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Camila Marinho e Cristhina Miranda recebem homenagem na ALBA

Depois de anos contando histórias sobre o povo da ‘Boa Terra’, as jornalistas Camila Marinho e Cristhina Miranda agora podem dizer em alto e bom som: “Eu sou baiana”. Em sessão especial realizada na manhã de ontem, na Assembleia Legislativa, as duas conhecidas profissionais da televisão receberam o Título de Cidadã Baiana, em homenagem proposta pelo deputado Marcelo Nilo (PSB) e aprovada por unanimidade pelos parlamentares da Casa. Para Nilo, a entrega dos títulos é uma questão de justiça, “pois nós, os representantes dos baianos, tornamos baianas de direito, para ficar no jargão jurídico, as baianas de fato”.

O título foi bastante celebrado pelas duas profissionais, cujos rostos são bem conhecidos de todos os baianos. “A mineira que de tanto sonhar com a Bahia hoje tem a Bahia dentro dela. Dois filhos baianos, baiana de alma e agora baiana plena, de verdade, como diria Vinícius de Moraes, com certidão passada em cartório do céu e assinada embaixo: Deus! E com firma reconhecida”, festejou Camila Marinho, em discurso na sessão especial.

Cristhina Miranda também comemorou: “Só tenho a agradecer. Aqui, ganhei régua, compasso e muitas oportunidades. Ganhei amigos, muitos amigos, finquei raízes. E ganhei a chance de viver e contar a história desse lugar que amo. Durante 25 anos como repórter mostrei as dores – sim, temos muitas – e as delícias de viver arrodeada de gente feliz”.

LIBERDADE

Além de homenagear as duas novas baianas, Marcelo Nilo fez uma defesa da liberdade de imprensa em seus discurso na sessão especial. “Considero a imprensa e a política, quando exercidas com dignidade e espírito público, as mais nobres das atividades humanas – como ocorre e sempre acontecerá com as homenageadas nesse 11 de junho, que primam pela busca do fato, da verdade objetiva, acima de qualquer outra consideração”, afirmou Nilo, citando uma frase do prêmio Nobel de Literatura e também jornalista Gabriel Garcia Marquez: “A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o tesouro”.

Para Nilo, nesse momento vivido pelo Brasil, o exemplo das jornalistas Camila Marinho e Cristhina Miranda “precisa ser enaltecido, o que magnifica este ato de entrega dos diplomas que simbolizam a cidadania baiana que elas recebem agora, ou melhor, a cidadania que elas conquistaram”. Ele afirmou ainda acreditar que, para a eficiência do poder público, “transparência e liberdade de imprensa são remédios para a construção de sociedades prósperas e de elevados padrões éticos”.

CAMILA

Natural de Belo Horizonte, Camila Marinho chegou em Salvador no ano de 2005 para trabalhar na TV Bahia, onde está desde então. Começou como repórter de matérias locais, fez reportagens nacionais para a Rede Globo e foi apresentadora dos telejornais da emissora, além de âncora das transmissões do Carnaval. “A minha primeira reportagem foi sobre o Dia de São Cristóvão, protetor dos motoristas e também dos viajantes. E ainda tem gente que não acredita no destino. São Cristóvão guiando minha vida desde os meus primeiros dias aqui. E na Bahia do sincretismo religioso, ele é Xangô, um dos orixás mais importantes nas religiões de matriz africana. O orixá da Justiça, dos raios e dos trovões”.
Ela contou ainda que nunca poderia imaginar que a Bahia que via na TV, nos livros, na comida, nas fitinhas do Senhor do Bonfim, nas músicas e na alegria de um povo seria, um dia, a sua casa. “E na condição de repórter e apresentadora eu conhecia ainda mais a Bahia e o seu povo”, contou ela. “Terra de gente guerreira, trabalhadora e de gente que inspira. Através da TV cobri fatos importantes e marcantes para a história de nosso Estado. E, com o meu trabalho, acho que de alguma forma contribui para levar alegria, esperança, justiça e solidariedade aos baianos. Então, mais do que nunca, esse título é um reconhecimento pelo meu trabalho e pelos serviços prestados à Bahia na condição de jornalista”.

CRISTHINA

Já Cristhina Miranda tem raízes fincadas no Estado. Isso porquê, apesar de ter nascida no Rio de Janeiro, seu pai é do Conde, no litoral norte baiano. “Depois de anos trabalhando na capital carioca, onde eu e meu irmão nascemos, ele decidiu fazer o caminho de volta para a terra natal. Cresci em Salvador, voltei para o Rio adolescente, minha filha nasceu em Botafogo, mas acabei refazendo os passos de meu pai, como é costume em todas as famílias. Querendo ou não, a gente copia muito, vai saber quem manda nessas coisas e voltei para a Bahia”, contou ela, acrescentando: “Aqui aprendi a sorrir, a olhar a vida com sabor, descobri a tal felicidade”, disse ela, que já trabalhou como repórter da TV Globo e do SBT Brasil, entre outras emissoras.

A jornalista contou que tem uma filha carioca, mas também um filho baiano. E que, para ela, Bahia e o Rio têm muita afinidade. “Quem nos dizia isso sempre era João Ubaldo Ribeiro, que amava a Bahia e o Rio de Janeiro, como eu, que tive o prazer de conhecer. Ele falava assim: ‘O carioca e o baiano são povos irmãos’. Ou como falamos também: primos-irmãos”. Ao encerrar a sua fala de agradecimento,  Cristhina Miranda voltou a citar o escritor baiano, apaixonado pela Ilha de Itaparica. “Durante a posse na Academia de Letras da Bahia, João Ubaldo disse o seguinte: ‘Não quero ser melhor do que ninguém, quero ser baiano’. Exatamente, não quero ser melhor do que ninguém, quero ser baiana”.
NeusaMenezes/Agência-ALBA
  • Publicado em: 12/06/2018
  • Setor responsável: ASSESSORIA COMUNICACAO SOCIAL
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