Terça-feira , 10 de Dezembro de 2019

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Comissões de Direitos Humanos e Promoção da Igualdade realizam ato ecumênico

Publicado em: 28/11/2019 16:59
Setor responsável: Notícia

Divulgação/AgênciaALBA
Como desdobramento de audiência pública realizada conjuntamente pelos colegiados de Direitos Humanos e Segurança Pública e Especial da Promoção da Igualdade, ocorreu, na manhã desta quinta-feira (28), o ato ecumênico diante do busto de Mãe Gilda, na Lagoa do Abaeté, para debater a intolerância religiosa e reverenciar a memória da religiosa.

O busto de Mãe Gilda foi reverenciado e homenageado com a presença das deputadas Neusa Lula Cadore (PT) e Fátima Nunes Lula (PT); da secretária de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis; da ialorixá de Axé Abassá de Ogum, Jaciara Ribeiro; da pastora da Igreja Presbiteriana Sônia Mota; de Graça Azevedo, sacerdotisa do Templo Casa Telucama; do Padre Lázaro; do Tatá Ricardo, do Terreiro do Lembá; e do babalorixá Ubiraci Ribeiro. Na data de 28 de novembro, o busto completa 5 anos de instalação, localizado na Lagoa do Abaeté. “Este busto é um marco de resistência para os povos de religião de matrizes africanas. Mãe Gilda traz uma história de muita luta e dor”, disse a ialorixá Jaciara Ribeiro, que também é filha biológica da religiosa.

Mãe Gilda teve sua imagem usada numa edição de 1999 da Folha Universal que é publicação da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), ao lado da manchete “Macumbeiros Charlatões Lesam a Bolsa e a Vida dos Clientes — O Mercado da Enganação Cresce no Brasil, mas o Procon Está de Olho”. Esse fato somado a invasão de seu terreiro por membros da igreja Deus é Amor, que tentaram “exorcizá-la”, levaram a mãe de santo a decidir pela ação judicial contra seus agressores e difamadores. Mãe Gilda faleceu em seguida, aos 65 anos, de um infarto fulminante, em consequência, segundo sua família, desses acontecimentos que a abalaram profundamente. 

Em 2004, a Justiça condenou a Iurd a indenizar a família da mãe de santo. O caráter emblemático deste caso levou nesse mesmo ano a Câmara de Vereadores de Salvador a transformar a data de falecimento da mãe de santo, 21/01/2000, em “Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa”.

No ato, a filha da religiosa afirmou a importância da reunião com tantos religiosos juntos para mostrar a sociedade que é possível conviver com a diversidade. “Precisamos levar o sentimento de respeito e acolhimento”. A pastora Sônia Mota disse que a pluralidade é algo divino e declarou que, atualmente, é mais fácil conversar com pessoas de religião de matrizes africanas do que com cristãos. “Sempre que vocês virem alguém usar a Bíblia para destilar ódio, saiba que isso não é o cristianismo, não é fala de amor”. E o padre Lázaro revelou que se sente envergonhado quando utilizam a cruz para chamar a religião de outras pessoas de demônio. 
A presidenta do colegiado de Direitos Humanos e Segurança Pública, deputada Neusa Cadore, disse que o ato ecumênico é de resistência e inspiração. “O Brasil tem uma dívida com a população negra, uma história que ainda é marcada por muita violência. Este evento nos inspira e mostra que somos capazes de viver em comunhão e com respeito”, defendeu.
A deputada Fátima Nunes, presidenta do colegiado de Promoção da Igualdade, afirmou que a luta é por respeito para que cada pessoa seja do jeito que quer ser. “Não podemos conviver com a intolerância”. Para a deputada, é fundamental a parceria entre os colegiados presentes e a Sepromi para fazer valer as Leis – a Constituição Federal e o Estatuto da Igualdade Racial – e para dar oportunidade ao levante da negritude pelos seus direitos. 

A secretária Fabya Reis lembrou que a atividade compõe a Semana da Igualdade Racial Mestre Moa do Katendê, que encerra o Novembro Negro da Bahia. Após o ato, aconteceu o seminário “Heroínas de ontem e de hoje”, que homenageou mulheres negras da luta histórica do combate ao racismo e à intolerância religiosa. “O ato fortalece o nosso lema do Novembro Negro de 2019 que diz 'Todas as vozes contra o racismo e todas as leis contra os racistas'”, enfatizou a secretária. 



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