Segunda-feira , 20 de Maio de 2019

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Assembleia Legislativa da Bahia reverencia memória de Marielle Franco

Publicado em: 14/03/2019 17:56
Setor responsável: Notícia

“Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”. Essa frase vai ficar cunhada na História do Brasil porque foi publicada um dia antes da execução da autora. Ontem (14), completou um ano do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco. Para cobrar providências sobre o crime, a Assembleia Legislativa da Bahia realizou sessão especial com o tema: “Defensores dos Direitos Humanos – Vivas por Marielle”. O deputado Hilton Coelho (PSOL) e as Comissões de Direitos Humanos e dos Direitos da Mulher foram os proponentes do evento.
A morte precoce da vereadora, que tinha uma carreira em ascensão na política – foi a quinta mais votada para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro –, causou comoção no Brasil e no mundo. O caso continua repercutindo porque o crime ainda não foi solucionado. Dois homens foram presos acusados de cometerem o ato, mas familiares, atores políticos e a sociedade querem saber os motivos que levaram a execução e quem são os mandantes.

Correligionário de Marielle, o deputado Hilton Coelho acredita que precisa ser  revelado os mandantes da execução para o Brasil mostrar ao mundo que valoriza a luta de mulheres como a vereadora, e que não admite a impunidade e o crime tão cruel e covarde. Para o parlamentar, o atentado é uma afronta à democracia e à política de segurança pública. 

No momento do crime, o motorista da edil, Anderson Pedro Gomes, também foi atingido e morreu na hora. Pela memória deles, em vários momentos da sessão, ativistas dos direitos humanos, políticos, as secretárias de Estado Julieta Palmeira (SPM), e Fabya Reis, da Promoção da Igualdade Racial, as deputadas Neusa Lula Cadore (PT), presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública, Olívia Santana (PC do B), presidenta da Comissão de Direitos da Mulher e os parlamentares Fátima Nunes Lula (PT), Ivana Bastos (PSD), Rosemberg Lula Pinto (PT), Fabíola Mansur (PSB), Osni Cardoso Lula da Silva (PT), Robinson Almeida Lula (PT) e Jacó Lula da Silva (PT) bradaram para que a barbárie não fique sem resposta e que o desejo de justiça pela sociedade seja minimamente atendido. 

JUSTIÇA 

O Ministério Público e a Polícia Civil do Rio de Janeiro apresentaram o sargento reformado da Polícia Militar, Ronnie Lessa, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz como executores do crime. Ainda foram apreendidos 117 fuzis, exclusivo das Forças Armadas dos Estados Unidos, no valor de 350 mil dólares, na posse de Lessa. Para Olívia Santana, a prisão dos acusados antes da sessão especial acontecer ressignificou o sentido do evento. A deputada acredita que a Assembleia Legislativa é um espaço de pensamento crítico, de reflexão política, de pensar o Brasil.
“Precisamos criar um grande movimento para revogar o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro sobre a posse de armas no País”, disse a a deputada, citando  a chacina cometida no dia 13, na escola em Suzano (SP). “Temos que ter responsabilidade com a vida das pessoas. A existência da arma é só uma: matar”, afirmou. A secretária Fabya Reis concordou com Olívia e afirmou que “não há possibilidade de uma política de segurança que se paute em armar a população”.

A presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Natália Gonçalves, disse que mesmo com a prisão não há nada a ser comemorado. “O Estado brasileiro tem o histórico de matar e deixar morrer. Matar o povo negro é rotina da polícia. Hoje é um dia de lembrar a história de Marielle e também um dia de sentir medo. Nossos inimigos são declarados e possuem mais de 100 fuzis em suas casas”, declarou.

RESISTÊNCIA

Em seu discurso, Neusa Cadore afirmou que com a execução de Marielle o sistema político mostra que se incomoda com negros, pobres e comunidade LGBT. “O sistema persegue com muita crueldade aqueles que militam pelos direitos humanos”. Para Cadore, mesmo com um contexto de uma democracia fragilizada, Marielle vale a luta. 

A petista utilizou uma frase que era comumente usada pela vereadora na tribuna da Câmara do Rio de Janeiro para mostrar que a memória de Marielle vai continuar: “A voz dela não será interrompida”. 

Para Olívia, a luta é para acabar com a cultura do ódio instalado no Brasil durante a última eleição presidencial. Em contrapartida, a deputada anseia “uma cultura de afeto, uma cultura poderosa do amor e da sororidade”.

Já o psolista garante que o Brasil é o país da resistência. “Os fuzis e o discurso dos fascistas jamais serão compatíveis com a semente de coragem que Marielle espalhou por todo mundo. Marielle vive porque ela é uma referência no mundo, vive porque é uma grande heroína nacional”, discursou Hilton Coelho.
Após a sessão, deputados e militantes seguiram para o Tribunal de Justiça da Bahia em marcha para uma série de atos e pedido de justiça pela morte da vereadora e do motorista. 


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