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Íntegra do discurso do presidente Angelo Coronel

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Senhoras, senhores,

Desde já quero desejar ao excelentíssimo governador Rui Costa e ao vice-governador João Leão votos de sucesso neste segundo mandato que se inicia, e que seja um tempo de paz e de prosperidade para os baianos. Deus me concedeu a honra de comandar neste instante, como presidente desta Casa, a cerimônia de posse de dois dos mais importantes políticos da nossa Bahia.

Não quero aqui tecer loas ao governo operoso e trabalhador de Rui Costa e de João Leão: os 76% de votos obtidos nas eleições de outubro falam por si. Foi a maior vitória eleitoral de todos os tempos na Bahia, comprovando o que eu já dizia em campanha: Rui Costa já está no panteão dos grandes governadores que essa terra já teve.

O que quero ressaltar, nesse momento, nas figuras de Rui e de Leão, é a pessoa. Quero falar, amigos e amigas, de gente. Sim, gente comum, com erros e acertos, com sorrisos, mas também com dores. Como qualquer um.

Políticos precisam se livrar dessa aura de semideuses, de que podem tudo, de que são mais especiais do que os outros. Somos ungidos pelo mandato popular, concedido pelo povo: não somos os enviados de Deus.

Talvez, por isso, a classe política esteja desacreditada: acha que pode tudo, superpoderosa, e que ficará impune pelos seus atos. Não pode mais, amigos e amigas. Os tempos são outros. O povo, nas últimas eleições, mostrou que quer mudanças. Acertando ou não, quer transformação. E quem não perceber essa mudança dos ventos para outra direção, vai penar.

Por isso, pessoas como Rui Costa e João Leão foram reconduzidas para o governo da Bahia: porque falam a linguagem do povo.
Leão ainda é o rapaz que chegou em nossa terra, no final da década de 1950, no município de Barra, para desbravar o oeste da Bahia. É o político que quebra não só os protocolos, mas quebra qualquer resistência, quando se dirige a uma pessoa chamando-o de “bonitão”.

Leão vai na contramão desses tempos de fakenews, de negatividade e de ódio, quando muitos se divertem com a dor alheia. O coração está certamente doente quando se alegra com a prisão ou com a morte de alguém. Leão é o sorriso, a palavra empenhada, é a solidariedade. Durante a campanha, quando precisei fazer uma cirurgia de emergência, estava ele, lá, de prontidão, quando saí do centro cirúrgico.

Rui costa, nosso governador, é um outro estilo de fazer política. É o novo estilo que o povo quer. Ele ainda é o menino que nasceu na Liberdade. Mora hoje em um palácio, mas não se esquece do seu povo, das suas origens, da pobreza que viveu na infância.
Muitas das ações do governo de Rui Costa são calcadas na lembrança de sua mãe, D. Luzia. As policlínicas são a sua melhor reposta para que milhares de mulheres não morram por falta do diagnóstico precoce do câncer de mama, como aconteceu com sua mãe, há 24 anos.

Há duas semanas, na cerimônia de diplomação, no Teatro Castro Alves, Rui estava com sua filha Marina no colo. Ainda é uma cena rara na política, contrariando as velhas imagens imperiais, onde os reis nunca aparecem com seus filhos.
Político não pode se esquecer que é pai, filho, marido, irmão, tio, sobrinho, amigo, vizinho.
Os políticos não precisam se reinventar: precisam somente pensar que são gente – como faz o governador Rui Costa - e que milhares padecem, homens e mulheres, por nossa ação ou omissão. A função pública é sagrada e os políticos têm que se impor pela coragem.

Obrigatoriamente, contudo, têm que ouvir a voz das ruas. A voz com sabedoria do povo, como nestes versos de Flávio Leandro na música “Chuva de honestidade”:

Eu sei que a chuva é pouca e que o chão é quente / mas, tem mão boba enganando a gente, secando o verde da irrigação / não! Eu não quero enchentes de caridade, só quero chuva de honestidade / molhando as terras do meu sertão.
Já ouvi de muitos que o Senado, para onde vou no dia primeiro de fevereiro – com os votos de quase 4 milhões de baianos - é uma Casa “austera”, “sisuda”, “empoada”.

Não tenho a pretensão de dizer que vou mudar o Senado, mas lhes garanto que Angelo Coronel é quem não vai mudar.

“De que adianta a um homem ganhar o mundo inteiro, se se perde e se destrói a si mesmo?”, Nos ensina o evangelista Lucas.

Com o apoio dos outros 62 deputados, estou presidente desta casa até o dia 31 deste mês. E mantive neste meu mandato, princípios que são imutáveis em mim: fé, alegria e o gosto pelas pessoas, pelo ser humano. Sob a inspiração de minha esposa Eleusa - e do seu companheirismo integral, sólido - fizemos a Assembleia de Carinho. Em termos materiais, representou muito pouco, mas em termos simbólicos, afirmo: não tem preço.

