Terça-feira , 14 de Julho de 2020

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ALBA concede Comenda 2 de Julho ao sambista Nelson Rufino

Publicado em: 17/02/2020 19:02
Setor responsável: Notícia

NeuzaMeenzes/AgênciaALBA
Há poucos dias da abertura oficial do Carnaval de Salvador, o samba ganhou destaque no Parlamento baiano. Por iniciativa do deputado Jacó Lula da Silva (PT), a Assembleia Legislativa concedeu, na manhã desta segunda-feira (17), a Comenda 2 de Julho ao cantor, compositor e sambista Nelson Rufino, em reconhecimento às contribuições do artista ao gênero musical. Em pronunciamento na tribuna de honra, o proponente da sessão especial ressaltou a importância das letras de Rufino para a história da Bahia e fortalecimento da autoestima da população negra, das mulheres e moradores de bairros populares. 

“Essa iniciativa é fruto da compreensão do nosso mandato. O nosso mandato é um consórcio de agrupamento de movimentos sociais de diversas áreas, desde o movimento negro, passando pelos movimentos indígenas, LGBT. Esta homenagem a Nelson Rufino é um reconhecimento meu e dos movimentos sociais de um modo geral, que sabem como este artista baiano, através do que escreveu e escreve, defendeu a valorização de grupos sociais pouco amparados”, afirmou Jacó. 
A deputada Olívia Santana (PC do B) endossou as palavras do colega de Parlamento. Para a comunista, Nelson Rufino “é um dos sambistas mais importantes desta constelação de sambistas baianos. Essa presença da Bahia no panteão do samba nacional deve muito a Rufino. As canções dele têm uma relação muito forte com o povo baiano, com o movimento negro, das mulheres baianas. A Assembleia Legislativa fica maior com essa merecida homenagem a este grande homem”, enfatizou.

Com o plenário cheio de sambistas, amigos e familiares de Nelson Rufino, o encontro foi repleto de homenagens em forma de música. Já no começo do evento, o homenageado foi conduzido à mesa do Plenário Orlando Spínola ao som de “Todo Menino é um Rei”, pelo grupo Vivavoz, um coral com 13 mulheres sambistas. De acordo com a líder do grupo, Mazé Lúcio, o ato é uma forma de respeito à velha guarda do samba baiano. 

“Muito importante realizar uma homenagem em vida. A velha guarda da Bahia jamais poderá ser esquecida. Esta velha guarda tem respaldo em todo o Brasil, e não perdeu espaço nem com o trio elétrico. Agradeço a Nelson pelo o que ele fez pelo samba. Talvez ele não tenha dimensão do alcance do que escreveu. As suas músicas estão deixando de ser samba para ser uma espécie de oração”, afirmou. 
Um dos maiores nomes do samba brasileiro, Nelson Rufino teve uma curta fase como jogador de futebol antes de se consolidar na música. Para o vereador de Salvador, Moisés Rocha, o insucesso de Rufino nas quatro linhas virou um grande presente para a arte. “Ele contribuiu muito para o samba que também é resistência. O futebol perdeu um jogador de certa qualidade, mas o Brasil ganhou um grande poeta e compositor”, disse Rocha. 

Emocionado, Nelson Rufino recebeu dos familiares a Comenda 2 de Julho, maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa da Bahia. Em pronunciamento, o comendador do samba, como foi anunciado, relembrou episódios marcantes da trajetória na música. Ao final do discurso, se disse um privilegiado apesar da origem simples. “As vezes  me belisco para saber se sou eu mesmo. Ninguém caminha só, e eu tive muitos parceiros que caminharam ao meu lado e contribuíram para a minha história. Hoje a minha palavra é gratidão por tudo. A minha vida é agradecer”.

Referência para muitos artistas, Nelson Rufino também é inspiração para a presidente Nacional da Unegro, Ângela Guimarães. “Ele já está eternizado nas nossas vidas pela beleza das suas canções. Eu sou fã dele. Eu aprendi a ser fã dele nas reuniões de família no Curuzu. Foi fundamental para consolidar o nosso orgulho de sermos negros. A ele toda a nossa gratidão por tudo o que fez com a música de resistência”, afirmou. 

Além dos citados, participaram do evento nomes como o deputado Zé Raimundo (PT); o ex-secretário de Turismo, Domingos Leonelli; o diretor geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo; o vereador de Salvador, Moisés Rocha; e o do cantor e compositor Edil Pacheco.


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