em liberdade", lamentou.
Além de centenas de trabalhadores, a sessão contou com a presença dos deputados Joacy Dourado (PT), Neusa Cadore (PT) e Pastor Sargento Isidório (PSB), de representantes de órgãos governamentais, como o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), da Defensoria Pública e entidades ligadas à luta pela reforma agrária. "Setenta por cento dos alimentos que chegam à mesa dos baianos são produzidos pela agricultura familiar", ressaltou Cadore.
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