Mostramos para os outros que é possível fazer. Mínimo? Sim! Mas pergunte à Irmã Dulce, ao Martagão Gesteira, ao Ana Nery, ao Aristides Maltez, ao GAAC, à Associação de Autistas, a abrigos de idosos: o que é mínimo para eles? Aliás, pergunte ao paciente de uma dessas instituições.
No ano passado, devolvemos um trocado para os cofres públicos. Este ano, governador, tivemos que pedir suplementação porque resolvemos um problema que durava 25 anos. Aprovamos o plano de cargos e salários dos servidores desta casa, com mais de 1 bilhão de reais em ações já transitadas em julgado.

Olho: Se valorizamos o trabalho, temos que valorizar o trabalhador. E confirmei com o presidente Lula o que ensina os manuais de economia e, também, de RH: melhores salários fazem rodar a economia, produzem um ambiente de trabalho mais saudável e aumentam a produtividade. Aqui, na ALBA, a autoestima dos servidores subiu e eles voltaram a ter orgulho de trabalhar nesta Casa.
Também trabalhamos pelos interesses maiores da Bahia, com independência, soberania e altivez, sem descuidar nunca da harmonia. Tenho certeza, governador Rui Costa, que fosse vossa excelência o chefe do Legislativo, nunca abriria mão da prerrogativa de independência.

Repetindo o poeta francês Paul Éluard: “ao poder de uma palavra / recomeço minha vida / nasci pra te conhecer / e te chamar: liberdade”. E aqui quebro o protocolo – (Leão fez escola) - para pedir que o governador Rui Costa e o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Gesivaldo Brito, se levantem.

Juntos, demostramos que os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário - são independentes na Bahia, mas são também harmônicos.

O Brasil de hoje exige que evoquemos o poeta Carlos Drummond de Andrade: “o presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito: vamos de mãos dadas”. A liberdade é inegociável. Ela também estava presente no compromisso assumido por mim - e cumprido - de acabar com a reeleição para presidente desta Assembleia. A nossa gestão deixa uma ALBA mais moderna tecnologicamente e mais confortável para os deputados e servidores.

Portanto, fecho o meu ciclo de quase dois anos na presidência da ALBA com o sentimento do dever cumprido, em prol dos interesses maiores da Bahia e do povo baiano. E, aqui, faço questão de nominar os que nos ajudaram nesta jornada, com o seu apoio e amizade:


O governador Rui Costa, o vice João Leão, o presidente do TJ, desembargador Gesivaldo Brito e sua antecessora, Maria do Socorro; Ediene Lousado, chefe do Ministério Público; o chefe da Defensoria Pública, Clériston Cavalcante; e os presidentes do TCE, Gildásio Penedo, e do TCM, Francisco Neto.
E todos os agentes públicos – de secretários de Estado a porteiros, passando por desembargadores, procuradores, dirigentes, servidores: sintam-se saudados ao ter nominado estes chefes dos poderes, mas que levo na conta de amigos diletos.
Também agradeço ao meu companheiro de campanha ao Senado, Jaques Wagner, pela camaradagem e abnegação. Ao líder do meu partido, o PSD, senador Otto Alencar, o meu abraço de liderado, amigo e compadre.

Gratidão é a palavra que transborda do meu peito ao homenageá-los.

Meu obrigado a minha família; em especial aos meus filhos, Angelo e Diego – este que vai me suceder nesta casa. E a minha mulher Eleusa, parceira, comprometida: nesses dois anos, o meu amor por você – Eleusa - só aumentou. Estou mais apaixonado agora do que quando lhe conheci, embaixo de um cajueiro, em Coração de Maria.

Vinte e quatro anos depois, deixo esta Casa. Quase metade de uma vida: de minha vida. Vou sentir saudades, vou sentir falta deste ambiente onde costurei laços fortes e lancei pontes em direção ao entendimento e à amizade. Agradeço a cada um de vocês, a cada um dos 62 deputados, pelo apoio em horas difíceis.

Meu obrigado, com carinho, a todos os assessores e servidores. Um beijo. Me despeço com o coração em chamas – mas não é um novo incêndio: calma! Tenho somente a agradecer e a celebrar, aonde estiver, esta valorosa e calorosa Assembleia Legislativa da Bahia.

Este não é um edifício de concreto e vidro; esta não é apenas a sede do Legislativo da Bahia, mas uma alma e um coração feitos de gente.

Feliz novo mandato, João Leão e Rui Costa.
Um bom ano novo – realmente novo - para todos!
Fiquem com Deus, pois é ele quem nos guia e é responsável direto por nossas vidas! 
Muito obrigado!
CarlosAmilton/Agência-ALBA
  • Publicado em: 01/01/2019
  • Setor responsável: ASSESSORIA COMUNICACAO SOCIAL
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